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Compras internacionais e investimentos ficam mais caros com novo IOF

Aumento do IOF torna operações internacionais mais caras; Congresso pressiona por mudanças.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
IOF

O novo decreto que eleva o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) já impacta diretamente brasileiros que realizam compras internacionais ou fazem investimentos no exterior. A medida, assinada pelo governo federal e ainda em vigor, é parte do esforço para equilibrar as contas públicas em 2025, mas já enfrenta forte resistência do Congresso Nacional e do setor empresarial.

O aumento do IOF gerou debates intensos no cenário político e econômico. Embora o governo tenha recuado em dois pontos estratégicos do decreto, o restante das mudanças foi mantido, encarecendo transações financeiras com foco no mercado externo e elevando o custo de crédito para empresas. Com a pressão legislativa crescente, novos recuos ainda podem ocorrer nos próximos dias.

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Aumento do IOF: entenda a decisão do governo

IOF
Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com

O anúncio da elevação das alíquotas do IOF foi feito pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, no dia 22 de maio. Segundo o governo, a medida visa ampliar a arrecadação em R$ 20,5 bilhões no próximo ano, reforçando o compromisso com as metas fiscais.

De acordo com o decreto, as mudanças atingem principalmente operações internacionais, como uso de cartões no exterior, compra de moeda estrangeira, empréstimos externos e envio de capital para fora do país. Também há impacto significativo no crédito empresarial, inclusive para empresas enquadradas no Simples Nacional.

Dois pontos revogados após pressão inicial

Logo após o anúncio, a reação negativa de setores do Congresso e do mercado financeiro fez o governo voltar atrás em dois pontos do decreto. As revogações foram imediatas, no mesmo dia da publicação oficial:

  • Remessas de fundos de investimento para o exterior: mantida a alíquota zero.
  • Envio de recursos por pessoas físicas para investimentos fora do Brasil: a alíquota permanece em 1,1%.

Esses trechos haviam sido incluídos na redação original, mas foram excluídos poucas horas depois diante da forte repercussão contrária. A decisão visou evitar conflitos com investidores e manter acordos de cooperação econômica internacionais.

O que continua valendo com o novo IOF

Apesar dos ajustes, o restante do decreto segue em vigor e já altera diversas operações financeiras. Veja as principais mudanças:

  • Crédito empresarial: a alíquota anual máxima subiu de 1,88% para 3,95%.
  • Crédito para empresas do Simples Nacional (até R$ 30 mil): passou de 0,88% para 1,95%.
  • Cartões internacionais (crédito, débito e pré-pagos): foi adotada uma alíquota única de 3,5%.
  • Compra de moeda estrangeira e remessa para contas pessoais no exterior: de 1,1% para 3,5%.
  • Empréstimos externos de curto prazo (até 364 dias): agora tributados em 3,5%.
  • Saída de capital em operações genéricas: também passa a ter alíquota de 3,5%.
  • Operação de risco sacado: agora é considerada formalmente como operação de crédito e passa a ser tributada com base nas novas alíquotas.

Entenda a controvérsia em torno da “operação de risco sacado”

Uma das medidas mais controversas do decreto é a nova tributação sobre a operação de risco sacado, mecanismo amplamente utilizado por empresas para antecipar pagamentos a fornecedores com apoio de instituições financeiras.

O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), fez um apelo direto ao governo para suspender a medida antes mesmo do seu início oficial, previsto para o domingo seguinte ao decreto. Ele argumenta que a nova tributação “pode resultar em repasse de custos ao consumidor final”, prejudicando o consumo interno e a atividade econômica.

Se o governo não recuar novamente, esta será a primeira vez que esse tipo de operação será formalmente reconhecido e tributado como operação de crédito.

Congresso ameaça derrubar todo o decreto

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Diante da permanência das demais alterações, o Congresso intensificou a pressão por uma revogação mais ampla do decreto. Atualmente, mais de 20 Projetos de Decreto Legislativo (PDLs) estão prontos para votação, com apoio de partidos como União Brasil, Republicanos, PDT e grande parte do PSD.

Caso o governo não apresente uma nova proposta de revisão até o fim da próxima semana, a Câmara pode pautar a votação para derrubar o decreto na íntegra. O movimento reflete o desconforto do Legislativo com o aumento da carga tributária e a falta de diálogo prévio sobre a medida.

Setores reagem: mercado e empresários cobram alternativas

IOF em cada cartao
Imagem: kitzcorner / Shutterstock.com

A alta repentina do IOF provocou reações firmes de setores empresariais e de analistas do mercado financeiro. Representantes da indústria e do comércio argumentam que medidas desse tipo comprometem a previsibilidade dos negócios e desincentivam investimentos estrangeiros.

Além disso, especialistas alertam que a medida pode ferir acordos internacionais, como os firmados no âmbito da OCDE, especialmente no que diz respeito à liberdade de movimentação de capitais.

O que pode acontecer nos próximos dias?

A instabilidade provocada pela nova política de IOF torna incerto o cenário para as próximas semanas. Enquanto o governo insiste na manutenção das alíquotas, o Congresso articula novos mecanismos para suspender ou modificar a medida.

Caso não haja acordo político, a judicialização também não está descartada. Alguns setores avaliam que o aumento da carga tributária pode ser contestado com base em princípios constitucionais como legalidade e anterioridade.

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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