A Americanas voltou a apresentar prejuízo elevado no segundo trimestre de 2026, mesmo após avançar na etapa de saída da recuperação judicial. O resultado divulgado em 12 de agosto mostra que a varejista ainda enfrenta dificuldades para transformar a melhora operacional em lucro.
Entre abril e junho, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 274 milhões, alta de 179,6% em relação aos R$ 98 milhões registrados no mesmo período de 2025. Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, porém, houve redução da perda, que havia alcançado R$ 329 milhões.
Os números mostram um cenário de recuperação ainda incompleto. A empresa apresenta avanços em determinados indicadores da operação, mas continua sofrendo com despesas financeiras e outros fatores que pressionam o resultado final.
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Americanas teve prejuízo de R$ 274 milhões no segundo trimestre
A receita líquida da companhia ficou em aproximadamente R$ 3,3 bilhões no segundo trimestre, queda de 1,7% na comparação anual. Segundo as informações divulgadas sobre o balanço, o calendário da Páscoa influenciou a comparação, já que a data movimentou parte das vendas de chocolates no primeiro trimestre de 2026, enquanto em 2025 o efeito ocorreu no segundo trimestre.
Apesar da queda da receita no trimestre, os indicadores de vendas apresentaram sinais mais favoráveis quando analisado o primeiro semestre. As vendas em mesmas lojas cresceram 9,3% entre janeiro e junho, enquanto a receita líquida avançou 7,8% em uma comparação que elimina o efeito provocado pela mudança no calendário da Páscoa.
Esse contraste ajuda a explicar por que a administração da companhia tenta separar o desempenho operacional da situação financeira. A operação mostra sinais de recuperação, mas os números ainda não foram suficientes para colocar a empresa novamente no campo do lucro.
Resultado operacional ainda está no vermelho
Outro ponto importante do balanço é o desempenho do Ebitda ajustado, indicador utilizado pelo mercado para acompanhar a geração operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização.
No primeiro semestre, a Americanas informou uma melhora operacional de R$ 251 milhões em relação ao mesmo período anterior. Mesmo assim, o Ebitda ajustado continuou negativo, em aproximadamente R$ 297 milhões.
Isso significa que a melhora operacional ainda não representa lucro líquido. Uma companhia pode aumentar vendas, melhorar margens e reduzir perdas operacionais e, ainda assim, terminar o período no prejuízo quando despesas financeiras, impostos, depreciação, amortizações e outros efeitos são considerados.
No caso da Americanas, o resultado financeiro continua sendo um dos pontos de pressão. A empresa também terminou o primeiro semestre com dívida líquida de aproximadamente R$ 1 bilhão, após registrar posição de caixa líquido de R$ 488 milhões no encerramento de 2025.
O que aconteceu com a Americanas?
Para entender o atual balanço da varejista, é necessário voltar a janeiro de 2023.
Naquele mês, a Americanas comunicou ao mercado ter identificado inconsistências contábeis inicialmente estimadas em cerca de R$ 20 bilhões. Poucos dias depois, a companhia entrou com pedido de recuperação judicial, em meio a uma crise financeira que se tornou um dos maiores casos empresariais do país.
As investigações realizadas posteriormente pela própria companhia apontaram que as demonstrações financeiras anteriores haviam sido fraudadas pela antiga diretoria. O caso envolveu, entre outros pontos, lançamentos relacionados a verbas de propaganda cooperada e operações financeiras ligadas ao chamado risco sacado.
O episódio provocou uma forte reação no mercado e transformou completamente a estrutura financeira da empresa. A recuperação judicial passou a concentrar a negociação com credores e a execução de um plano destinado a reorganizar as obrigações da varejista.
A própria Americanas mantém em seu portal de relações com investidores documentos referentes ao plano de recuperação judicial, assembleias de credores e demais informações do processo.
Americanas saiu da recuperação judicial?
A saída da recuperação judicial é uma etapa importante, mas não significa que a companhia tenha encerrado seus problemas financeiros ou voltado automaticamente a ser lucrativa.
Em março de 2026, a Americanas informou ter protocolado o pedido de encerramento do processo depois de cumprir obrigações previstas no plano com vencimento até dois anos após sua homologação. Em agosto, a companhia já apresentava o segundo trimestre fora da fase mais aguda da reestruturação, enquanto buscava consolidar sua nova estratégia.
A diferença é relevante para o consumidor e para o investidor. O fim da recuperação judicial representa uma mudança jurídica e financeira importante, mas a sustentabilidade do negócio depende do desempenho operacional, da capacidade de geração de caixa, do controle do endividamento e da recuperação das vendas.
Quais são os principais desafios da empresa agora?
O primeiro desafio é transformar a melhora operacional em geração de caixa. No primeiro semestre, a companhia ainda registrou consumo de caixa nas operações, estimado em cerca de R$ 400 milhões, segundo os dados divulgados sobre o balanço.
Outro ponto é a evolução da dívida. A dívida bruta chegou a aproximadamente R$ 2,2 bilhões ao fim do semestre, alta de 7,9% em relação ao encerramento de 2025.
A empresa também precisa recuperar o ritmo de vendas e preservar margens em um setor altamente competitivo. Para isso, sua estratégia envolve maior integração entre lojas físicas e canais digitais, além de concentração em categorias consideradas prioritárias pela administração.
Na prática, o mercado deverá acompanhar principalmente se o crescimento das vendas continuará, se a geração operacional de caixa melhorará e se a empresa conseguirá reduzir a pressão financeira.
O que o resultado significa para investidores?

Para quem acompanha as ações AMER3, o balanço apresenta uma combinação de sinais positivos e negativos.
De um lado, há crescimento das vendas em mesmas lojas no acumulado do ano e melhora do resultado operacional. De outro, o prejuízo líquido permanece elevado, a geração de caixa ainda é negativa e a dívida voltou a pressionar a estrutura financeira.
Por isso, olhar apenas para o prejuízo trimestral pode ser insuficiente para avaliar a situação da companhia. O mercado costuma analisar conjuntamente receita, margens, Ebitda, fluxo de caixa, dívida, despesas financeiras e evolução das vendas.
A própria Americanas informa que suas ações são negociadas na B3 sob o código AMER3 e que os comunicados financeiros são divulgados em seu portal de relações com investidores e nos canais regulatórios.
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