A Advocacia-Geral da União (AGU) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um comunicado detalhando as ações adotadas para bloquear o uso de recursos de programas sociais, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), em apostas de quota fixa. A medida foi anunciada na quarta-feira (22) pelo Advogado-Geral da União substituto, Flavio José Roman, como parte do cumprimento da decisão judicial que visa impedir a participação de beneficiários desses programas nas apostas, até que o STF decida sobre o tema.
Sem apostas com Bolsa Família ou BPC: operadoras terão que barrar os cadastros
AGU comunica ao STF ações para impedir que beneficiários do Bolsa Família e BPC usem recursos em apostas de quota fixa.
O informe é uma resposta à decisão liminar do ministro Luiz Fux, relator das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 7721 e 7723, que questionam a Lei 14.790/2023, que regulamenta as apostas de quota fixa. Em novembro do ano passado, o ministro concedeu uma liminar parcial que bloqueia a utilização de recursos dos programas sociais em tais apostas. A medida afetou diretamente os beneficiários do Bolsa Família e do BPC, que passaram a ser impedidos de se cadastrar ou utilizar as plataformas de apostas de quota fixa.
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O que são apostas de quota fixa?
As apostas de quota fixa são modalidades de jogos de azar, como loterias, sorteios e jogos de previsão de resultados de eventos, nos quais as odds (probabilidades de vitória) são fixadas previamente. Os apostadores sabem, antes mesmo de realizar a aposta, o quanto poderão ganhar caso acertem o resultado.
Essas apostas, por serem de rendimento fixo e com altas probabilidades de lucro, atraem muitos jogadores que buscam grandes prêmios com baixo investimento. No entanto, em um cenário de vulnerabilidade financeira, como o enfrentado por muitos beneficiários do Bolsa Família e do BPC, essas apostas acabam sendo uma tentativa de solução imediata para problemas econômicos, o que geraria riscos adicionais.
Medidas adotadas pela AGU e Ministério da Fazenda
Em conformidade com a decisão do STF e com as normas estabelecidas pela Lei 14.790/2023, o Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), publicou no Diário Oficial da União, no dia 1º de outubro de 2025, novas regras para bloquear o cadastro e o uso de recursos de beneficiários do Bolsa Família e BPC nas plataformas de apostas de quota fixa. A Instrução Normativa nº 22 e a Portaria nº 2.217 foram formalizadas para garantir que operadoras de apostas consultem o Sistema de Gestão de Apostas (SIGAP) para verificar a condição do CPF dos usuários.
Como funciona o bloqueio de cadastro?
As operadoras de apostas têm agora a obrigação de realizar a consulta ao SIGAP para identificar se o usuário do site de apostas é um beneficiário dos programas sociais. Caso o CPF do indivíduo seja identificado como “Impedido – Programa Social”, o cadastro será recusado ou, se já existir, a conta será encerrada em até três dias.
Além disso, os usuários afetados deverão ser informados sobre o bloqueio e terão a oportunidade de retirar os valores depositados nas contas. Caso o beneficiário não realize a retirada dos valores no prazo de 180 dias, os recursos não resgatados serão revertidos para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e o Fundo Nacional para Calamidades Públicas, Proteção e Defesa Civil (Funcap).
Prazos e revisão dos cadastros
As operadoras de apostas terão 30 dias para implementar as novas medidas de bloqueio, com a revisão de todos os cadastros existentes a ser realizada em 45 dias. Caso sejam encontrados cadastros de beneficiários do Bolsa Família ou do BPC, as contas serão encerradas.
O impacto da decisão judicial nas apostas de quota fixa

A decisão judicial que resultou no bloqueio de beneficiários do Bolsa Família e BPC de participarem de apostas de quota fixa foi motivada por uma preocupação com a vulnerabilidade financeira dos beneficiários desses programas. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e o Partido Solidariedade entraram com Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs), questionando a inclusão de recursos públicos (provenientes de programas sociais) em atividades de jogos de azar.
O ministro Luiz Fux, relator das ADIs, atendeu parcialmente ao pedido das partes, determinando que os beneficiários do Bolsa Família e do BPC fossem proibidos de participar de apostas de quota fixa. A decisão gerou um debate sobre a proteção da renda pública contra jogos que podem agravar ainda mais a situação financeira dos cidadãos mais vulneráveis.
A regulação da Lei 14.790/2023 e suas implicações
A Lei 14.790/2023, que regulamenta as apostas de quota fixa no Brasil, entrou em vigor com o objetivo de criar uma base legal para a operação de plataformas de apostas no país. Essa regulamentação tem seus prós e contras, principalmente no que se refere à participação de beneficiários de programas assistenciais.
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Ao proibir a participação de cidadãos em situações vulneráveis nos jogos de quota fixa, o governo busca evitar o uso de recursos essenciais em atividades que não contribuem diretamente para o bem-estar econômico da população. As apostas podem ser uma tentativa de solução rápida, mas muitas vezes acabam sendo prejudiciais para quem depende de auxílios como o Bolsa Família e o BPC.
Medidas de proteção financeira para beneficiários de programas sociais
A implementação de restrições em jogos de azar para beneficiários de programas sociais é uma das estratégias do governo para proteger as famílias mais vulneráveis. O Bolsa Família e o BPC têm como objetivo garantir a segurança alimentar e a dignidade social daqueles que vivem em situação de risco.
Benefícios e desafios das novas regras
Embora as novas regras possam ser vistas como uma medida de proteção social, elas também enfrentam desafios. A fiscalização das operadoras de apostas será um ponto crucial para garantir que as consultas ao SIGAP sejam realizadas de forma eficaz. Além disso, é importante que os usuários afetados sejam adequadamente orientados sobre como retirar os valores bloqueados e sobre os direitos que têm em relação ao resgate de seus depósitos.
Reações ao bloqueio: O que dizem os especialistas?

A medida de bloquear beneficiários do Bolsa Família e do BPC de participarem de apostas de quota fixa gerou uma série de reações no meio jurídico e econômico. Especialistas veem com bons olhos o esforço do governo em proteger os recursos públicos e impedir que famílias vulneráveis sejam expostas a mais riscos financeiros.
Por outro lado, alguns críticos apontam que a restrição excessiva pode gerar prejuízos ao mercado de apostas, que é uma atividade legal e regulamentada. A limitação ao acesso ao mercado de apostas pode, para alguns, parecer uma interferência estatal em direitos individuais.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
