A Xiaomi segue firme na expansão para o mercado automobilístico com o lançamento de seu segundo carro elétrico. O SUV YU7 foi apresentado oficialmente no fim de junho e as entregas começaram nesta semana na China.
Xiaomi apresenta seu 2º carro elétrico e provoca a Apple em declaração polêmica
Xiaomi apresenta o SUV, carro elétrico YU7 com até 835 km de autonomia e provoca a Apple em evento. Confira os detalhes.
Com preços que variam de 253.500 a 329.900 yuans — entre US$ 35 mil e US$ 46 mil — o modelo chega para consolidar a atuação da empresa fora do setor de eletrônicos. Durante o evento de lançamento, o CEO Lei Jun não poupou críticas à Apple, ao lembrar da desistência da gigante americana no desenvolvimento de seu próprio veículo elétrico.
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SUV YU7 chega com forte apelo comercial
O novo modelo da Xiaomi é um SUV batizado de YU7, projetado para competir no crescente mercado de veículos elétricos na China. Lançado em três versões — Standard, Pro e Max —, o veículo aposta em tecnologia embarcada, design refinado e ampla autonomia de bateria.
A versão de entrada, YU7 Standard, custa 253.500 yuans (US$ 35.330) e possui autonomia de 835 km, uma das maiores do mercado para carros elétricos comerciais. A Pro e a Max custam 279.900 yuans (US$ 39.000) e 329.900 yuans (US$ 45.979), com autonomia de 770 km e 760 km, respectivamente.
Além do desempenho, o carro oferece conectividade com smartphones e outros dispositivos, reforçando o ecossistema digital da Xiaomi. O sistema de direção autônoma, embora integrado, ainda não pode ser utilizado plenamente, devido à ausência de regulamentação legal na China.
Cores, versões e personalização
O YU7 está disponível em nove cores externas e quatro opções de acabamento interno, o que reforça a estratégia da Xiaomi de oferecer um produto com visual premium e personalização elevada — dois atributos valorizados pelo público jovem e tecnológico.
Lei Jun cutuca a Apple durante apresentação
Durante o evento de lançamento do YU7, o CEO da Xiaomi, Lei Jun, aproveitou a oportunidade para provocar uma de suas maiores rivais no setor de tecnologia, a Apple. A gigante norte-americana abandonou recentemente o projeto de seu carro elétrico, após mais de uma década de desenvolvimento e investimentos superiores a US$ 10 bilhões.
“Desde que a Apple parou de desenvolver seu carro, demos atenção especial aos usuários da Apple”, afirmou Lei Jun. Ele destacou ainda que os iPhones e demais dispositivos da empresa podem ser integrados aos veículos da Xiaomi.
A declaração, embora breve, foi interpretada como um golpe estratégico, buscando atrair consumidores insatisfeitos com a ausência de uma opção automotiva da Apple, ao mesmo tempo em que posiciona a Xiaomi como uma alternativa real de inovação no setor.
Sucesso de vendas e revisão de metas
SU7 abre caminho para consolidação
O primeiro carro da Xiaomi, o sedã elétrico SU7, foi lançado em março de 2024 e teve uma recepção calorosa no mercado chinês. Segundo dados preliminares da Associação de Carros de Passageiros da China (CPCA), o modelo foi um dos sete veículos mais vendidos em junho, com 23.225 unidades comercializadas no mês.
Com preço inicial de 215 mil yuans (cerca de US$ 29 mil), o SU7 atingiu consumidores de médio porte e consolidou a entrada da Xiaomi no setor automotivo com uma proposta acessível e tecnológica.
Expectativas superadas e projeções revisadas
A recepção positiva tanto do SU7 quanto do YU7 levou a Xiaomi a revisar sua meta anual de vendas. Inicialmente, a empresa esperava vender 300 mil veículos em 2025, mas com quase 289 mil pedidos já feitos para o novo SUV, a projeção subiu para 350 mil unidades até o final do ano.
O desempenho coloca a Xiaomi entre as principais fabricantes emergentes de veículos elétricos, ao lado de empresas como BYD, Nio e Li Auto, todas apostando na rápida eletrificação da frota chinesa.
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Xiaomi mira integração total de tecnologia e mobilidade

Estratégia vai além do hardware
Mais do que vender automóveis, a Xiaomi pretende transformar seus carros em extensões do seu ecossistema de produtos. Isso significa que o usuário poderá controlar a casa inteligente, o celular, os dispositivos de segurança e outros gadgets da marca a partir do carro, por comandos de voz ou interface no painel de controle.
O conceito, chamado internamente de “smart cabin”, visa transformar o veículo em um hub de conectividade, o que alinha a Xiaomi à tendência global de convergência entre tecnologia de consumo e mobilidade.
Apple ainda pode voltar ao jogo?
Apesar de ter encerrado o projeto do “Apple Car”, rumores apontam que a empresa de Cupertino pode investir futuramente em software automotivo ou em parcerias com montadoras tradicionais. No entanto, a desistência do projeto próprio deu espaço para que concorrentes como a Xiaomi ocupassem esse nicho com maior velocidade.
No cenário atual, a empresa chinesa parece ter vantagem competitiva: já possui uma base de usuários fidelizada e uma cadeia de produção doméstica consolidada.
Perspectivas para o futuro
Com a consolidação dos dois primeiros modelos no mercado, a Xiaomi agora enfrenta o desafio de escalar sua produção e expandir para outros países. A expectativa é que, caso os testes de exportação sejam bem-sucedidos, a marca comece a vender seus veículos em mercados asiáticos e europeus até o final de 2026.
Enquanto isso, a Xiaomi segue apostando em inovação, conectividade e provocação. A alfinetada na Apple pode parecer apenas um gesto simbólico, mas também representa o início de uma nova fase de disputa — não apenas por smartphones ou tablets, mas pelo volante do futuro.
Imagem: divulgação/Xiaomi

