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Nubank anuncia novo CFO e mercado reage com forte queda nas ações

Mudança no comando financeiro do Nubank derruba ações e aumenta preocupações sobre crédito, expansão internacional e estratégia.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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O mercado financeiro reagiu com forte cautela à mudança na liderança financeira do Nubank. A fintech anunciou que Guilherme Lago deixará o cargo de diretor financeiro global (CFO), posição que ocupava há cinco anos, sendo substituído por Rob Livingston, executivo com longa trajetória internacional e passagem recente pela Visa.

A notícia provocou uma forte venda das ações da companhia negociadas na Bolsa de Nova York. Os papéis chegaram a registrar queda superior a 10% durante o pregão, atingindo o menor nível intradiário desde abril do ano passado.

Embora a experiência do novo executivo tenha sido reconhecida por analistas e instituições financeiras, a saída inesperada de um dos principais responsáveis pela estratégia financeira do Nubank gerou dúvidas em um momento considerado sensível para a empresa.

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O que motivou a reação negativa do mercado

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Em condições normais, mudanças na alta administração de grandes empresas não necessariamente provocam quedas expressivas nas ações. No caso do Nubank, porém, o contexto ajudou a amplificar as preocupações dos investidores.

Guilherme Lago tornou-se uma figura central na comunicação da fintech com o mercado financeiro. Durante sua gestão, a empresa consolidou sua expansão na América Latina, avançou na rentabilidade e fortaleceu sua presença entre investidores institucionais.

Sua saída ocorre justamente quando parte do mercado acompanha com atenção alguns desafios enfrentados pela companhia.

Entre os principais pontos observados pelos investidores estão:

  • Qualidade da carteira de crédito;
  • Crescimento da inadimplência em determinados segmentos;
  • Expansão internacional;
  • Sustentação das margens financeiras;
  • Evolução dos lucros nos próximos trimestres.

A combinação desses fatores contribuiu para aumentar a percepção de risco no curto prazo.

Quem é o novo CFO do Nubank

O sucessor de Guilherme Lago será Rob Livingston, que assume oficialmente a função em julho.

O executivo construiu uma carreira de destaque no setor financeiro internacional. Antes de aceitar o convite do Nubank, atuava como CFO da operação norte-americana da Visa.

Além disso, acumulou quase duas décadas de experiência na Capital One, uma das maiores instituições financeiras dos Estados Unidos.

Por que a contratação chama atenção

A escolha de Livingston é vista por parte do mercado como um movimento alinhado aos planos globais da fintech.

Sua experiência inclui atuação em diferentes mercados internacionais, incluindo:

  • Estados Unidos;
  • Canadá;
  • Europa;
  • Ásia.

Essa bagagem pode ser importante para uma empresa que já consolidou presença no Brasil, México e Colômbia e continua demonstrando interesse em ampliar sua atuação internacional no longo prazo.

BTG vê aumento de incertezas no curto prazo

Analistas do BTG Pactual classificaram a mudança como uma surpresa para os investidores.

Segundo o banco, o volume de questionamentos recebidos após o anúncio demonstrou que o mercado não esperava uma alteração na liderança financeira da companhia neste momento.

Embora o BTG reconheça as credenciais de Livingston, a instituição avalia que a troca adiciona uma nova camada de incerteza a uma tese de investimento que já vinha enfrentando questionamentos.

Crédito continua sendo foco dos investidores

Um dos pontos destacados pelos analistas é a necessidade de o Nubank demonstrar evolução consistente na qualidade de seus ativos.

Para parte do mercado, a companhia ainda precisa apresentar alguns trimestres adicionais de melhora nos indicadores de crédito para recuperar plenamente a confiança dos investidores mais cautelosos.

Apesar das preocupações, o BTG manteve recomendação de compra para as ações da fintech.

Bank of America reduz recomendação

A reação mais dura veio do Bank of America.

Os analistas liderados por Mario Pierry rebaixaram a recomendação dos papéis para desempenho abaixo da média do mercado (“underperform”) e reduziram significativamente o preço-alvo da ação.

Segundo o banco, a preocupação não está relacionada à capacidade técnica do novo CFO, mas ao momento em que a mudança acontece.

Série de mudanças na liderança preocupa

Os analistas destacaram que a troca ocorre após diversas alterações na alta administração da fintech nos últimos dois anos.

Esse movimento aumentaria as dúvidas sobre:

  • Continuidade estratégica;
  • Capacidade de execução;
  • Visibilidade de resultados futuros;
  • Sustentação do crescimento.

Além disso, o relatório menciona preocupações relacionadas à deterioração da qualidade dos ativos e à pressão sobre as margens financeiras ajustadas ao risco.

Safra avalia saída como negativa no curto prazo

O Banco Safra também demonstrou cautela ao analisar a sucessão.

Para os analistas da instituição, Guilherme Lago se tornou uma das principais referências da companhia perante investidores nacionais e internacionais.

Sua saída, portanto, tende a gerar impactos na percepção de mercado pelo menos durante o período de transição.

Outro aspecto mencionado é que Livingston possui ampla experiência internacional, mas ainda não tem histórico de atuação relevante no mercado financeiro brasileiro.

Além disso, o Nubank ainda não anunciou quem assumirá uma posição recém-criada para liderar as finanças especificamente da operação brasileira.

Bradesco BBI e Ágora enxergam cenário mais positivo

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Nem todas as análises foram negativas.

Especialistas do Bradesco BBI e da Ágora Investimentos interpretaram a mudança como parte de um processo natural de evolução corporativa.

Segundo os relatórios, Guilherme Lago deixa como legado uma profunda transformação financeira da companhia desde a abertura de capital.

Entre os resultados destacados estão:

  • Expansão para México e Colômbia;
  • Ganhos de escala;
  • Crescimento da rentabilidade;
  • Retorno sobre patrimônio próximo de 30% em 2025.

Na visão dessas instituições, a chegada de Livingston fortalece áreas estratégicas como gestão de capital, liquidez e relacionamento com investidores globais.

Expansão internacional pode estar por trás da escolha

A contratação do novo CFO também reforça uma interpretação compartilhada por diversos analistas: o Nubank está preparando sua estrutura para uma atuação cada vez mais internacional.

O CEO da companhia, David Vélez, já afirmou que o foco operacional permanece concentrado no Brasil, México e Colômbia.

No entanto, a ambição de longo prazo continua sendo a construção de uma plataforma financeira global.

Nesse contexto, a experiência internacional de Livingston pode representar uma peça importante na estratégia futura da fintech.

Por que os investidores ficaram tão preocupados

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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

A forte queda das ações indica que a preocupação do mercado vai além da simples troca de executivos.

O principal receio está relacionado à perda de um profissional que ajudou a construir a credibilidade financeira da companhia junto aos investidores.

A sucessão ocorre em um momento em que o Nubank enfrenta maior escrutínio sobre sua carteira de crédito, seus planos de expansão internacional e sua capacidade de manter crescimento acelerado sem comprometer a qualidade dos resultados.

Por isso, a reação negativa parece refletir três fatores principais:

1. Mudança inesperada

A saída de Guilherme Lago não era esperada pelo mercado.

2. Perda de uma referência para investidores

O executivo era considerado um dos principais porta-vozes financeiros da companhia.

3. Ambiente de maior incerteza

Questões relacionadas ao crédito, rentabilidade e expansão internacional já vinham sendo monitoradas de perto pelos investidores.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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