A Western Union, tradicional gigante no setor de remessas internacionais, entrou oficialmente na corrida das stablecoins. O movimento ocorre em um momento estratégico, impulsionado por avanços regulatórios nos Estados Unidos e pelo amadurecimento da infraestrutura global para pagamentos digitais.
Western Union aposta em stablecoins e mira futuro das remessas globais com nova lei dos EUA
A Western Union anuncia testes com stablecoins após sanção da Lei GENIUS nos EUA. Entenda como a gigante de remessas planeja acelerar pagamentos internacionais.
Com a recente aprovação da Lei GENIUS (Guidelines for Emerging National and International Usage of Stablecoins), sancionada pelo presidente Donald Trump, empresas como a Western Union vislumbram um novo horizonte para soluções de pagamento transfronteiriço com uso de ativos digitais estáveis.
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Uma nova fase para a Western Union
CEO vê oportunidades, não ameaças
Em entrevista à Bloomberg, o CEO da Western Union, Devin McGranahan, destacou que a empresa vê três grandes oportunidades nas stablecoins:
- Aceleração de pagamentos internacionais;
- Conversão facilitada em moedas fiduciárias de difícil acesso;
- Criação de produtos de reserva de valor para países com moedas fracas.
“Vemos as stablecoins realmente como uma oportunidade, não como uma ameaça”, afirmou McGranahan.
Essa visão se afasta do ceticismo tradicional de grandes instituições financeiras, refletindo uma tendência crescente de abertura ao ecossistema cripto, especialmente após a clareza regulatória trazida pela Lei GENIUS.
Stablecoins ganham tração com regulação favorável

Lei GENIUS: o novo marco regulatório dos EUA
A Lei GENIUS oferece um conjunto claro de diretrizes para a emissão, custódia e negociação de stablecoins nos Estados Unidos. Considerada um divisor de águas, a legislação remove incertezas jurídicas que inibiam a adoção institucional dessas tecnologias.
Bancos e varejistas embarcam no cripto
Desde a aprovação da nova lei, bancos, fintechs e até gigantes do varejo como Amazon e Walmart começaram a anunciar projetos-piloto com stablecoins.
A Western Union se junta a esse movimento com testes de liquidação em mercados como América do Sul e África, regiões historicamente marcadas por volatilidade cambial e fragilidade dos sistemas bancários.
Panorama global: como as stablecoins estão transformando remessas
O problema das remessas tradicionais
De acordo com dados do Banco Mundial, a taxa média global para envio de remessas é de 6,6% — número bem acima da meta de 3% proposta pela ONU.
Essa realidade representa um obstáculo sério, especialmente para trabalhadores migrantes e pequenas empresas, que enfrentam altas tarifas, prazos demorados e conversões ineficientes.
Stablecoins oferecem alternativa mais rápida e barata
Segundo Darren Wang, CEO da OwlTing Group, as stablecoins permitem:
- Liquidações instantâneas, 24h por dia, 7 dias por semana;
- Eliminação de intermediários e sobretaxas cambiais;
- Redução drástica de custos operacionais.
“As stablecoins oferecem uma alternativa mais rápida, barata e flexível aos sistemas bancários tradicionais”, disse Wang ao Decrypt.
Ele revelou que sua empresa já recebe consultas mensais de duas dezenas de empresas interessadas em integrar stablecoins a seus sistemas desde maio de 2025.
Western Union quer ser a ponte entre fiat e cripto
Parcerias estratégicas em estudo
Além dos testes de liquidação, a Western Union está:
- Estudando parcerias com empresas de infraestrutura blockchain;
- Avaliando o lançamento de carteiras digitais com suporte a stablecoins;
- Explorando o papel de ponte fiduciária para entrada e saída de criptoativos em países com alta demanda por remessas.
Esses planos colocam a empresa em rota direta com concorrentes como MoneyGram, que já possui integração com USDC (USD Coin) em várias jurisdições.
Competição se intensifica: quem dominará o futuro das remessas?
Do Ocidente ao Oriente, players se movimentam
Empresas como JD.com e Alipay na China também estão buscando aprovações regulatórias para emissão de stablecoins voltadas ao mercado internacional.
A União Europeia, por sua vez, avança com o MiCA (Markets in Crypto-Assets Regulation), estabelecendo regras para stablecoins e criptoativos no bloco europeu.
PMEs e migrantes impulsionam adoção
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O crescimento do uso de stablecoins é particularmente forte entre pequenas e médias empresas e plataformas voltadas a migrantes, especialmente para envios a países africanos, onde a falta de infraestrutura bancária é um desafio crônico.
Ceticismo político e riscos futuros
Senadora Warren critica avanço das moedas privadas
Apesar da empolgação do setor, críticas políticas emergem. A senadora Elizabeth Warren expressou preocupações com a possibilidade de que bilionários como Elon Musk ou Jeff Bezos possam lançar moedas próprias, dominando o ecossistema de pagamentos:
“Se o Congresso não corrigir isso, bilionários poderão explorar dados dos consumidores e eliminar concorrentes”, alertou Warren. “Depois, virão pedir resgate quando tudo der errado.”
O paradoxo da descentralização sob controle privado
Críticos argumentam que, embora stablecoins prometam inclusão financeira e redução de custos, a centralização por parte de grandes empresas pode comprometer a privacidade dos usuários e a competitividade do setor.
Roadmap e perspectivas para 2026
Testes devem amadurecer até o fim de 2025
Darren Wang acredita que os grandes players encerrarão seus testes até o final de 2025, abrindo caminho para:
- Adoção em larga escala em 2026;
- Integrações com APIs de tesouraria;
- Compliance total com novos frameworks regulatórios.
Western Union se reposiciona para o digital
Ao abraçar as stablecoins, a Western Union:
- Reduz sua dependência de agências físicas;
- Moderniza sua infraestrutura de liquidação;
- Fortalece sua competitividade diante de fintechs nativas digitais como Revolut, Wise e PayPal.
Conclusão: da ameaça à oportunidade

A postura da Western Union representa um ponto de virada para o setor financeiro tradicional. Ao enxergar as stablecoins não como uma ameaça, mas como uma oportunidade, a empresa sinaliza que a convergência entre cripto e finanças tradicionais é inevitável.
O mercado global de remessas, estimado em mais de US$ 800 bilhões anuais, está prestes a entrar em uma nova era — com stablecoins no centro da revolução.
