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Itaú BBA rebaixa Nubank e passa a preferir outro banco na Bolsa

O Itaú BBA reduziu a recomendação para as ações do Nubank (ROXO34), que passaram de outperform, equivalente a uma visão de desempenho acima da média do mercado, para market perform, classificação associada a uma expectativa de desempenho em linha com o mercado. O banco também cortou o preço-alvo do Nubank de US$ 20 para US$ […]

Avatar de Melissa Barbosa Melissa Barbosa · · 10 min de leitura
Itaú BBA

O Itaú BBA reduziu a recomendação para as ações do Nubank (ROXO34), que passaram de outperform, equivalente a uma visão de desempenho acima da média do mercado, para market perform, classificação associada a uma expectativa de desempenho em linha com o mercado.

O banco também cortou o preço-alvo do Nubank de US$ 20 para US$ 18 e estendeu o horizonte da projeção para o fim de 2027. Mesmo com a redução, o novo objetivo ainda representava potencial de alta de aproximadamente 27% em relação ao fechamento usado na análise.

A mudança não significa o abandono da tese de longo prazo para a fintech. O principal argumento é que o caminho até 2027 ficou mais incerto, em meio a um ambiente macroeconômico menos favorável, desafios no crédito e possíveis mudanças regulatórias.

Ao mesmo tempo, o Bradesco (BBDC4) passou a ser o único grande banco sob cobertura do Itaú BBA com recomendação outperform. A casa também mantém uma visão favorável a empresas ligadas ao mercado de capitais, como B3, BTG Pactual e XP.

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Por que o Itaú BBA mudou a visão sobre o Nubank?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A revisão está relacionada principalmente à expectativa de desaceleração do crescimento dos resultados do Nubank em 2027.

O Itaú BBA reduziu em 8% sua estimativa de lucro para a fintech naquele ano. Com o novo cálculo, a projeção ficou 15% abaixo do consenso de mercado.

A avaliação combina fatores específicos do Nubank com mudanças nas perspectivas para a economia brasileira.

Um dos pontos é o comportamento do consumidor de massa. Na visão dos analistas, uma redução dos estímulos fiscais e sociais pode deixar o ambiente mais difícil para consumidores de menor renda, público relevante para a expansão do crédito da fintech.

Outro risco está relacionado à inflação. Uma eventual alta do petróleo e de commodities agrícolas poderia aumentar as pressões sobre os preços e dificultar a trajetória de redução dos juros.

O Banco Central também aparece no radar por causa do debate sobre o crédito de maior custo. A autoridade monetária acompanha os níveis de endividamento e comprometimento de renda das famílias, e o BBA considera possível a adoção de medidas macroprudenciais que poderiam afetar determinadas operações de crédito.

Ainda não há, porém, uma medida específica anunciada pelo Banco Central que corresponda exatamente ao cenário projetado pelo Itaú BBA. Trata-se de um risco considerado pelos analistas.

O crescimento do Nubank deve perder velocidade?

Essa é uma das principais questões levantadas pelo relatório.

O Itaú BBA estima que o lucro do Nubank cresça 14% em 2027, depois de uma expansão projetada de 32% em 2026.

A desaceleração estaria relacionada a um crescimento mais moderado da receita e a uma pressão sobre a eficiência operacional.

A operação brasileira também terá uma base de comparação mais difícil, especialmente no crédito pessoal. Isso significa que repetir as taxas de crescimento observadas anteriormente se torna mais complicado.

Ao mesmo tempo, os investimentos internacionais começam a ganhar escala.

Nos Estados Unidos, os gastos necessários para ampliar a operação podem pressionar os resultados no curto prazo. O México continua sendo uma frente relevante de expansão, mas ainda possui uma participação pequena demais para compensar completamente uma eventual desaceleração no Brasil.

Por isso, a revisão não representa uma mudança completa na avaliação do Nubank.

O Itaú BBA continua considerando a fintech um vencedor estrutural no longo prazo, mas passou a adotar uma postura mais cautelosa em relação ao médio prazo.

O que significa o novo preço-alvo de US$ 18?

O preço-alvo é uma estimativa feita pelos analistas sobre quanto uma ação pode valer em determinado horizonte. Ele não representa uma garantia de preço futuro.

No caso do Nubank, o Itaú BBA passou a trabalhar com US$ 18 para o fim de 2027, contra US$ 20 anteriormente projetados para o fim de 2026.

A mudança precisa ser interpretada junto com a alteração do prazo.

Além disso, preço-alvo e recomendação são conceitos diferentes. Uma ação pode ter um preço-alvo acima da cotação atual e ainda receber uma recomendação neutra quando o analista considera que a relação entre potencial de retorno e riscos não justifica uma classificação mais elevada.

Por que o Bradesco ganhou espaço?

A mudança na avaliação do Nubank veio acompanhada de uma alteração na preferência dentro do grupo dos grandes bancos.

O Bradesco passou a ser o único bancão coberto pelo Itaú BBA com recomendação outperform.

Um dos argumentos apresentados está relacionado à evolução da operação do banco. Os analistas apontam sinais de melhora na execução, principalmente no varejo, incluindo clientes de média e alta renda, e no segmento corporativo.

O negócio de seguros também aparece como um componente relevante da tese.

Segundo o relatório, a área responde por mais de 40% do lucro do Bradesco e deve continuar crescendo em ritmo de dois dígitos.

O BBA também avalia que o mercado ainda atribui pouco valor à possibilidade de continuidade dessa melhora operacional. Caso os resultados confirmem as premissas dos analistas, poderia haver uma reavaliação do papel.

Essa, entretanto, é uma avaliação do Itaú BBA, e não uma garantia de desempenho futuro das ações.

Revisão atingiu outros bancos

A mudança não ficou restrita ao Nubank.

O Itaú BBA reduziu estimativas para todo o universo de bancos acompanhado pela instituição, diante de premissas mais conservadoras para o crescimento do crédito e de expectativas maiores para o custo de risco.

Entre os nomes que tiveram cortes mais relevantes nas estimativas de lucro por ação para 2027 estão Nubank, Agibank e Banrisul.

No Agibank, parte da revisão está relacionada ao momento de reconhecimento dos custos de originação de crédito, que podem aparecer antes das receitas correspondentes.

No Banrisul, os analistas consideraram uma perspectiva menor para o crescimento da carteira de crédito e da margem financeira, além de um custo de risco mais elevado.

No Inter, a revisão foi mais moderada. O BBA destacou a margem financeira líquida superior a 10% e o índice de eficiência de 42,1%, enquanto o custo de risco continua sendo um ponto de acompanhamento.

No Banco ABC Brasil, as estimativas menores refletem uma margem financeira mais fraca e efeitos de provisões sobre o resultado.

Já no Pine, a revisão acompanha o aumento do custo de risco associado ao crescimento da originação de crédito consignado privado.

Banco do Brasil ainda exige atenção

O Banco do Brasil (BBAS3) passou por mudanças mais limitadas nas estimativas, mas continua apresentando pontos de atenção para o Itaú BBA.

A carteira de agronegócio é uma das principais variáveis acompanhadas pelos analistas. A evolução desse segmento dependerá, entre outros fatores, das medidas de apoio e financiamento ao setor.

A qualidade dos ativos no varejo também entrou no radar.

Nesse caso, os números de inadimplência precisam ser observados junto com a evolução das provisões, da carteira de crédito e das estratégias de recuperação de clientes.

Uma fotografia isolada de determinado trimestre não é suficiente para determinar a trajetória futura do banco.

Por que B3, BTG Pactual e XP aparecem entre as preferências?

A revisão do Itaú BBA não significa apenas uma redução da exposição aos bancos tradicionais.

A casa também mantém uma visão favorável sobre empresas relacionadas ao mercado de capitais, incluindo B3 (B3SA3), BTG Pactual (BPAC11) e XP (XPBR31).

A lógica está relacionada à expectativa de mudanças no ambiente econômico brasileiro.

O cenário considerado pelos analistas combina crescimento mais fraco da economia com uma trajetória de queda dos juros. Se esse processo favorecer a retomada das operações no mercado de capitais, empresas ligadas a emissões, negociação de ativos, investimentos e serviços financeiros podem se beneficiar.

A trajetória da Selic será uma das variáveis centrais para essa tese, já que mudanças nos juros influenciam tanto o custo do crédito quanto a disposição dos investidores e empresas para realizar operações no mercado.

O que muda para quem acompanha Nubank e bancos na bolsa?

Para quem acompanha essas ações, a principal informação não é simplesmente que o Nubank deixou de receber uma recomendação de compra do Itaú BBA.

O movimento mostra uma mudança na avaliação do equilíbrio entre crescimento, risco e preço das ações do setor para os próximos anos.

No Nubank, os principais pontos de acompanhamento são a velocidade de expansão do lucro, a qualidade da carteira de crédito, o comportamento do consumidor brasileiro, os investimentos internacionais e possíveis mudanças regulatórias.

No Bradesco, a atenção está concentrada na execução operacional, na rentabilidade e no desempenho das áreas de varejo, corporativo e seguros.

Para o setor como um todo, crédito, inadimplência, custo de risco, inflação e juros continuam entre as variáveis mais relevantes.

Também é necessário separar a recomendação de uma casa de análise da decisão individual de investimento. Relatórios de bancos de investimento são baseados em determinadas premissas e podem ser alterados conforme novos dados econômicos e resultados empresariais sejam divulgados.

O que observar daqui para frente?

Itaú BBA
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A próxima etapa da tese do Nubank dependerá principalmente da evolução dos resultados e da carteira de crédito.

Entre os indicadores que merecem acompanhamento estão:

  • crescimento da receita e do lucro;
  • evolução da inadimplência;
  • custo de risco;
  • margem financeira;
  • eficiência operacional;
  • crescimento da carteira de crédito;
  • desempenho das operações internacionais;
  • possíveis mudanças regulatórias;
  • trajetória da inflação;
  • comportamento da Selic.

No Bradesco, os próximos resultados também serão importantes para verificar se a melhora operacional apontada pelo Itaú BBA aparece nos números da instituição.

Assim, a revisão do BBA não representa simplesmente uma disputa entre Nubank e Bradesco. Ela reflete uma reavaliação mais ampla do setor financeiro diante de um ambiente de crédito potencialmente mais difícil e de mudanças esperadas no ciclo de juros.

Conclusão

O Itaú BBA rebaixou o Nubank de outperform para market perform e reduziu o preço-alvo de US$ 20 para US$ 18, agora projetado para o fim de 2027. A mudança está relacionada principalmente à expectativa de crescimento mais moderado dos resultados, às condições do mercado de crédito e aos riscos macroeconômicos e regulatórios que podem afetar a fintech nos próximos anos.

Ao mesmo tempo, o Bradesco passou a ser o único grande banco com recomendação outperform na cobertura do Itaú BBA. B3, BTG Pactual e XP também aparecem entre as empresas favorecidas pela estratégia da instituição para o mercado financeiro. Para quem acompanha essas companhias, os próximos balanços serão fundamentais para testar as premissas utilizadas nas projeções. Mais do que observar apenas preços-alvo, será necessário acompanhar a evolução do crédito, da inadimplência, da rentabilidade, do custo de risco e do ambiente econômico.

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