O mercado financeiro reagiu com forte cautela à mudança na liderança financeira do Nubank. A fintech anunciou que Guilherme Lago deixará o cargo de diretor financeiro global (CFO), posição que ocupava há cinco anos, sendo substituído por Rob Livingston, executivo com longa trajetória internacional e passagem recente pela Visa.
Nubank anuncia novo CFO e mercado reage com forte queda nas ações
Mudança no comando financeiro do Nubank derruba ações e aumenta preocupações sobre crédito, expansão internacional e estratégia.
A notícia provocou uma forte venda das ações da companhia negociadas na Bolsa de Nova York. Os papéis chegaram a registrar queda superior a 10% durante o pregão, atingindo o menor nível intradiário desde abril do ano passado.
Embora a experiência do novo executivo tenha sido reconhecida por analistas e instituições financeiras, a saída inesperada de um dos principais responsáveis pela estratégia financeira do Nubank gerou dúvidas em um momento considerado sensível para a empresa.
Leia mais:
Nubank surpreende no 2T25 e ações ROXO34 atraem investidores
O que motivou a reação negativa do mercado

Em condições normais, mudanças na alta administração de grandes empresas não necessariamente provocam quedas expressivas nas ações. No caso do Nubank, porém, o contexto ajudou a amplificar as preocupações dos investidores.
Guilherme Lago tornou-se uma figura central na comunicação da fintech com o mercado financeiro. Durante sua gestão, a empresa consolidou sua expansão na América Latina, avançou na rentabilidade e fortaleceu sua presença entre investidores institucionais.
Sua saída ocorre justamente quando parte do mercado acompanha com atenção alguns desafios enfrentados pela companhia.
Entre os principais pontos observados pelos investidores estão:
- Qualidade da carteira de crédito;
- Crescimento da inadimplência em determinados segmentos;
- Expansão internacional;
- Sustentação das margens financeiras;
- Evolução dos lucros nos próximos trimestres.
A combinação desses fatores contribuiu para aumentar a percepção de risco no curto prazo.
Quem é o novo CFO do Nubank
O sucessor de Guilherme Lago será Rob Livingston, que assume oficialmente a função em julho.
O executivo construiu uma carreira de destaque no setor financeiro internacional. Antes de aceitar o convite do Nubank, atuava como CFO da operação norte-americana da Visa.
Além disso, acumulou quase duas décadas de experiência na Capital One, uma das maiores instituições financeiras dos Estados Unidos.
Por que a contratação chama atenção
A escolha de Livingston é vista por parte do mercado como um movimento alinhado aos planos globais da fintech.
Sua experiência inclui atuação em diferentes mercados internacionais, incluindo:
- Estados Unidos;
- Canadá;
- Europa;
- Ásia.
Essa bagagem pode ser importante para uma empresa que já consolidou presença no Brasil, México e Colômbia e continua demonstrando interesse em ampliar sua atuação internacional no longo prazo.
BTG vê aumento de incertezas no curto prazo
Analistas do BTG Pactual classificaram a mudança como uma surpresa para os investidores.
Segundo o banco, o volume de questionamentos recebidos após o anúncio demonstrou que o mercado não esperava uma alteração na liderança financeira da companhia neste momento.
Embora o BTG reconheça as credenciais de Livingston, a instituição avalia que a troca adiciona uma nova camada de incerteza a uma tese de investimento que já vinha enfrentando questionamentos.
Crédito continua sendo foco dos investidores
Um dos pontos destacados pelos analistas é a necessidade de o Nubank demonstrar evolução consistente na qualidade de seus ativos.
Para parte do mercado, a companhia ainda precisa apresentar alguns trimestres adicionais de melhora nos indicadores de crédito para recuperar plenamente a confiança dos investidores mais cautelosos.
Apesar das preocupações, o BTG manteve recomendação de compra para as ações da fintech.
Bank of America reduz recomendação
A reação mais dura veio do Bank of America.
Os analistas liderados por Mario Pierry rebaixaram a recomendação dos papéis para desempenho abaixo da média do mercado (“underperform”) e reduziram significativamente o preço-alvo da ação.
Segundo o banco, a preocupação não está relacionada à capacidade técnica do novo CFO, mas ao momento em que a mudança acontece.
Série de mudanças na liderança preocupa
Os analistas destacaram que a troca ocorre após diversas alterações na alta administração da fintech nos últimos dois anos.
Esse movimento aumentaria as dúvidas sobre:
- Continuidade estratégica;
- Capacidade de execução;
- Visibilidade de resultados futuros;
- Sustentação do crescimento.
Além disso, o relatório menciona preocupações relacionadas à deterioração da qualidade dos ativos e à pressão sobre as margens financeiras ajustadas ao risco.
Safra avalia saída como negativa no curto prazo
O Banco Safra também demonstrou cautela ao analisar a sucessão.
Para os analistas da instituição, Guilherme Lago se tornou uma das principais referências da companhia perante investidores nacionais e internacionais.
Sua saída, portanto, tende a gerar impactos na percepção de mercado pelo menos durante o período de transição.
Outro aspecto mencionado é que Livingston possui ampla experiência internacional, mas ainda não tem histórico de atuação relevante no mercado financeiro brasileiro.
Além disso, o Nubank ainda não anunciou quem assumirá uma posição recém-criada para liderar as finanças especificamente da operação brasileira.
Bradesco BBI e Ágora enxergam cenário mais positivo
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Nem todas as análises foram negativas.
Especialistas do Bradesco BBI e da Ágora Investimentos interpretaram a mudança como parte de um processo natural de evolução corporativa.
Segundo os relatórios, Guilherme Lago deixa como legado uma profunda transformação financeira da companhia desde a abertura de capital.
Entre os resultados destacados estão:
- Expansão para México e Colômbia;
- Ganhos de escala;
- Crescimento da rentabilidade;
- Retorno sobre patrimônio próximo de 30% em 2025.
Na visão dessas instituições, a chegada de Livingston fortalece áreas estratégicas como gestão de capital, liquidez e relacionamento com investidores globais.
Expansão internacional pode estar por trás da escolha
A contratação do novo CFO também reforça uma interpretação compartilhada por diversos analistas: o Nubank está preparando sua estrutura para uma atuação cada vez mais internacional.
O CEO da companhia, David Vélez, já afirmou que o foco operacional permanece concentrado no Brasil, México e Colômbia.
No entanto, a ambição de longo prazo continua sendo a construção de uma plataforma financeira global.
Nesse contexto, a experiência internacional de Livingston pode representar uma peça importante na estratégia futura da fintech.
Por que os investidores ficaram tão preocupados

A forte queda das ações indica que a preocupação do mercado vai além da simples troca de executivos.
O principal receio está relacionado à perda de um profissional que ajudou a construir a credibilidade financeira da companhia junto aos investidores.
A sucessão ocorre em um momento em que o Nubank enfrenta maior escrutínio sobre sua carteira de crédito, seus planos de expansão internacional e sua capacidade de manter crescimento acelerado sem comprometer a qualidade dos resultados.
Por isso, a reação negativa parece refletir três fatores principais:
1. Mudança inesperada
A saída de Guilherme Lago não era esperada pelo mercado.
2. Perda de uma referência para investidores
O executivo era considerado um dos principais porta-vozes financeiros da companhia.
3. Ambiente de maior incerteza
Questões relacionadas ao crédito, rentabilidade e expansão internacional já vinham sendo monitoradas de perto pelos investidores.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
Informacoes Atualizadas 2026:
