Nos últimos meses, uma nova modalidade de golpe digital tem causado prejuízos a consumidores brasileiros: criminosos estão utilizando contas com selo de verificado no WhatsApp Business para simular a identidade de grandes empresas de logística e e-commerce.
Selo verificado do WhatsApp vira isca para golpes online; descubra como identificar fraudes
Evite fraudes com contas verificadas no WhatsApp! Saiba como se proteger de golpes com dicas práticas.
A prática, que ganhou força em 2024, combina o uso desse selo a anúncios pagos no Google, criando um ambiente visualmente confiável para enganar as vítimas. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, os principais alvos são clientes dos Correios e da transportadora Total Express, esta última responsável por entregas da Amazon.
Os golpistas utilizam o programa Meta Verified, serviço pago oferecido pela Meta (empresa dona do WhatsApp), para obter o selo de verificação e passar maior legitimidade às contas falsas.
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Como funciona o golpe com conta verificada no WhatsApp

Engenharia social por trás do crime
O selo de verificado confere uma falsa sensação de segurança. A vítima, ao receber uma mensagem de uma conta com o símbolo de verificação azul ou verde, tende a confiar na comunicação — mesmo quando o conteúdo envolve cobranças de taxas ou atualizações suspeitas de entrega.
Abordagem personalizada
Os criminosos costumam utilizar dados reais da vítima, como nome, endereço e telefone. Essas informações são muitas vezes obtidas em vazamentos de dados, como o confirmado pelos Correios em junho de 2025, que expôs informações de cerca de 800 mil usuários.
Utilização de sites falsos
As mensagens frequentemente incluem links para páginas falsas, que imitam com perfeição os sites oficiais dos Correios, Amazon ou Total Express. Essas páginas solicitam dados pessoais, bancários ou até mesmo o pagamento de taxas inexistentes, geralmente via Pix ou boleto bancário.
Golpe também ocorre por meio de anúncios pagos no Google
Além do WhatsApp, os golpistas também investem em anúncios pagos no Google, usando termos como:
- “Rastreamento Correios”;
- “Rastrear encomenda Total Express”;
- “Acompanhar pedido Amazon”.
Esses anúncios aparecem nas primeiras posições das buscas e direcionam o usuário para páginas fraudulentas, muitas vezes com domínios internacionais e sem informações institucionais claras, como CNPJ, política de privacidade ou termos de uso.
Segundo o próprio Google, em 2024 foram removidos 200 milhões de anúncios irregulares no Brasil, e mais de 1 milhão de contas suspensas. Apesar da atuação proativa, o volume de fraudes continua elevado.
Fatores que tornam esse golpe mais eficaz
Aparência legítima
O selo de verificado e o layout profissional dos sites falsos confundem até usuários experientes.
Urgência e pressão emocional
As mensagens geralmente incluem termos como:
- “Último aviso”;
- “Sua entrega está suspensa”;
- “Pagamento pendente para liberação da encomenda”.
Confiança nos canais utilizados
Ao utilizar o WhatsApp, uma das ferramentas mais presentes no cotidiano brasileiro, os golpistas se beneficiam da familiaridade do usuário com a plataforma.
Quem são os principais alvos?
- Clientes da Amazon: devido ao alto volume de compras e entregas.
- Usuários dos Correios e Total Express: transportadoras frequentemente citadas nas mensagens.
- Pessoas com pouca familiaridade digital: especialmente idosos e pessoas que não checam detalhes técnicos dos sites ou links.
Como identificar uma conta falsa mesmo com selo de verificado
Dicas práticas:
Verifique o número de telefone
Contas falsas muitas vezes utilizam números internacionais ou números sem vínculo aparente com a empresa.
Analise o conteúdo da mensagem
Empresas sérias não solicitam pagamentos via WhatsApp, especialmente por Pix.
Cheque o link enviado
- Sites oficiais sempre terão domínio legítimo, como
correios.com.brouamazon.com.br. - Desconfie de domínios estrangeiros ou com nomes genéricos.
Pesquise no site oficial
Antes de clicar em qualquer link, vá diretamente ao site da empresa e busque as informações ali.
Como se proteger de golpes com contas verificadas
Medidas preventivas recomendadas
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+311 mil seguidores
- Desconfie de qualquer cobrança recebida por WhatsApp, mesmo com selo verificado;
- Nunca clique em links suspeitos ou forneça dados bancários via mensagem;
- Verifique sempre o domínio do site antes de realizar qualquer pagamento;
- Ative a autenticação em dois fatores em todos os aplicativos possíveis;
- Monitore seu CPF e dados pessoais em serviços como o Registrato do Banco Central.
O que dizem as empresas envolvidas
Amazon
A empresa esclarece que:
- Não solicita pagamentos por telefone, e-mail, WhatsApp ou redes sociais;
- Recomenda o uso exclusivo do site amazon.com.br ou do aplicativo oficial;
- Pedidos urgentes ou que peçam Pix devem ser ignorados;
- Suspeitas devem ser reportadas para
[email protected]; - O SAC está disponível via 0800 038 0541 ou
[email protected].
Correios
Os Correios afirmam que não enviam mensagens de cobrança por WhatsApp, SMS ou e-mail. O rastreamento oficial pode ser feito apenas via:
- Aplicativo dos Correios;
- Site oficial:
www.correios.com.br.
Total Express
Assim como os Correios, a Total Express reforça que não realiza cobranças por canais informais. A empresa recomenda que todos os rastreamentos e contatos sejam realizados por meios institucionais e verificados.
Vazamentos de dados potencializam o risco

O incidente confirmado pelos Correios no mês passado mostra que dados pessoais nas mãos de criminosos ampliam a efetividade da fraude. Com informações reais, os golpistas constroem mensagens altamente personalizadas, o que torna o golpe mais difícil de identificar.
Papel do consumidor: vigilância constante
O avanço das tecnologias de verificação e o uso de ferramentas legítimas para aplicar golpes mostram que, mais do que nunca, o consumidor precisa adotar uma postura ativa na verificação de informações.
Mesmo diante de selos de verificação, a checagem manual e a cautela continuam sendo as melhores defesas contra fraudes digitais.
Conclusão
Os golpes que utilizam contas verificadas no WhatsApp são uma tendência preocupante no cenário da segurança digital brasileira.
Combinando engenharia social, dados vazados e plataformas legítimas como Google Ads e WhatsApp Business, os criminosos conseguem montar armadilhas sofisticadas que colocam em risco a integridade financeira dos consumidores. A melhor forma de se proteger é duvidar, verificar e não agir sob pressão.
Imagem: Ahyan Stock Studios / Shutterstock.com
