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Mercado Livre pode ganhar espaço após reajuste de taxas da Shopee

XP mantém recomendação de compra para Mercado Livre após Shopee elevar taxas e adotar estratégia focada em rentabilidade.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto7 min de leitura
Mercado Livre

A XP Investimentos reiterou sua recomendação de compra para as ações do Mercado Livre, negociadas no Brasil por meio do BDR MELI34, após a Shopee anunciar mudanças relevantes em sua política de comissões. A decisão da corretora reflete uma leitura estratégica do novo posicionamento da concorrente asiática, que passa a priorizar rentabilidade em detrimento de uma postura historicamente mais agressiva em preços.

As alterações entram em vigor a partir desta terça-feira, dia 6, e afetam diretamente vendedores individuais da Shopee, um dos principais públicos da plataforma. Para analistas da XP, o novo cenário pode reduzir a pressão competitiva sobre o Mercado Livre e tornar o ecossistema da empresa argentina ainda mais atrativo para determinados perfis de vendedores e categorias de produtos.

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Shopee eleva taxa fixa e muda dinâmica para vendedores individuais

A principal mudança anunciada pela Shopee envolve a elevação da taxa fixa por item vendido. Até então, vendedores individuais pagavam R$ 5 por produto comercializado. Com a nova política, esse valor sobe para R$ 7 por item, o que representa um aumento relevante, especialmente para quem atua com produtos de menor valor agregado.

A exceção fica para vendedores que registraram mais de 450 pedidos nos últimos 90 dias. Esse grupo continuará pagando R$ 4 por item, o mesmo valor cobrado de vendedores com CNPJ. A estratégia indica uma tentativa de reter grandes vendedores e incentivar a profissionalização dentro da plataforma.

Impacto maior para produtos de baixo valor

Para itens com preço inferior a R$ 10, a taxa fixa passa a ser proporcional, correspondendo à metade do valor do produto. Na prática, isso significa que um item vendido por R$ 8, por exemplo, terá uma taxa fixa de R$ 4, além das demais comissões.

Com as mudanças, vendedores individuais passam a arcar com uma taxa total de 14% sobre cada venda — composta pela comissão padrão de 12% somada a 2% de taxa de transação — além da taxa fixa de R$ 7 por item. A Shopee também mantém a opção de frete grátis para até 6% dos produtos, o que adiciona outro elemento ao cálculo de custos do vendedor.

Teto de comissão permanece, mas pressão aumenta

Apesar do aumento das taxas, o teto de comissão da Shopee permanece em R$ 105 por item, inclusive para produtos com valor superior a R$ 665. Ainda assim, segundo estimativas da XP Investimentos, dependendo da faixa de preço e da categoria do produto, o aumento efetivo da taxa de comissão pode chegar a até 20 pontos percentuais.

Esse movimento é interpretado pelos analistas como um divisor de águas na estratégia da plataforma, que construiu sua base no Brasil com foco em preços baixos, incentivos agressivos e subsídios ao frete.

Estratégia de rentabilidade ganha protagonismo

Na avaliação da XP, a Shopee passa a demonstrar maior preocupação com margens e sustentabilidade financeira. O ajuste nas taxas sugere uma mudança de foco: menos crescimento acelerado a qualquer custo e mais equilíbrio entre expansão e lucratividade.

Esse reposicionamento pode reduzir a atratividade da plataforma para pequenos vendedores, especialmente aqueles que trabalham com produtos de baixo ticket e margens mais apertadas.

Comparação direta com o Mercado Livre favorece a MELI

Ao comparar as novas taxas da Shopee com as praticadas pelo Mercado Livre, a XP identifica um cenário mais equilibrado — e, em alguns casos, favorável à empresa argentina.

A taxa fixa por item do Mercado Livre varia entre R$ 6,25 e R$ 6,75, dependendo da categoria e do modelo de anúncio. Com isso, a nova taxa fixa de R$ 7 da Shopee passa a ser superior à da MELI em diversas situações.

Comissão se aproxima do modelo Classic do Mercado Livre

No campo das comissões percentuais, a taxa total de 14% da Shopee se aproxima da modalidade Classic do Mercado Livre, cujas alíquotas variam entre 10% e 14%. A diferença, segundo a XP, está na estrutura do ecossistema oferecido.

O Mercado Livre conta com uma base logística mais robusta, soluções financeiras integradas, como o Mercado Pago, e maior previsibilidade de custos para vendedores recorrentes. Esses fatores podem pesar na decisão de quem avalia migrar ou diversificar canais de venda.

Mercado Livre pode ganhar competitividade em categorias específicas

De acordo com a análise da XP Investimentos, as mudanças promovidas pela Shopee tornam o Mercado Livre igualmente atraente — ou até mais vantajoso — para determinados tipos de produtos, especialmente aqueles com preços intermediários e maior volume de vendas.

Categorias que dependem de logística eficiente, entrega rápida e maior confiança do consumidor final tendem a se beneficiar do ecossistema mais maduro da MELI. Isso reforça a tese de que o Mercado Livre pode capturar parte dos vendedores insatisfeitos com o aumento de custos na Shopee.

Vendedores avaliam custo-benefício além das taxas

Os analistas destacam que a decisão de um vendedor não se baseia apenas na taxa de comissão. Elementos como taxa de conversão, volume de tráfego, reputação da plataforma e acesso a meios de pagamento influenciam diretamente a rentabilidade do negócio.

Nesse contexto, mesmo que as taxas nominais se aproximem, o valor entregue pelo Mercado Livre pode compensar custos ligeiramente maiores em alguns casos.

Recomendação de compra para MELI34 é mantida

Diante desse cenário, a XP Investimentos reiterou sua recomendação de compra para os papéis do Mercado Livre. A corretora vê a empresa bem posicionada para se beneficiar de uma concorrência menos agressiva e de um ambiente mais racional em termos de precificação no e-commerce brasileiro.

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O Mercado Livre já vinha avançando em rentabilidade, com melhora gradual das margens e crescimento consistente das operações de marketplace, logística e serviços financeiros. A mudança de postura da Shopee tende a reduzir a pressão sobre preços e investimentos promocionais, favorecendo o setor como um todo.

Visão de médio e longo prazo permanece positiva

Para investidores, a leitura da XP é clara: o Mercado Livre segue como uma das principais apostas no segmento de tecnologia e e-commerce da América Latina. A empresa combina escala, diversificação de receitas e capacidade de adaptação a diferentes cenários macroeconômicos.

Com concorrentes ajustando estratégias e buscando maior equilíbrio financeiro, o ambiente se torna mais favorável para players consolidados, com infraestrutura e base de usuários já estabelecidas.

O que muda para investidores e para o mercado

As alterações anunciadas pela Shopee não impactam apenas vendedores, mas também investidores atentos à dinâmica competitiva do setor. A redução da agressividade comercial pode sinalizar um novo ciclo no e-commerce brasileiro, marcado por foco em eficiência e rentabilidade.

Para o Mercado Livre, o momento é visto como uma oportunidade de reforçar sua liderança e capturar valor em segmentos onde a competição por preço tende a diminuir.

Setor caminha para maior maturidade

O movimento da Shopee pode ser interpretado como parte de um processo natural de maturação do mercado. Após anos de expansão acelerada e subsídios elevados, plataformas passam a buscar modelos mais sustentáveis.

Nesse contexto, empresas que já operam com margens mais equilibradas e oferecem soluções integradas tendem a se destacar, segundo a avaliação da XP.

Conclusão

A decisão da XP Investimentos de manter a recomendação de compra para o Mercado Livre após a mudança nas taxas da Shopee reforça a percepção de que o cenário competitivo do e-commerce está passando por uma inflexão importante. Com a concorrente adotando uma postura menos agressiva, a MELI surge como uma opção ainda mais sólida para vendedores e investidores.

A combinação de estrutura logística eficiente, serviços financeiros integrados e maior previsibilidade de custos fortalece a tese de longo prazo da companhia, que segue como referência no setor na América Latina.

Imagem: Reprodução / Mercado Livre

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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