A XP Investimentos iniciou setembro com uma visão cautelosa sobre o desempenho recente do mercado brasileiro, mas sem abandonar sua perspectiva positiva para a Bolsa no longo prazo. A instituição mantém a projeção de 200 mil pontos para o Ibovespa e realizou mudanças em sua carteira recomendada de ações.
O cenário observado em agosto foi marcado pela saída de recursos estrangeiros e por uma temporada de resultados corporativos considerada fraca no Brasil. Dados recentes do mercado indicam que o Ibovespa encerrou agosto com leve queda, enquanto o fluxo de investidores estrangeiros continuou sendo um dos principais fatores de pressão sobre os ativos brasileiros.
Apesar desse ambiente mais desafiador, a estratégia da XP para setembro continua baseada na busca por empresas com fundamentos considerados atrativos, diversificação setorial e potencial de valorização no longo prazo.
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Por que a XP mantém uma visão positiva para a Bolsa?

A avaliação da XP combina fatores macroeconômicos, técnicos e políticos. Entre os elementos acompanhados pelos estrategistas está a possibilidade de maior movimentação dos ativos brasileiros à medida que o cenário eleitoral de 2026 se aproxima.
A instituição também observa os níveis de preço das ações brasileiras. Em momentos de maior pessimismo, a redução das cotações pode tornar determinados papéis mais atraentes para investidores que possuem uma estratégia de longo prazo.
No entanto, uma projeção positiva para o Ibovespa não significa que todas as ações devem apresentar o mesmo desempenho.
O mercado brasileiro tem mostrado diferenças importantes entre setores. Empresas ligadas a commodities e segmentos defensivos têm apresentado comportamento distinto das companhias mais dependentes do consumo interno e das condições de crédito.
Resultados corporativos frustraram o mercado brasileiro
A temporada de balanços também contribuiu para o ambiente mais cauteloso.
Enquanto uma parcela significativa das empresas americanas superou as projeções do mercado no segundo trimestre, o desempenho das companhias brasileiras ficou abaixo das expectativas da XP.
Esse resultado reforçou a percepção de que o mercado brasileiro enfrenta desafios próprios, especialmente em setores sensíveis ao custo do crédito, à atividade econômica e ao comportamento do consumo.
Juros elevados podem afetar diretamente empresas de varejo, construção e outros setores dependentes de financiamento. Por outro lado, companhias exportadoras ou ligadas às commodities podem apresentar dinâmicas diferentes, influenciadas também pelos preços internacionais e pela cotação do dólar.
Axia e Cury são as novidades da carteira de setembro
Na atualização mensal, a XP informou a entrada de Cury e Axia Energia na Carteira Top Ações para setembro.
A corretora também aumentou a exposição à Rede D’Or e reduziu as participações em Itaú Unibanco e Nubank. Lojas Renner e Orizon deixaram a composição recomendada. As alterações foram divulgadas oficialmente pela área de Research da XP em 1º de setembro.
A mudança na carteira demonstra uma busca por maior equilíbrio diante do cenário econômico e da perspectiva de mudanças no fluxo de investimentos.
Confira a carteira recomendada da XP para setembro

A carteira divulgada para setembro reúne empresas de diferentes setores da economia brasileira.
| Companhia | Ticker | Peso |
|---|---|---|
| Petrobras | PETR4 | 10,0% |
| PRIO | PRIO3 | 5,0% |
| Gerdau | GGBR4 | 5,0% |
| Vale | VALE3 | 5,0% |
| Cury | CURY3 | 5,0% |
| Axia Energia | AXIA3 | 7,5% |
| Embraer | EMBJ3 | 10,0% |
| TOTVS | TOTS3 | 5,0% |
| Iguatemi | IGTI11 | 7,5% |
| Rede D’Or | RDOR3 | 10,0% |
| Sabesp | SBSP3 | 7,5% |
| Itaú Unibanco | ITUB4 | 7,5% |
| BTG Pactual | BPAC11 | 5,0% |
| Nubank | ROXO34 | 5,0% |
A estratégia é revisada periodicamente, o que significa que a composição pode sofrer novas alterações nos próximos meses, conforme as avaliações dos analistas e as condições do mercado.
O que explica a redução da exposição a bancos?
A XP reduziu a participação de Itaú Unibanco e Nubank em sua carteira de setembro em um contexto de atenção às condições de crédito.
O comportamento das instituições financeiras depende de diversos fatores, incluindo inadimplência, atividade econômica, demanda por crédito e política monetária.
Esse tipo de ajuste não significa necessariamente uma avaliação negativa sobre as empresas no longo prazo. Em uma carteira recomendada, mudanças de peso podem refletir a necessidade de adequação ao cenário atual e ao equilíbrio entre diferentes setores.
Energia e commodities seguem no radar
A composição da carteira também mantém uma presença relevante de empresas ligadas à energia e às commodities, como Petrobras, PRIO, Vale e Gerdau.
Esses setores possuem características próprias e podem ser influenciados por fatores internacionais, incluindo preços de petróleo, minério de ferro, demanda global e variações cambiais.
A XP também incluiu Axia Energia entre suas recomendações. A empresa ganhou espaço na carteira em um momento de atenção ao setor elétrico e às condições que podem afetar a oferta e os preços da energia nos próximos meses.
Investidor deve considerar o próprio perfil
Carteiras recomendadas são ferramentas de análise e não representam garantia de rentabilidade.
Antes de comprar ações, o investidor deve considerar seu perfil de risco, objetivos financeiros e horizonte de investimento. Também é importante lembrar que uma recomendação mensal pode não ser adequada para todos os investidores.
A própria XP informa que seus relatórios têm finalidade informativa e buscam auxiliar a tomada de decisão, não constituindo garantia de retorno. A carteira tem como objetivo superar o Ibovespa no longo prazo e é analisada mensalmente.
Para quem pretende investir, diversificação e conhecimento sobre os riscos continuam sendo pontos fundamentais, especialmente em períodos de maior volatilidade.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
