Nos tempos em que cada nova versão do Windows exigia a compra de uma licença, a Microsoft obtinha parte significativa de sua receita diretamente da venda do sistema operacional. Essa realidade, porém, ficou no passado. Desde a chegada do Windows 10, em 2015, e principalmente sob a liderança de Satya Nadella, a empresa redefiniu completamente sua estratégia: o Windows passou a ser praticamente gratuito.
Windows se torna praticamente gratuito e especialista revela o que a Microsoft ganha com isso
Windows é quase gratuito hoje. Saiba o que a Microsoft ganha com isso e por que mudou sua estratégia de negócio.
A decisão parece simples à primeira vista, mas representa uma guinada profunda no modelo de negócios da companhia. O que a Microsoft ganha com isso? A resposta envolve dados, serviços e um ecossistema cada vez mais dominante.
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Quando tudo mudou: de produto a serviço

Até o início da década de 2010, cada nova versão do Windows representava uma grande campanha de marketing e vendas. No entanto, o fracasso de aceitação do Windows 8 mostrou à Microsoft que o antigo modelo precisava de uma revisão urgente.
Com o avanço de sistemas concorrentes, como o macOS e as distribuições Linux, oferecendo atualizações gratuitas, a pressão para acompanhar essa tendência cresceu. Foi nesse contexto que Satya Nadella assumiu o comando da empresa, levando adiante o conceito de “Windows como serviço”.
A iniciativa foi colocada em prática com o lançamento do Windows 10: a atualização foi oferecida gratuitamente para usuários do Windows 7 e 8, com o objetivo de consolidar uma base de usuários uniforme e facilitar tanto o suporte técnico quanto o desenvolvimento de novos recursos.
Estratégia por trás da gratuidade: telemetria e ecossistema
Segundo Dave Plummer, criador do Gerenciador de Tarefas do Windows, a chave para entender essa nova abordagem está na coleta de telemetria, dados anônimos sobre o comportamento dos usuários. A partir dessas informações, a Microsoft consegue:
- Aprimorar o sistema operacional de maneira constante;
- Reduzir o tempo de resposta a falhas;
- Implementar atualizações de forma mais precisa;
- Medir a aceitação de novas funcionalidades.
A saber, a coleta de telemetria permitiu à Microsoft entender melhor os usuários e transformar o Windows em uma plataforma dinâmica, centrada em serviços.
A nova fonte de lucro: serviços pagos e publicidade
Apesar de não cobrar pelo Windows em muitos casos, a Microsoft encontrou formas mais lucrativas e sustentáveis de monetizar seu sistema:
- Microsoft 365 (antigo Office 365): pacote de produtividade que requer assinatura mensal ou anual.
- Game Pass: serviço de jogos por assinatura para PC e consoles Xbox.
- OneDrive: serviço de armazenamento em nuvem integrado ao sistema.
- Azure: plataforma de computação em nuvem que cresceu exponencialmente.
- Publicidade no sistema: sugestões de aplicativos e promoções aparecem em diversas áreas do Windows.
Assim, mesmo que a atualização para o Windows 10 ou 11 seja gratuita, o sistema serve como porta de entrada para todo um ecossistema lucrativo.
Inclusão até para quem não pagou
Outro aspecto que ajudou na popularização do Windows 10 foi a permissão para instalação da versão completa mesmo em dispositivos com cópias não originais do sistema. Isso expandiu a base de usuários ativos e, consequentemente, o alcance dos serviços da Microsoft.
Ao tornar o sistema acessível para mais pessoas, incluindo aquelas com pirataria, a empresa conseguiu conquistar um público que, mais adiante, poderia assinar algum dos seus serviços.
O presente: um sistema, muitos serviços
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+311 mil seguidores
Atualmente, o Windows não é mais visto como um produto isolado, mas como a porta de entrada para serviços da Microsoft. A empresa depende cada vez mais das assinaturas e da infraestrutura de nuvem como principais fontes de receita.
Essa mudança pode ser observada com clareza em relatórios financeiros: enquanto a venda de licenças representa uma fatia cada vez menor da receita, serviços como Azure, Game Pass e Microsoft 365 crescem em ritmo acelerado.
Polêmicas: privacidade e propaganda

Embora a estratégia da Microsoft tenha se mostrado eficaz, ela não passou ilesa às críticas. A coleta de dados, mesmo anônima, levantou preocupações sobre privacidade. Além disso, a inserção de anúncios no próprio sistema, como sugestões na tela de bloqueio ou na barra de tarefas, foi vista por muitos usuários como uma experiência intrusiva.
Ainda assim, a empresa parece estar disposta a manter esse modelo, dado o retorno financeiro gerado pelos serviços atrelados.
O que esperar do futuro do Windows?
Com a chegada do Windows 11 em 2021 e os planos para futuras versões do sistema, a Microsoft deve manter e ampliar o modelo centrado em serviços. A tendência é que o Windows continue sendo distribuído gratuitamente, mas cada vez mais integrado a ofertas pagas e personalizadas.
A empresa também trabalha para tornar o sistema ainda mais adaptado à nuvem, em linha com soluções como o Windows 365, que permite executar o sistema operacional diretamente da nuvem.
Com informações de: Xataka
