O Brasil recebe cerca de 10 bilhões de chamadas telefônicas não autorizadas todos os meses, segundo estimativas do setor de telecomunicações. Muitas dessas ligações são oriundas de campanhas de telemarketing abusivo, cobranças excessivas ou até mesmo golpes.
Medidas da Anatel visam combater chamadas em massa de empresas; entenda
Anatel obriga empresas com mais de 500 mil ligações mensais a autenticar chamadas para combater abusos e fraudes; medida vale em 90 dias.
Para enfrentar o problema, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou novas regras que obrigam empresas que realizam mais de 500 mil ligações por mês a adotarem um sistema de autenticação de chamadas.
A medida faz parte do novo Regulamento Geral de Serviços de Telecomunicações e tem como objetivo coibir práticas abusivas e prevenir fraudes.
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Monitoramento em tempo real
Com a autenticação, a Anatel poderá monitorar em tempo real as chamadas originadas por grandes chamadores, permitindo identificar rapidamente comportamentos suspeitos ou irregulares.
Essa autenticação funciona como um “selo digital” que garante a procedência da chamada e permite rastrear seu responsável.
Autenticação x Identificação
- Identificação da chamada: Permanece facultativa, permitindo ao consumidor visualizar no visor do celular ou telefone fixo o nome da empresa ou órgão que está realizando a ligação.
- Autenticação da chamada: Torna-se obrigatória para grandes chamadores, garantindo que a origem da ligação seja verificada e registrada pela Anatel.
Prazos e etapas de implementação
As empresas enquadradas no perfil de grandes chamadores terão 90 dias para se adequar à nova exigência.
Além disso, o regulamento prevê que a autenticação universal — ou seja, para todas as chamadas na rede — seja implementada no prazo máximo de três anos.
Quem será afetado pela nova regra
A exigência atinge empresas de diferentes segmentos que realizam altos volumes de chamadas, incluindo:
- Centrais de telemarketing;
- Empresas de cobrança;
- Plataformas de vendas ativas;
- Instituições financeiras;
- Operadoras de serviços diversos que utilizam chamadas automatizadas.
Plano de ação da Anatel
O Conselho Diretor da agência determinou que as áreas técnicas elaborem e executem um plano de ação com objetivos claros:
- Rastreabilidade: Garantir que todas as chamadas possam ser rastreadas até sua origem.
- Segurança: Evitar uso indevido de números ou falsificação da origem da ligação (prática conhecida como “spoofing”).
- Proteção ao consumidor: Reduzir o número de chamadas abusivas e golpes.
- Responsabilização: Garantir que todos os agentes envolvidos na cadeia de envio de chamadas e mensagens sejam identificados e, se necessário, punidos.
Por que a medida é importante
Volume alarmante de chamadas abusivas
Segundo dados de mercado, o brasileiro recebe, em média, 33 ligações não solicitadas por mês. Esse número coloca o país entre os líderes mundiais em telemarketing abusivo.
Golpes e fraudes
Fraudes telefônicas crescem na mesma proporção, explorando a falta de controle sobre o volume e a origem das chamadas. Criminosos utilizam números falsos para se passar por bancos, empresas e órgãos públicos.
Impacto na produtividade
Chamadas repetitivas e indesejadas afetam a produtividade de trabalhadores e empresas, além de gerar desconforto para consumidores.
Como a autenticação pode ajudar
Redução de spoofing
O spoofing é a técnica usada para mascarar o número real de origem de uma ligação, muitas vezes exibindo um DDD local para aumentar a chance de atendimento. Com a autenticação obrigatória, essa prática fica mais difícil, pois a origem real será validada.
Bloqueio mais rápido
Com o monitoramento em tempo real, a Anatel poderá interromper operações abusivas antes que causem impacto massivo nos consumidores.
Transparência para o usuário
Consumidores poderão identificar com mais clareza quem está ligando, decidindo de forma consciente se desejam ou não atender.
Medidas anteriores contra chamadas abusivas
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Essa não é a primeira ação da Anatel contra o telemarketing abusivo. Entre as iniciativas já adotadas estão:
- Código 0303: Prefixo obrigatório para chamadas de telemarketing ativo;
- Bloqueio de grandes chamadores: Suspensão temporária de empresas que excedem limites de chamadas curtas (até 3 segundos);
- Listas de bloqueio: Serviços que permitem ao consumidor cadastrar seu número para não receber chamadas de telemarketing.
O que as empresas devem fazer agora
Para se adequar, grandes chamadores precisarão:
- Implementar sistemas de autenticação compatíveis com as exigências da Anatel;
- Revisar suas operações para reduzir chamadas desnecessárias;
- Treinar equipes e fornecedores para cumprir as novas regras;
- Monitorar continuamente seus indicadores de conformidade.
Possíveis penalidades para descumprimento
O não cumprimento da exigência pode gerar:
- Advertências;
- Multas que podem chegar a milhões de reais;
- Suspensão de linhas e serviços;
- Bloqueio temporário de operações.
Orientação ao consumidor
Enquanto a autenticação universal não está em vigor, o consumidor pode:
- Utilizar aplicativos de bloqueio de chamadas;
- Registrar número no serviço Não Me Perturbe;
- Denunciar chamadas abusivas no site ou telefone da Anatel (1331);
- Desconfiar de ligações solicitando dados pessoais ou bancários.
Perspectivas para o futuro
A meta da Anatel é que, em até três anos, todas as chamadas telefônicas — independentemente de origem e volume — tenham autenticação obrigatória. Isso representará um marco no combate a práticas abusivas e fraudes no país, aproximando o Brasil de padrões internacionais de segurança nas telecomunicações.
Especialistas do setor avaliam que a medida pode inspirar novos modelos de autorregulação e incentivar a adoção de tecnologias mais seguras pelas empresas.
Considerações finais
A exigência de autenticação para empresas que fazem mais de 500 mil ligações mensais é um passo significativo no combate ao telemarketing abusivo e a golpes via telefone.
Embora o prazo inicial de adequação seja de 90 dias, a Anatel já mira uma transformação estrutural no setor, com a meta de implementar a autenticação universal em três anos.
Para o consumidor, a medida representa mais segurança e menos incômodo. Para as empresas, será necessário investir em tecnologia e compliance para continuar operando dentro das regras.
