A bolsa brasileira vive um momento raro de exuberância. O Ibovespa ultrapassou a marca de 187 mil pontos, acumulou alta de 12,56% em janeiro e registrou o melhor início de ano desde 2021, superando inclusive o desempenho do ouro no mesmo período. O movimento foi impulsionado, principalmente, pelo retorno consistente do capital estrangeiro aos mercados emergentes, em um cenário global de dólar mais fraco e maior apetite por risco.
Corretoras destacam 8 ações para acompanhar em fevereiro
Ibovespa bate recordes com fluxo estrangeiro e expectativa de queda dos juros. Veja as ações que estão no radar do mercado em 2026.
No Brasil, esse fluxo externo se soma a uma expectativa doméstica relevante: a perspectiva de cortes de juros nos próximos meses. Com isso, parte da renda fixa atrelada à Selic perde atratividade relativa, enquanto a renda variável volta a ocupar espaço central no radar dos investidores locais.
Leia mais:
Dólar pode oscilar entre R$ 4,50 e R$ 6 segundo ex-diretor do BC
Vale o alerta: as ações citadas a seguir não constituem recomendação de investimento. O objetivo é apresentar as tendências que vêm ganhando força no mercado e explicar por que determinados papéis passaram a se destacar neste início de ano. Em renda variável, decisões devem ser tomadas com foco no longo prazo, e não em movimentos pontuais.
O que está por trás da força recente da bolsa brasileira
O principal vetor da alta foi o fluxo estrangeiro, que voltou a enxergar valor em mercados emergentes após meses de concentração em ativos dos Estados Unidos. A desvalorização do dólar e a percepção de que o ciclo de aperto monetário global está mais próximo do fim favoreceram essa realocação.
Internamente, a expectativa de queda da taxa básica de juros tende a estimular setores mais sensíveis ao crédito, como bancos, consumo e construção civil. Ao mesmo tempo, empresas ligadas a commodities seguem se beneficiando de preços ainda elevados no mercado internacional.
Ações em destaque com o Ibovespa em máxima histórica
Itaú Unibanco (ITUB4)
Presente em sete das dez carteiras analisadas por grandes casas, o Itaú Unibanco continua como uma das apostas mais recorrentes do mercado. A ação gira em torno de R$ 42,88, com projeções que chegam a R$ 50 em alguns cenários.
O otimismo se apoia na expectativa de retomada gradual do crédito em segmentos específicos, após o banco estabilizar os níveis de inadimplência. Analistas também esperam crescimento de dois dígitos na margem financeira, impulsionado por spreads mais elevados e maior eficiência na concessão.
Negociado a cerca de 9,5 vezes o lucro projetado para 2026 (P/L), o papel não é visto como barato, mas tampouco excessivamente caro, considerando a previsibilidade dos resultados e a capacidade histórica do banco de atravessar ciclos econômicos com consistência.
Localiza (RENT3)
Após um período de maior volatilidade, a Localiza começa a mostrar sinais claros de estabilização operacional. Reajustes de preços vêm sendo absorvidos sem perda relevante de volume, enquanto ganhos de eficiência ajudam a sustentar a recuperação das margens.
A gestão da frota segue focada em rentabilidade, com renovação acelerada e retirada de veículos mais rodados. No mercado de seminovos, os impactos do IPI já foram incorporados aos preços, reduzindo incertezas.
Com valuation em torno de 13 vezes o lucro projetado para 2026, a ação embute expectativas mais moderadas, o que melhora a relação entre risco e potencial de retorno.
Vale (VALE3)
A Vale encerrou 2025 com resultados sólidos em minério de ferro, níquel e cobre e entrou em 2026 com fundamentos mais estáveis. O principal motor segue sendo o minério de ferro, cuja expectativa de preço acima de US$ 100 por tonelada sustenta a tese de investimento.
A oferta global tende a ficar mais restrita com o envelhecimento de minas ao redor do mundo, enquanto a Vale mantém acesso a reservas de alta qualidade no Brasil, com menor teor de sílica e maior eficiência produtiva. Esse diferencial reforça sua posição como uma das principais fornecedoras globais da commodity.
Petrobras (PETR4)
Produção robusta, ativos de alta qualidade e valuation atrativo mantêm a Petrobras no radar do mercado. A ação acumulou valorização próxima de 24%, acompanhando a recente alta do petróleo.
A concentração da produção no pré-sal garante custos mais baixos e maior resiliência mesmo em cenários adversos. Além disso, a licença para perfuração na bacia da Foz do Amazonas, concedida no ano passado, adiciona um potencial catalisador de médio prazo.
Outro destaque é a forte geração de caixa, que sustenta expectativas elevadas de dividendos. Para 2026, o dividend yield estimado entre 9% e 10% é considerado competitivo frente a pares globais.
Cyrela (CYRE3)
Entre as construtoras, a Cyrela segue como a preferida do mercado. A empresa conta com uma carteira robusta de lançamentos nos segmentos de média e alta renda, especialmente em São Paulo, Rio de Janeiro e região Sul.
As margens operacionais giram em torno de 36%, enquanto o ROE se aproxima de 20%, indicando elevada capacidade de geração de valor para os acionistas. Parte do mercado avalia que o valuation atual já embute um cenário de juros elevados, justamente quando cresce a expectativa de cortes nas taxas.
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Bradesco (BBDC4)
Os papéis do Bradesco são negociados perto de R$ 21, com projeções que chegam a R$ 25 para 2026. A leitura predominante é que o banco tende a se beneficiar de forma mais intensa da queda dos juros, dada sua maior exposição ao crédito tradicional.
O plano de transformação em curso busca ganhos de eficiência, redução de custos e melhora da rentabilidade. Analistas projetam ROE próximo de 15% ao fim de 2025, com potencial de avançar para cerca de 17% em 2026, sinalizando recuperação gradual da lucratividade.
Aura Minerals (AURA33)
A Aura Minerals se beneficiou diretamente da forte valorização do ouro nos últimos meses. Após subir 65% no ano passado, a ação segue no radar mesmo com correções recentes da commodity.
O valuation é um dos principais atrativos: o papel negocia a um P/NAV de cerca de 0,9 vez, enquanto mineradoras globais costumam operar acima de 1,3. Isso indica que o mercado atribui desconto ao valor das reservas da empresa.
Além disso, a expectativa de crescimento de 18% no caixa operacional e de 50% no EBITDA reforça a tese de geração consistente de valor, mesmo em ambientes mais voláteis.
Axia (AXIA3)
A Axia, antiga Eletrobras, pode se beneficiar da expansão do setor elétrico nos próximos anos. Projeções da Agência Nacional de Energia Elétrica indicam aumento significativo da capacidade instalada do país em 2026, o que tende a sustentar preços mais elevados de energia.
A empresa ganha relevância em momentos de maior volatilidade do setor, quando cresce a demanda por energia firme. Além disso, a consolidação como pagadora de dividendos ganhou força em 2025, com anúncios de pagamentos adicionais bilionários referentes a exercícios anteriores.
Um cenário favorável, mas que exige cautela
O atual momento da bolsa brasileira combina fatores externos e internos positivos, mas não elimina riscos. A volatilidade global, mudanças no cenário político e revisões de expectativas macroeconômicas seguem no radar.
Para o investidor, o principal aprendizado é que ciclos de alta podem oferecer oportunidades, desde que acompanhados de análise, diversificação e visão de longo prazo.
Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
