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Governo pede ao STF suspensão de ações contra União por fraude no INSS

AGU pede ao STF suspensão de ações contra União por fraude no INSS e alerta sobre riscos à sustentabilidade da Previdência e insegurança.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
INSS

A Advocacia-Geral da União (AGU) entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a suspensão imediata de todos os processos judiciais em curso no país.

Isso é para aqueles que tratam da responsabilização da União e do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por descontos fraudulentos aplicados em benefícios previdenciários.

O governo federal justifica o pedido com base na necessidade de evitar a insegurança jurídica, reduzir a sobrecarga do Judiciário e garantir a sustentabilidade da Previdência Social, ameaçada pelo aumento exponencial de ações com decisões conflitantes.

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Imagem: Freepik e Canva

Como os descontos indevidos ocorreram

Entre 2020 e 2025, milhões de segurados do INSS foram vítimas de descontos indevidos relacionados a supostas associações e sindicatos.

Em muitos casos, os beneficiários nem sequer autorizaram a adesão a essas entidades, que passaram a cobrar mensalidades diretamente do valor recebido por aposentados e pensionistas.

As fraudes foram reveladas por meio de auditorias internas do governo e denúncias apresentadas ao Ministério da Previdência, dando origem a investigações da Polícia Federal, do Ministério Público Federal (MPF) e do Tribunal de Contas da União (TCU).

Quantos foram afetados

Segundo estimativas apresentadas pela AGU, cerca de 9 milhões de beneficiários foram impactados por esses descontos entre março de 2020 e março de 2025. O volume de ressarcimentos esperados é bilionário, e a previsão orçamentária da União não contempla essa despesa de forma direta.

Pedido ao STF: o que a AGU quer

Suspensão de processos e decisões

O governo pede ao STF uma liminar (decisão provisória) que suspenda imediatamente todas as ações judiciais em tramitação que cobram responsabilidade direta da União e do INSS pelos descontos indevidos.

O objetivo é evitar que milhões de processos avancem em direções distintas, o que pode gerar resultados contraditórios e instabilidade jurídica.

Além disso, a AGU quer que o STF anule as decisões judiciais que já reconheceram a responsabilidade do Estado e determinaram ressarcimento — inclusive em dobro — aos segurados afetados.

Declaração de inconstitucionalidade

No mérito da ação, o pedido é para que o STF declare inconstitucionais todas as decisões judiciais que contrariem o entendimento do governo de que o Estado não pode ser automaticamente responsabilizado por fraudes de terceiros, como as cometidas por entidades associativas.

Justificativas do governo federal

Risco à sustentabilidade da Previdência

A AGU argumenta que a judicialização em massa, somada à aplicação de sanções como a devolução em dobro dos valores descontados, representa um risco severo à sustentabilidade da Previdência Social.

De acordo com o órgão, a multiplicidade de ações e os diferentes entendimentos adotados pelos tribunais podem afetar diretamente a capacidade administrativa do INSS, impedindo que ele processe de forma eficaz os pedidos de ressarcimento que estão surgindo em escala nacional.

Insegurança jurídica

Outro ponto central da ação é a preocupação com a falta de uniformidade nas decisões judiciais.

Enquanto alguns tribunais reconhecem a responsabilidade da União, outros isentam o governo e atribuem a culpa exclusivamente às entidades fraudulentas. Essa insegurança jurídica, diz a AGU, ameaça o princípio da isonomia e dificulta o planejamento orçamentário da administração pública.

“Há decisões judiciais que impõem à União e ao INSS obrigações desproporcionais e que ferem a legalidade, ao aplicar analogias indevidas com o Código de Defesa do Consumidor”, sustenta a petição da AGU.

Como o STF pode agir

Liminar e mérito

Caso o STF aceite o pedido da AGU, milhões de processos serão imediatamente suspensos em todo o país.

Isso dará tempo ao governo para organizar mecanismos administrativos de devolução dos valores, além de propor alterações legislativas que regulamentem de forma mais clara a responsabilização em casos semelhantes.

A análise final (mérito) do pedido de inconstitucionalidade das decisões judiciais ainda levará semanas ou meses, mas a liminar pode ser concedida de forma imediata, caso o relator do processo, que ainda será definido, veja urgência e risco à ordem pública ou à economia nacional.

O impacto para os aposentados e pensionistas

O que muda para quem foi lesado

Para os segurados do INSS que foram vítimas das fraudes, a principal consequência imediata será a suspensão de ações judiciais que estão em andamento.

Isso não significa que perderão o direito ao ressarcimento, mas sim que deverão aguardar uma solução administrativa ou uma decisão definitiva do STF.

Novo canal para devolução administrativa?

Embora o governo ainda não tenha anunciado um canal oficial, fontes da AGU indicam que está em estudo a criação de um sistema eletrônico de restituição, a ser operado pelo próprio INSS.

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Essa medida pretende evitar que os beneficiários precisem contratar advogados ou aguardar anos de tramitação judicial para receber o dinheiro de volta.

Direitos seguem preservados

O pedido da AGU também inclui uma solicitação ao STF para que a prescrição (prazo para perda do direito) seja suspensa, garantindo que todos os segurados possam reaver os valores no futuro, mesmo sem ingressar com ação judicial agora.

O que dizem especialistas

Juristas veem precedente relevante

Especialistas em direito constitucional e previdenciário avaliam que a ação da AGU pode criar um precedente de gestão judicial e administrativa de fraudes em larga escala, como já ocorreu em casos relacionados a planos econômicos.

Segundo o jurista Pedro Gonçalves, professor da USP, “o STF tem a oportunidade de evitar um colapso no Judiciário, mas ao mesmo tempo precisa assegurar que os direitos dos aposentados sejam preservados e os culpados, punidos”.

Debate sobre responsabilidade objetiva

Há também discussão sobre a responsabilidade objetiva do Estado por atos de terceiros.

A Constituição prevê que a União pode ser responsabilizada por danos causados por seus agentes, mas a AGU argumenta que as entidades envolvidas nas fraudes não são órgãos públicos, e sim organizações privadas que agiram à revelia do controle estatal.

Próximos passos

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Imagem: Freepik e Canva

Distribuição da ação

A ação da AGU será distribuída nos próximos dias no STF, e um ministro relator será designado. Existe a possibilidade de que o processo seja atribuído por prevenção ao ministro Dias Toffoli, que já analisa outra ADPF sobre o mesmo tema (ADPF 1.234), o que pode acelerar a tramitação.

Pressão política

O tema também deve gerar debates no Congresso Nacional, especialmente com a instalação da CPI do INSS, que tem investigado fraudes e descontrole nos sistemas de descontos automáticos aplicados em benefícios previdenciários.

Conclusão: um novo modelo de resposta a fraudes em massa?

A ação proposta pela AGU representa uma tentativa de encontrar uma resposta coletiva, rápida e organizada para um problema sistêmico que afeta milhões de brasileiros.

O objetivo é evitar a judicialização em massa, preservar os cofres públicos e garantir justiça às vítimas sem comprometer o funcionamento da Previdência.

Caso o STF acate o pedido do governo, será necessário estabelecer canais claros, eficientes e transparentes para a devolução dos valores aos segurados prejudicados. A sociedade aguarda, agora, se o Judiciário será capaz de conciliar segurança jurídica, responsabilidade fiscal e proteção ao cidadão.

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Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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