A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) autorizou oficialmente a Amazon a iniciar os testes de sua internet via satélite no Brasil, dentro do ambicioso Projeto Kuiper. A permissão será válida entre os dias 24 de junho e 21 de setembro de 2025 e representa um passo estratégico para a ampliação da conectividade em regiões de difícil acesso no território nacional.
Amazon avança no Brasil com autorização da Anatel para testar internet via satélite
Amazon recebe autorização da Anatel para testar o Projeto Kuiper no Brasil entre junho e setembro de 2025.
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Amazon recebe autorização da Anatel para testar internet via satélite no Brasil

Detalhes da autorização concedida pela Anatel
O Conselho Diretor da Anatel aprovou por unanimidade a solicitação da Amazon para a realização de testes de campo. A empresa está autorizada a utilizar as faixas de frequência entre 27,75 GHz e 29,75 GHz, fundamentais para o envio e recebimento de dados entre os satélites e as antenas em solo.
Durante o período de testes, engenheiros e técnicos da Amazon Kuiper Brasil deverão instalar antenas específicas nas cidades de Cosmópolis (SP) e Glória de Dourados (MS). O objetivo principal é verificar a qualidade e a consistência da comunicação com os satélites já em órbita.
Cidades escolhidas para os testes iniciais
A escolha das cidades de Cosmópolis, no interior paulista, e Glória de Dourados, no Mato Grosso do Sul, não foi por acaso. Essas localidades foram selecionadas devido às suas características geográficas e de infraestrutura, permitindo uma análise mais completa do desempenho do sistema Kuiper em diferentes condições de cobertura.
A expectativa é de que os testes permitam identificar possíveis interferências com outras redes de telecomunicações e garantir que a operação comercial futura ocorra sem impactos negativos para os usuários de outros serviços.
Atraso na entrada em operação oficial
Inicialmente, a Amazon previa iniciar a operação oficial do Projeto Kuiper no Brasil antes do final de agosto. No entanto, a empresa solicitou à Anatel uma prorrogação do prazo, alegando a necessidade de mais tempo para movimentar os 27 satélites lançados em abril deste ano.
Em resposta, a Anatel estendeu o prazo limite para a entrada em operação do sistema até o dia 29 de agosto de 2025. Segundo a Amazon, o processo de deslocamento dos satélites da órbita inicial para a altitude operacional pode levar entre um e quatro meses, dependendo das condições técnicas e climáticas.
Quantidade de satélites autorizados e planos futuros
A autorização da Anatel vai além dos testes iniciais. O órgão regulador brasileiro já liberou a operação de até 3.236 satélites da Amazon no espaço aéreo nacional. Esse número coloca o Projeto Kuiper como um dos maiores projetos de constelações de satélites de baixa órbita autorizados para atuar no Brasil.
Apesar disso, a Amazon ainda não divulgou uma data oficial para o início da oferta de planos comerciais de internet via satélite no país. Especialistas acreditam que os resultados dos testes em Cosmópolis e Glória de Dourados serão fundamentais para definir o cronograma de lançamento comercial.
Concorrência direta com a Starlink

A chegada do Projeto Kuiper ao Brasil promete acirrar a concorrência com a Starlink, empresa de internet via satélite da SpaceX, que atualmente domina o mercado de conectividade rural e em áreas remotas. A competição é vista como positiva para os consumidores, já que pode gerar melhorias nos preços e na qualidade dos serviços.
Atualmente, a Starlink já conta com milhares de usuários em zonas rurais, comunidades ribeirinhas e localidades isoladas, oferecendo velocidades de internet que podem ultrapassar os 200 Mbps.
A entrada da Amazon nesse segmento pode ampliar ainda mais o acesso à internet de alta velocidade em regiões que historicamente enfrentam problemas de conectividade.
Expansão internacional do Projeto Kuiper
O Projeto Kuiper é uma das maiores apostas da Amazon para competir no mercado global de internet via satélite. Nos Estados Unidos, a empresa firmou compromisso com a Federal Communications Commission (FCC) de colocar pelo menos 50% de sua constelação de satélites em operação até julho de 2026.
O lançamento dos primeiros 27 satélites, em abril de 2025, marcou o início da implantação da rede global, que ao todo deve contar com mais de 3 mil unidades orbitais.
Além do Brasil, outros países também estão na lista de expansão do Projeto Kuiper, com foco especial em regiões com déficit de infraestrutura de internet.
Outras empresas interessadas no mercado brasileiro
Além da Amazon e da já estabelecida Starlink, outras companhias também demonstram interesse no mercado brasileiro de internet via satélite. Uma delas é a chinesa SpaceSail, que está em processo de análise de documentação junto à Anatel.
A previsão é que a agência reguladora brasileira conclua a avaliação dos pedidos da SpaceSail até o final de 2025, o que pode adicionar mais um player ao segmento e aumentar ainda mais a concorrência.
Importância para a conectividade rural e digitalização
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O avanço de projetos como o Kuiper representa uma oportunidade estratégica para reduzir o déficit de conectividade em áreas rurais e remotas do Brasil. Dados recentes do IBGE e de órgãos de telecomunicações indicam que milhões de brasileiros ainda vivem sem acesso adequado à internet.
Para especialistas, a presença de múltiplas operadoras de internet via satélite pode acelerar o processo de inclusão digital, facilitando o acesso à educação, saúde, serviços bancários e oportunidades de trabalho remoto para populações que vivem em locais isolados.
Principais desafios da implementação
Apesar do potencial de transformação, a implementação de serviços de internet via satélite enfrenta alguns desafios técnicos e regulatórios:
Infraestrutura em solo
Além dos satélites em órbita, é necessário instalar estações terrestres de grande capacidade, conhecidas como gateways, responsáveis por conectar a rede de satélites à infraestrutura de internet mundial.
Interferência com outras redes
Um dos principais pontos avaliados durante os testes será a possibilidade de interferência com outras redes de comunicação já existentes, incluindo serviços de telecomunicações, TV por satélite e comunicações militares.
Custo para o consumidor final
Outro desafio é tornar os planos de assinatura acessíveis para a população. Atualmente, o custo de instalação e mensalidade da Starlink, por exemplo, ainda é elevado para muitas famílias brasileiras. A expectativa é que a entrada da Amazon ajude a reduzir esses preços.
Expectativas do mercado

O mercado de telecomunicações acompanha de perto os desdobramentos da autorização concedida à Amazon. Consultorias do setor apontam que a disputa entre Kuiper e Starlink deve gerar benefícios para os consumidores, com maior oferta de planos, redução de preços e expansão da cobertura.
Além disso, o governo brasileiro vê com bons olhos a chegada de novas soluções de conectividade, especialmente diante das metas de inclusão digital previstas no Plano Nacional de Conectividade.
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