A crise no setor de automóveis no país continua gerando incerteza na redução a curto prazo do preço de veículos novos. Além disso, nesta semana, 5 montadoras anunciaram férias coletivas para os funcionários, sob o argumento de ajuste à demanda do mercado.
5 montadoras suspendem atividades e funcionários entram em férias coletivas
As montadoras alegam que a paralisação é necessária para que não haja encalhe de novos veículos. Entenda o que pode acontecer.
Em resumo, a Volkswagen, a GM Motors, a Stellantis, a Mercedes-Benz e a Hyundai anunciaram uma paralisação na produção dos carros.
Ainda que haja, atualmente, uma fabricação excedente ao necessário para a comercialização, o cenário mostra que entraves logísticos e falta de matéria-prima têm feito as montadoras “perderem dinheiro”. E claro, a alta competitividade no setor está causando uma corrida das montadoras para desenvolver veículos com menor custo e maior lucro.
Redução de preço nos veículos depende de redução de custos
Para o professor de mercado automotivo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Antônio Jorge Martins, o grande desafio das montadoras é “gerar rentabilidade para fazer frente ao desafio de investimentos de conectividade e motorização”. Na prática, isso significa entender como é possível reduzir os custos, a fim de diminuir o preço dos automóveis.
Além disso, fatores externos como a alta taxa Selic, que atualmente está em 13,75% e, consequentemente, o encarecimento do crédito, reduziu drasticamente o poder de compra do brasileiro. Para exemplificar o caso, um estudo da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave) apontou uma queda de 34% no emplacamento de veículos em janeiro de 2023 e de 9% em fevereiro.
Retração da indústria automobilística ocasiona paralisação de montadoras
Martins aponta que a suspensão de atividades das 5 montadoras com fábricas no Brasil foi o caminho escolhido pelas empresas para evitar o encalhe de novos modelos. Ou seja, é preciso buscar alternativas, uma vez que 2 a cada 3 carros vendidos no Brasil são adquiridos por meio de financiamentos. “Estamos falando de um poder de compra atingido pela inflação, pela falta de ajuste dos salários e um custo mais significativo dos financiamentos. Não se tira um carro novo da concessionária por menos que 25% a 30% ao ano”, declarou o professor da FGV.
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Contudo, a paralisação em montadoras brasileiras acontece desde o fim de 2021. Naquele ano, Volkswagen e Volvo, por exemplo, reduziram a capacidade de produção, na expectativa de um futuro investimento na produção nacional.
Por fim, merece atenção o fato de que o setor aguarda a Reforma Tributária prometida pelo Governo Lula (PT), que pode gerar mais investimentos no setor automobilístico. Porém, ainda não há data certa para que o projeto comece a tramitar no Congresso e Senado.
Imagem: Gorodenkoff / Shutterstock.com
