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Fraude nas compras: 29% dos brasileiros admitem usar nome de outra pessoa para obter crédito

Pesquisa revela que 29% dos brasileiros já usaram o nome de outra pessoa para compras a crédito ou benefícios, expondo riscos e desafios.

Julia FernandesPor Julia Fernandes4 min de leitura
Compras

Um levantamento recente revelou um dado alarmante sobre o comportamento de consumo no Brasil: 29% dos brasileiros afirmaram já ter utilizado o nome de outra pessoa para realizar compras, contrair crédito ou obter benefícios. A pesquisa, conduzida pela consultoria Boa Vista em parceria com a Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC), acendeu o alerta sobre o aumento de fraudes de identidade no país.

Entenda o que caracteriza o uso indevido de nome de terceiros

O uso do nome de outra pessoa para realizar compras é considerado uma forma de fraude de identidade. Isso inclui, por exemplo:

  • Fazer compras a crédito utilizando documentos de terceiros sem autorização;
  • Abrir contas bancárias ou solicitar cartões de crédito em nome de outra pessoa;
  • Utilizar dados de familiares, amigos ou até desconhecidos para obter benefícios financeiros;
  • Realizar cadastros em programas de fidelidade ou promoções com dados alheios.

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Principais motivos para o comportamento fraudulento

Segundo a pesquisa, os principais motivos alegados pelos consumidores que praticaram esse tipo de fraude incluem:

1. Necessidade financeira

Grande parte dos entrevistados afirmou ter recorrido ao nome de terceiros por dificuldades financeiras. O acesso restrito ao crédito próprio e a urgência em realizar compras básicas foram apontados como justificativas.

2. Sensação de impunidade

Outro fator identificado é a percepção de que a chance de ser descoberto ou punido é baixa. Muitos acreditam que, por se tratar de uma “pequena transgressão”, as consequências legais são remotas.

3. Falta de consciência sobre a gravidade

Uma parcela dos consumidores demonstrou desconhecimento sobre a gravidade do ato, tratando a prática como uma “simples ajuda” ou um “favor a um amigo ou parente”.

Consequências jurídicas e financeiras

O uso indevido do nome de outra pessoa para obtenção de crédito ou realização de compras configura crime de fraude e pode gerar sérias consequências, como:

  • Registro de boletim de ocorrência pela vítima;
  • Inclusão do nome do infrator em cadastros de proteção ao crédito;
  • Abertura de processo criminal por estelionato;
  • Obrigação de indenizar a vítima por danos materiais e morais.

Especialistas alertam que, mesmo em casos de empréstimos entre familiares, o uso de nome sem autorização formalizada pode resultar em ações judiciais.

Impacto no mercado financeiro

Compras
Imagem: William Potter / Shutterstock.com

Aumento da inadimplência

O crescimento desse tipo de fraude afeta diretamente os índices de inadimplência no Brasil. Muitos consumidores têm seus nomes negativados injustamente, o que gera um efeito cascata: além de dificultar o acesso a crédito, aumenta a desconfiança dos bancos e financeiras.

Custo para as empresas

As instituições financeiras também enfrentam prejuízos expressivos. O custo com investigações, indenizações e medidas de segurança para evitar fraudes acaba sendo repassado ao consumidor final.

Impacto na confiança do sistema de crédito

Esse comportamento contribui para o aumento da burocracia na concessão de crédito e dificulta a análise de risco, prejudicando principalmente os consumidores que agem de forma correta.

Perfil de quem comete a fraude

A pesquisa identificou alguns padrões de comportamento entre os consumidores que admitiram o uso de nome de terceiros:

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  • Faixa etária predominante: entre 25 e 45 anos;
  • Maioria com renda de até dois salários mínimos;
  • Concentração em grandes centros urbanos;
  • Baixo nível de conhecimento sobre direitos do consumidor e legislação penal.

Recomendações para consumidores e empresas

Para consumidores: como proteger seus dados

  • Nunca compartilhe documentos pessoais sem necessidade;
  • Evite enviar fotos de documentos por aplicativos de mensagem;
  • Monitore com frequência o CPF em birôs de crédito;
  • Em caso de suspeita de uso indevido, registre boletim de ocorrência imediatamente.

Para empresas: como reduzir os riscos

  • Investir em tecnologias de validação de identidade;
  • Realizar análises antifraude antes de liberar crédito;
  • Promover campanhas de conscientização sobre segurança de dados;
  • Estabelecer processos rigorosos de cadastro de clientes.

Alternativas legais para obter crédito

Para pessoas que enfrentam dificuldades financeiras, existem formas legítimas de buscar crédito, como:

  • Solicitar microcrédito em instituições reconhecidas;
  • Optar por empréstimos com garantia;
  • Negociar dívidas anteriores para melhorar o score de crédito;
  • Participar de programas de educação financeira.

O papel da educação financeira

Especialistas apontam que o baixo nível de educação financeira contribui para a banalização de práticas fraudulentas. A inclusão de conteúdos sobre finanças pessoais nas escolas e campanhas públicas de conscientização são medidas essenciais para reduzir esse comportamento.

Conclusão

O alto índice de brasileiros que admitiram usar o nome de outra pessoa para realizar compras ou obter crédito acende um alerta para consumidores, empresas e autoridades. A prática, além de ser crime, causa danos irreparáveis para as vítimas e fragiliza o sistema de crédito do país. Investir em educação financeira, adotar medidas de segurança e reforçar a fiscalização são passos urgentes para combater esse problema crescente.

Julia Fernandes

Autor

Julia Fernandes

Júlia Fernandes é redatora do portal Seu Crédito Digital, onde compartilha conteúdos atualizados sobre economia, finanças pessoais, benefícios sociais, oportunidades para o cidadão e as principais notícias que impactam o dia a dia dos brasileiros. Gaúcha, comunicadora nata e apaixonada por escrever com empatia, Júlia combina informação com sensibilidade e leveza, sempre buscando ajudar o leitor a tomar decisões mais conscientes e informadas.

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