A chegada da 99Food a São Paulo promete movimentar ainda mais a disputa no mercado de delivery de comida. Após ter encerrado as operações no setor em 2023, a plataforma volta com estratégias agressivas, isenção de taxas para restaurantes e cláusulas restritivas que acendem discussões sobre concorrência.
99Food desembarca em SP com cláusulas que agitam o mercado de delivery
99Food revela isenção de taxas e cláusulas polêmicas. Saiba aqui como isso impacta restaurantes, entregadores e consumidores. Confira!!!
A previsão é de que as operações comecem em agosto, com a meta de estar presente em 100 cidades brasileiras até meados de 2026. Enquanto isso, o cenário de aplicativos de entrega no país vive uma verdadeira guerra de incentivos para conquistar restaurantes e entregadores.

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A nova fase da 99Food no Brasil
Depois de ter pausado seu serviço de entrega de comida, a 99Food retorna ao Brasil apostando em uma estratégia ambiciosa para ganhar market share. O investimento anunciado supera R$ 1 bilhão, valor que será destinado a expandir a atuação para além de Goiânia, primeira cidade onde a plataforma retomou as atividades em junho.
O plano é avançar gradualmente, começando pela maior capital do país, onde o setor de delivery é altamente competitivo. O próximo passo será o Rio de Janeiro, seguindo com expansão para outras cidades estratégicas.
Cláusulas de exclusividade: o que muda na concorrência
Um ponto que tem chamado a atenção são as cláusulas restritivas presentes nos contratos firmados com alguns restaurantes considerados estratégicos pela plataforma. Diferentemente de contratos padrão, esses acordos podem incluir restrições ao cadastro em concorrentes como Rappi ou Keeta, e até limitar o número de unidades de uma rede que podem manter vínculo de exclusividade com outros aplicativos.
Em troca, a 99Food oferece incentivos financeiros para garantir que estabelecimentos de grande relevância ajudem a atrair mais usuários para o app. Embora não seja uma prática generalizada, o modelo gera discussões sobre a forma como grandes players se posicionam diante das novas regras estabelecidas por órgãos reguladores.
Cade e regras de mercado
O tema ganha força porque, no final de 2023, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinou que o principal concorrente do setor, o iFood, não poderia mais firmar contratos de exclusividade com redes que tenham mais de 30 restaurantes. A decisão veio após denúncias de práticas anticoncorrenciais, obrigando uma reorganização na relação entre plataformas e parceiros comerciais.
Com isso, o mercado abre espaço para novos entrantes, como a 99Food, que agora precisa equilibrar cláusulas contratuais com o respeito às regras vigentes, sob pena de enfrentar investigações semelhantes.
A guerra dos aplicativos de delivery
Para entender o impacto da chegada da 99Food, é importante analisar o cenário atual do delivery de comida no Brasil. De acordo com a Abrasel, o iFood domina o setor com cerca de 80% do market share. Na sequência, aparecem o Rappi, com 9%, e outros players que não passam de 3%.
Em resposta à nova concorrência, os principais aplicativos anunciaram investimentos robustos. Somados, os aportes superam os R$ 8 bilhões, sinalizando que a disputa será intensa nos próximos anos.
Principais investimentos no setor
- Rappi: Investimento de R$ 1,4 bilhão nos próximos três anos para expandir serviços e melhorar condições para restaurantes e entregadores.
- Keeta: Novo no Brasil, já chega com previsão de aplicar R$ 5,6 bilhões para ganhar relevância rapidamente.
- 99Food: Anunciou R$ 1 bilhão para reconquistar espaço no mercado, com incentivos diretos para parceiros.
Benefícios e contrapartidas para restaurantes
Para se diferenciar, a 99Food aposta na isenção de taxas para restaurantes durante um período de dois anos. Essa medida é vista como uma forma de atrair estabelecimentos que hoje enfrentam margens apertadas devido às altas comissões cobradas por outras plataformas.
Além disso, a empresa firmou parceria com entidades do setor de bares e restaurantes para oferecer capacitação de empreendedores, realização de pesquisas e geração de dados que ajudem na tomada de decisões estratégicas.
O papel dos entregadores na disputa
Outro ponto central da guerra dos apps de entrega é a remuneração dos entregadores, que buscam melhores condições de trabalho. Para garantir adesão, a 99Food anunciou um bônus mínimo de R$ 250 para quem realizar 20 entregas, sendo ao menos cinco no segmento de alimentação.
Essa prática de oferecer garantias e bonificações é uma resposta à insatisfação crescente dos trabalhadores do setor, que reivindicam melhores taxas e condições de segurança.
O impacto para consumidores
Para quem faz pedidos, a entrada de mais um player competitivo pode significar preços mais baixos e maior variedade de opções. As promoções de frete grátis, descontos progressivos e programas de fidelidade são estratégias comuns nesse momento de disputa acirrada.
No entanto, especialistas alertam que é preciso acompanhar como as cláusulas de exclusividade podem afetar a oferta de restaurantes nos aplicativos concorrentes, influenciando na diversidade de estabelecimentos disponíveis.
Estratégia de expansão
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A meta da 99Food é estar presente em 100 cidades até 2026, o que demanda logística, parcerias locais e adaptação às diferentes realidades regionais. Para isso, a empresa reforça sua atuação com apoio de motoristas e entregadores cadastrados em outros serviços do grupo, como 99Moto.
Esse modelo permite reduzir custos iniciais de operação, além de criar uma rede já familiarizada com as demandas do setor de entregas.
Etapas de implantação
- Goiânia: cidade piloto para ajustes operacionais.
- São Paulo: próximo passo estratégico para ganhar visibilidade.
- Rio de Janeiro: previsão de início nos próximos meses.
- Interior e outras capitais: expansão gradual conforme adesão de restaurantes e entregadores.
Desafios para manter a operação
Apesar do investimento expressivo, a 99Food precisará superar desafios como fidelizar clientes e parceiros, manter margens sustentáveis com taxas reduzidas e seguir as normas do Cade para evitar práticas anticoncorrenciais.
Outro ponto de atenção é a satisfação dos entregadores, que historicamente enfrentam problemas com pagamentos e condições de trabalho em todas as plataformas do setor.
O que esperar nos próximos anos
A disputa entre iFood, Rappi, Keeta e 99Food deve elevar o nível de concorrência, com impactos positivos para restaurantes, entregadores e consumidores. No entanto, especialistas destacam a importância de um acompanhamento constante por órgãos reguladores para garantir que práticas lesivas à livre concorrência não voltem a se repetir.
Enquanto isso, o mercado se reinventa com tecnologias para melhorar a experiência do usuário, ampliar o alcance dos estabelecimentos e garantir ganhos mais justos para toda a cadeia.

Concorrência saudável e benefícios compartilhados
A volta da 99Food marca um novo capítulo na história do delivery no Brasil. Com incentivos financeiros, isenção de taxas e parcerias estratégicas, a plataforma busca conquistar seu espaço enfrentando gigantes consolidados.
Para restaurantes e consumidores, o aumento da concorrência significa mais oportunidades, variedade de ofertas e chances de negociação de condições melhores. Para entregadores, as novas regras de remuneração podem representar avanços na luta por direitos e maior reconhecimento.
Ainda é cedo para medir o impacto total, mas uma coisa é certa: a guerra do delivery está só começando, e quem souber se adaptar poderá colher os frutos dessa transformação no setor.
