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Ações da JBS caem 2% em estreia na Bolsa de Nova York

A estreia da JBS na Bolsa de Nova York é marcada por queda nas ações e polêmicas envolvendo política, governança e influência dos irmãos Batista.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
JBS

As ações da JBS registraram queda de 2,07% nesta sexta-feira (13) no primeiro dia de negociação na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), cotadas a US$ 13,70 às 10h42. O desempenho negativo acontece após a saída da empresa da B3 na última semana (6), dentro do processo de dupla listagem.

A movimentação marca o início de uma nova fase para o maior frigorífico do mundo, que visa ampliar sua visibilidade no mercado internacional e atrair uma base mais ampla de investidores.

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Processo de dupla listagem foi aprovado em maio

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Imagem: rafapress / shutterstock.com

Em 23 de maio, os acionistas da JBS aprovaram a proposta de listagem dupla, uma estratégia que vinha sendo buscada pela família Batista, fundadora da companhia, há mais de uma década. Apesar da aprovação já ser esperada pelo mercado, o movimento foi cercado de críticas e obstáculos ao longo dos anos.

Obstáculos enfrentados pela JBS até a listagem nos EUA

Escândalos e resistência política e institucional

Desde 2009, a JBS tenta ingressar na bolsa norte-americana. Entretanto, escândalos como o da Lava Jato e a resistência do BNDES, maior acionista fora da família Batista, travaram os planos. Em 2016, o banco estatal se opôs à iniciativa. Somente em março deste ano o BNDES se absteve de votar, destravando o processo.

Além disso, políticos e organizações ambientalistas demonstraram oposição à mudança, apontando riscos relacionados à governança, à concentração de mercado e a danos ambientais.

Estratégia de globalização e fortalecimento da governança

Alinhamento com a atuação internacional

A JBS possui mais de 250 unidades operacionais em 17 países, atendendo mais de 300 mil clientes em todo o mundo. Para a empresa, a listagem em Nova York é um passo natural dentro da estratégia de internacionalização.

A nova estrutura permitirá maior flexibilidade na execução da estratégia de crescimento global da empresa, de acordo com comunicado divulgado ao mercado.

Visibilidade e comparação com concorrentes

Segundo o Itaú BBA, a listagem nos EUA permitirá que a JBS seja comparada mais diretamente com concorrentes globais, como a Tyson Foods, aumentando sua exposição a investidores internacionais. A mudança também abre espaço para emissões de ações, o que pode baratear o custo de capital da companhia.

Governança sob escrutínio internacional

Outro aspecto relevante é a governança corporativa. Com a entrada na NYSE, a JBS passa a ser regulada pela Securities and Exchange Commission (SEC), o que impõe padrões mais rígidos de transparência e prestação de contas.

A Genial Investimentos avaliou a mudança positivamente, recomendando a compra das ações e destacando o potencial de valorização com a nova visibilidade da empresa.

Irmãos Batista reassumem protagonismo na JBS

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imagem: LucasMT.com / shutterstock.com

Retorno ao comando após escândalos

A operação marca também a surpreendente volta de Joesley e Wesley Batista ao centro do poder na JBS. Menos de uma década após serem presos durante a operação Lava Jato, os irmãos voltaram ao conselho da empresa e recuperaram influência na elite política brasileira.

Proximidade com o governo Lula

Recentemente, Wesley Batista apareceu em eventos públicos ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros líderes do setor econômico. Segundo registros oficiais, os irmãos já participaram de pelo menos cinco eventos públicos com Lula desde o ano passado e realizaram diversas reuniões privadas com o governo.

“Eles estão de volta porque estão investindo”

Fontes próximas ao governo indicam que o retorno dos irmãos se deve à capacidade de investimento e ao papel central da JBS na economia brasileira. Durante um evento em São Paulo, Wesley Batista chegou a rebater críticas ao governo, afirmando:
“Temos que olhar as coisas que não estão indo mal também, porque está todo mundo aqui fazendo planos para investir, todo mundo está crescendo”.

Influência política e polêmica internacional

Doação à campanha de Trump-Vance gera questionamentos

Uma doação de US$ 5 milhões feita pela Pilgrim’s Pride, subsidiária da JBS, ao Comitê Inaugural da chapa Trump-Vance nos EUA, acendeu alertas sobre a influência política da empresa.

A senadora norte-americana Elizabeth Warren levantou suspeitas de um possível “quid pro quo” na aprovação da listagem pela SEC. A JBS respondeu alegando que a Pilgrim’s Pride participa “historicamente de maneira bipartidária no processo cívico norte-americano”.

Escândalo da Lava Jato e reabilitação jurídica

Do suborno ao retorno

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No auge da crise da Lava Jato, os irmãos Batista admitiram ter subornado mais de 1.800 políticos. Em 2017, Joesley Batista entregou uma gravação em que o então presidente Michel Temer supostamente discutia esquemas de propina. Após o episódio, os irmãos foram presos por uso de informações privilegiadas, mas acabaram absolvidos.

Em 2023, o Supremo Tribunal Federal suspendeu a multa de R$ 10 bilhões aplicada à holding J&F por entender que houve atuação tendenciosa do Ministério Público na época.

Reabilitação política e empresarial

A decisão judicial favoreceu o processo de reabilitação dos Batista, que voltaram a ocupar posições de liderança e a ampliar os negócios da J&F nos setores bancário, logístico, energético e financeiro.

A própria JBS, enquanto subsidiária do grupo, voltou a ganhar protagonismo internacional, rivalizando com gigantes da indústria de alimentos como a Tyson Foods nos EUA.

Expectativas do mercado para o futuro da JBS

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Imagem: Freepik

Desempenho das ações e projeções

Apesar da queda inicial na NYSE, analistas acreditam que a listagem pode ser positiva a médio e longo prazo. A expectativa é que, com maior visibilidade e acesso a novos mercados de capitais, a JBS possa crescer de forma mais sustentável.

A Genial Investimentos aponta que a nova estrutura societária é mais atrativa para investidores internacionais e deve impulsionar a valorização das ações nos próximos trimestres.

Desafios de imagem e sustentabilidade

Apesar dos avanços, a JBS ainda enfrenta desafios relacionados à sua reputação. Escândalos anteriores, doações políticas controversas e críticas ambientais continuam pesando na avaliação pública da empresa.

A listagem nos EUA também implica maior exposição a regulações ambientais, trabalhistas e financeiras mais rígidas, o que pode impactar seus custos operacionais e exigir adaptações rápidas.

Conclusão: um novo capítulo para a JBS

A estreia da JBS na Bolsa de Nova York simboliza um novo capítulo na trajetória da companhia. Mais do que uma movimentação estratégica de mercado, a listagem representa a tentativa de reescrever a história de uma das empresas mais controversas e influentes do Brasil.

O retorno dos irmãos Batista ao centro do poder e a nova governança sob supervisão da SEC apontam para uma era de maior profissionalismo e exposição global. No entanto, o passado da companhia — ainda recente e repleto de controvérsias — exige que esse novo ciclo seja conduzido com cautela, transparência e responsabilidade.

A dúvida que permanece entre investidores e sociedade civil é: a JBS realmente virou a página ou apenas reestruturou sua imagem para o palco internacional?

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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