O Abono Salarial PIS/Pasep passará por uma mudança estrutural a partir de 2026, alterando diretamente quem terá direito ao benefício. A principal novidade está no critério de renda, que deixará de ser atrelado ao salário mínimo e passará a ser corrigido exclusivamente pela variação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). A medida integra o pacote fiscal aprovado em 2024 e tem como objetivo conter o crescimento das despesas obrigatórias da União.
Quem pode receber o abono PIS/Pasep em 2026? Entenda as novas regras agora
A partir de 2026, o abono salarial PIS/Pasep terá novo critério de renda corrigido pelo INPC, reduzindo gradualmente quem tem direito.
Atualmente, o direito ao abono salarial é concedido aos trabalhadores que receberam, em média, até dois salários mínimos mensais no ano-base. No calendário de pagamentos de 2025, por exemplo, tiveram acesso ao benefício aqueles que ganharam até R$ 2.604 por mês em 2023, valor correspondente a dois salários mínimos da época, quando o piso nacional era de R$ 1.320.
Com a nova regra, essa lógica muda de forma significativa e deve provocar uma redução gradual no número de beneficiários do PIS/Pasep nos próximos anos.
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Abono salarial 2026: PIS/Pasep passará por mudança importante
Como funciona a regra atual do PIS/Pasep
Antes de entender as mudanças, é importante compreender como o Abono Salarial funciona hoje e quem está incluído no modelo vigente.
Critério de renda vinculado ao salário mínimo
Atualmente, o critério central para ter direito ao abono salarial é a renda média mensal no ano-base. O trabalhador precisa ter recebido até dois salários mínimos, considerando o valor do piso nacional vigente naquele período. Esse mecanismo faz com que o limite de acesso ao benefício acompanhe automaticamente os reajustes do salário mínimo.
Ano-base e calendário de pagamento
O PIS/Pasep é pago com base em informações de dois anos anteriores. Em 2025, por exemplo, o pagamento considerou os rendimentos de 2023. O calendário é definido anualmente pelo governo federal, e os valores são pagos conforme o mês de nascimento do trabalhador ou o número final da inscrição, dependendo do caso.
O que muda no Abono Salarial a partir de 2026
A partir de 2026, o critério de renda deixará de acompanhar o salário mínimo. Em vez disso, o teto de remuneração para ter direito ao benefício será corrigido apenas pelo INPC do respectivo ano-base.
Fim da vinculação ao salário mínimo
Com a nova regra, mesmo que o salário mínimo tenha aumento real — ou seja, acima da inflação —, o limite de renda para receber o PIS/Pasep não acompanhará esse crescimento. O teto será reajustado somente pela inflação medida pelo INPC, índice que reflete o custo de vida de famílias com renda de um a cinco salários mínimos.
Impacto direto no número de beneficiários
Segundo especialistas, essa mudança fará com que, ao longo dos anos, menos trabalhadores se enquadrem nos critérios de renda. A advogada Mayra Saitta, especializada em Direito Empresarial e Contabilidade, estima que a economia gerada pela nova regra fique entre 30% e 40% já no primeiro ano, podendo chegar a 50% em até dois anos.
Ela explica que o salário mínimo continuará sendo reajustado pelo INPC somado ao crescimento do PIB, limitado a 2,5%. Enquanto isso, o teto do abono salarial ficará restrito apenas à inflação, criando um distanciamento progressivo entre o piso nacional e o limite de renda do PIS/Pasep.
Especialistas alertam para redução gradual do alcance
A mudança no critério de renda tem sido acompanhada com atenção por especialistas em direito trabalhista e previdenciário, que alertam para o impacto social da medida.
Teto pode cair para cerca de um salário mínimo e meio
De acordo com a advogada trabalhista Márcia Cleide Ribeiro, a tendência é que, em alguns anos, o limite de renda para ter direito ao abono salarial fique em torno de um salário mínimo e meio. Isso ocorre porque o salário mínimo terá reajustes mais robustos, enquanto o teto do PIS/Pasep ficará limitado à correção inflacionária.
Segundo ela, menos trabalhadores preencherão o requisito de renda, mesmo mantendo vínculos formais e atendendo às demais exigências legais. A especialista reforça que o abono salarial deixará de acompanhar a evolução real dos salários, tornando-se cada vez mais restritivo.
Dados mostram importância do benefício atualmente
Os números do calendário de pagamento de 2025 evidenciam a relevância do Abono Salarial para milhões de brasileiros.
Mais de 26 milhões de trabalhadores beneficiados
No calendário vigente, foram identificados 26.470.177 trabalhadores com direito ao PIS/Pasep. Até o momento, 26.317.733 pessoas já receberam o benefício, o que representa uma taxa de cobertura de 99,42%.
Valor total pago ultrapassa R$ 30 bilhões
O montante desembolsado chega a R$ 30,6 bilhões, demonstrando o peso do abono salarial nas contas públicas e sua importância como complemento de renda para trabalhadores de baixa remuneração.
Diferença entre PIS e Pasep
Embora sejam frequentemente mencionados juntos, PIS e Pasep atendem públicos diferentes.
PIS atende trabalhadores da iniciativa privada
O PIS (Programa de Integração Social) é pago aos trabalhadores do setor privado e tem os repasses realizados pela Caixa Econômica Federal.
Pasep é voltado aos servidores públicos
Já o Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público) atende servidores públicos e empregados de estatais, com pagamentos feitos pelo Banco do Brasil.
As regras de elegibilidade e os valores são os mesmos para ambos os programas.
Valor do Abono Salarial em 2026
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O valor do Abono Salarial continua sendo proporcional ao tempo trabalhado no ano-base e pode chegar a até um salário mínimo vigente no ano do pagamento. Quem trabalhou durante os 12 meses recebe o valor integral, enquanto períodos menores garantem pagamento proporcional.
O calendário oficial de pagamentos do PIS/Pasep referente a 2026 será divulgado pelo governo federal em dezembro, seguindo o padrão dos anos anteriores.
Quem tem direito ao PIS/Pasep
Mesmo com a mudança no critério de renda, os demais requisitos para receber o abono salarial permanecem os mesmos.
Requisitos obrigatórios
Para ter direito ao benefício, o trabalhador precisa:
Cadastro mínimo no programa
Estar cadastrado no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos, contados a partir do primeiro vínculo formal.
Tempo mínimo de trabalho
Ter exercido atividade remunerada por, no mínimo, 30 dias, consecutivos ou não, no ano-base considerado.
Informações corretas no eSocial
Ter os dados corretamente informados pelo empregador no eSocial, sem divergências cadastrais.
Como consultar o direito ao benefício
A consulta pode ser feita de forma simples e digital. O trabalhador pode verificar se tem direito ao PIS/Pasep por meio da Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital) ou pelo portal Gov.br, utilizando CPF e senha.
Mudança reforça foco em trabalhadores de menor renda
Ao desvincular o teto de renda do salário mínimo, o governo busca concentrar o pagamento do Abono Salarial nos trabalhadores de renda mais baixa, reduzindo o impacto fiscal do programa. A medida, no entanto, gera debates sobre o alcance social do benefício e seu papel como instrumento de distribuição de renda.
Com as novas regras, especialistas recomendam que os trabalhadores acompanhem atentamente os critérios de elegibilidade e mantenham seus dados atualizados, evitando surpresas nos próximos calendários de pagamento.
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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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