Um levantamento recente revelou um dado alarmante sobre o comportamento de consumo no Brasil: 29% dos brasileiros afirmaram já ter utilizado o nome de outra pessoa para realizar compras, contrair crédito ou obter benefícios. A pesquisa, conduzida pela consultoria Boa Vista em parceria com a Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC), acendeu o alerta sobre o aumento de fraudes de identidade no país.
Fraude nas compras: 29% dos brasileiros admitem usar nome de outra pessoa para obter crédito
Pesquisa revela que 29% dos brasileiros já usaram o nome de outra pessoa para compras a crédito ou benefícios, expondo riscos e desafios.
Entenda o que caracteriza o uso indevido de nome de terceiros
O uso do nome de outra pessoa para realizar compras é considerado uma forma de fraude de identidade. Isso inclui, por exemplo:
- Fazer compras a crédito utilizando documentos de terceiros sem autorização;
- Abrir contas bancárias ou solicitar cartões de crédito em nome de outra pessoa;
- Utilizar dados de familiares, amigos ou até desconhecidos para obter benefícios financeiros;
- Realizar cadastros em programas de fidelidade ou promoções com dados alheios.
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Principais motivos para o comportamento fraudulento
Segundo a pesquisa, os principais motivos alegados pelos consumidores que praticaram esse tipo de fraude incluem:
1. Necessidade financeira
Grande parte dos entrevistados afirmou ter recorrido ao nome de terceiros por dificuldades financeiras. O acesso restrito ao crédito próprio e a urgência em realizar compras básicas foram apontados como justificativas.
2. Sensação de impunidade
Outro fator identificado é a percepção de que a chance de ser descoberto ou punido é baixa. Muitos acreditam que, por se tratar de uma “pequena transgressão”, as consequências legais são remotas.
3. Falta de consciência sobre a gravidade
Uma parcela dos consumidores demonstrou desconhecimento sobre a gravidade do ato, tratando a prática como uma “simples ajuda” ou um “favor a um amigo ou parente”.
Consequências jurídicas e financeiras
O uso indevido do nome de outra pessoa para obtenção de crédito ou realização de compras configura crime de fraude e pode gerar sérias consequências, como:
- Registro de boletim de ocorrência pela vítima;
- Inclusão do nome do infrator em cadastros de proteção ao crédito;
- Abertura de processo criminal por estelionato;
- Obrigação de indenizar a vítima por danos materiais e morais.
Especialistas alertam que, mesmo em casos de empréstimos entre familiares, o uso de nome sem autorização formalizada pode resultar em ações judiciais.
Impacto no mercado financeiro

Aumento da inadimplência
O crescimento desse tipo de fraude afeta diretamente os índices de inadimplência no Brasil. Muitos consumidores têm seus nomes negativados injustamente, o que gera um efeito cascata: além de dificultar o acesso a crédito, aumenta a desconfiança dos bancos e financeiras.
Custo para as empresas
As instituições financeiras também enfrentam prejuízos expressivos. O custo com investigações, indenizações e medidas de segurança para evitar fraudes acaba sendo repassado ao consumidor final.
Impacto na confiança do sistema de crédito
Esse comportamento contribui para o aumento da burocracia na concessão de crédito e dificulta a análise de risco, prejudicando principalmente os consumidores que agem de forma correta.
Perfil de quem comete a fraude
A pesquisa identificou alguns padrões de comportamento entre os consumidores que admitiram o uso de nome de terceiros:
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- Faixa etária predominante: entre 25 e 45 anos;
- Maioria com renda de até dois salários mínimos;
- Concentração em grandes centros urbanos;
- Baixo nível de conhecimento sobre direitos do consumidor e legislação penal.
Recomendações para consumidores e empresas
Para consumidores: como proteger seus dados
- Nunca compartilhe documentos pessoais sem necessidade;
- Evite enviar fotos de documentos por aplicativos de mensagem;
- Monitore com frequência o CPF em birôs de crédito;
- Em caso de suspeita de uso indevido, registre boletim de ocorrência imediatamente.
Para empresas: como reduzir os riscos
- Investir em tecnologias de validação de identidade;
- Realizar análises antifraude antes de liberar crédito;
- Promover campanhas de conscientização sobre segurança de dados;
- Estabelecer processos rigorosos de cadastro de clientes.
Alternativas legais para obter crédito
Para pessoas que enfrentam dificuldades financeiras, existem formas legítimas de buscar crédito, como:
- Solicitar microcrédito em instituições reconhecidas;
- Optar por empréstimos com garantia;
- Negociar dívidas anteriores para melhorar o score de crédito;
- Participar de programas de educação financeira.
O papel da educação financeira
Especialistas apontam que o baixo nível de educação financeira contribui para a banalização de práticas fraudulentas. A inclusão de conteúdos sobre finanças pessoais nas escolas e campanhas públicas de conscientização são medidas essenciais para reduzir esse comportamento.
Conclusão
O alto índice de brasileiros que admitiram usar o nome de outra pessoa para realizar compras ou obter crédito acende um alerta para consumidores, empresas e autoridades. A prática, além de ser crime, causa danos irreparáveis para as vítimas e fragiliza o sistema de crédito do país. Investir em educação financeira, adotar medidas de segurança e reforçar a fiscalização são passos urgentes para combater esse problema crescente.
