Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Quase 5 mil contribuintes de Maringá entram no grupo de alta renda

Entenda quem é considerado alta renda no Imposto de Renda, novas regras de tributação, alíquotas e como reduzir o imposto.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Quase 5 mil contribuintes de Maringá entram no grupo de alta renda

A Receita Federal passou a dar maior atenção aos contribuintes classificados como “alta renda”, grupo formado por pessoas físicas que atingem determinados níveis de rendimento anual e que passam a ter regras específicas de tributação. O tema ganhou destaque após mudanças na legislação do Imposto de Renda, que alteraram a forma de cobrança para faixas mais elevadas de renda.

Em 2025, segundo dados divulgados pela Receita Federal, 4.894 contribuintes de Maringá (PR) se enquadravam nessa categoria, considerando os critérios previstos na Lei nº 15.270/2025. O enquadramento ocorre quando a pessoa possui renda tributável igual ou superior a R$ 600 mil por ano, o equivalente a cerca de R$ 50 mil por mês.

A classificação, porém, não significa necessariamente que o contribuinte seja considerado rico em patrimônio. Existe uma diferença importante entre ter uma renda elevada e possuir grande quantidade de bens acumulados.

Leia mais:

Alíquota mínima de Imposto de Renda para alta renda pode cair para 8%

Malha fina
Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

O que é considerado alta renda no Imposto de Renda

O conceito de alta renda está relacionado ao volume de dinheiro recebido pelo contribuinte durante determinado período, principalmente valores considerados tributáveis.

Nesse cálculo entram rendimentos como:

  • salários elevados;
  • pagamentos por atividades profissionais;
  • rendimentos de trabalho autônomo;
  • aluguéis;
  • juros e outras fontes tributáveis.

No entanto, alguns valores ficam fora dessa soma, como:

  • ganhos de capital;
  • heranças;
  • doações;
  • rendimentos recebidos acumuladamente em determinadas situações;
  • investimentos isentos, como poupança;
  • aposentadoria por moléstia grave;
  • indenizações.

A separação é importante porque o contribuinte pode ter movimentações financeiras significativas sem necessariamente atingir o limite considerado para alta renda.

Diferença entre alta renda e super ricos

Um dos principais pontos de confusão envolve os conceitos de alta renda e pessoas consideradas super ricas.

A professora Simone Raimundini, do curso de Ciências Contábeis da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e coordenadora do Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF-UEM), explica que renda e patrimônio representam situações diferentes.

A renda está relacionada ao dinheiro que entra no orçamento do contribuinte, seja por trabalho, investimentos ou outras fontes.

Já o patrimônio representa o conjunto de bens e direitos acumulados, como:

  • imóveis;
  • veículos;
  • investimentos;
  • dinheiro disponível;
  • outros ativos.

Uma pessoa pode ter renda alta e ainda não possuir grande patrimônio acumulado. Da mesma forma, alguém pode ter patrimônio elevado, mas receber pouca renda mensal.

Nova tributação para contribuintes de alta renda

Desde 1º de janeiro de 2026, passou a valer a Lei nº 15.270/2025, que estabeleceu novas regras de tributação para determinados grupos de contribuintes como forma de compensação pela ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.

Pelas novas regras, contribuintes classificados como alta renda continuam sujeitos à alíquota máxima tradicional do Imposto de Renda, de 27,5%, além da possibilidade de um adicional de até 10%.

A mudança busca aumentar a participação tributária de pessoas com rendimentos mais elevados, criando uma cobrança mínima para esse público.

Como funciona a cobrança adicional

O objetivo da nova regra é evitar que contribuintes com rendas muito elevadas tenham uma tributação proporcionalmente menor devido à composição dos seus rendimentos.

Na prática, a legislação considera a capacidade econômica do contribuinte e estabelece mecanismos para garantir uma tributação mínima.

O impacto final depende da origem dos rendimentos, das deduções permitidas e da situação fiscal individual de cada pessoa.

Como reduzir legalmente o imposto devido

Apesar das novas regras, existem estratégias previstas em lei que permitem ao contribuinte organizar melhor sua declaração e aproveitar incentivos fiscais.

Uma delas é a destinação de parte do Imposto de Renda devido para projetos sociais.

Segundo Simone Raimundini, é possível destinar até 6% do imposto devido para fundos como:

  • Fundo da Criança e do Adolescente;
  • Fundo do Idoso.

Essa prática não representa uma doação retirada diretamente do bolso do contribuinte, mas sim uma forma de direcionar parte do imposto que já seria pago à Receita Federal.

A medida funciona como incentivo fiscal e permite que o cidadão participe da aplicação dos recursos em áreas sociais.

Potencial de milhões em destinações para fundos sociais

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Dados abertos da Receita Federal indicam que municípios possuem grande potencial para ampliar essas destinações.

Em Maringá, por exemplo, a estimativa era de aproximadamente R$ 50 milhões em potencial de recursos que poderiam ser direcionados aos fundos sociais por meio do Imposto de Renda.

Entretanto, o valor efetivamente destinado ficou pouco acima de R$ 3 milhões, mostrando que muitos contribuintes ainda deixam de utilizar esse mecanismo.

A importância do planejamento tributário

Para pessoas que possuem rendimentos elevados, o planejamento tributário se torna uma ferramenta importante para evitar erros e aproveitar oportunidades previstas na legislação.

Algumas medidas podem ajudar:

Organizar documentos durante o ano

Não deixar toda a preparação para o período da declaração reduz riscos de inconsistências.

Avaliar investimentos e rendimentos

Diferentes aplicações possuem regras específicas de tributação e isenção.

Buscar orientação profissional

Um contador pode analisar a situação individual e identificar possibilidades dentro da legislação.

Apoio para contribuintes que têm dúvidas

Imposto de Renda
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Quem possui dúvidas sobre enquadramento, cálculo de renda ou formas legais de reduzir o imposto pode procurar orientação especializada.

A Universidade Estadual de Maringá mantém o Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF-UEM), que oferece suporte relacionado a temas tributários e fiscais.

Com as novas regras do Imposto de Renda, entender a diferença entre renda, patrimônio e tributação tornou-se essencial. Para contribuintes de alta renda, o planejamento deixou de ser apenas uma questão de organização financeira e passou a ser uma forma de garantir conformidade e melhor aproveitamento das regras existentes.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

Topicos relacionados