A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está avaliando mudanças nas regras de comercialização de medicamentos análogos ao GLP-1, como Ozempic e Wegovy. Popularmente utilizados para tratar diabetes tipo 2 e obesidade, esses remédios são classificados como tarja vermelha, o que requer prescrição médica. Entretanto, especialistas apontam falhas no controle da venda, permitindo a aquisição indevida.
Anvisa estuda endurecer regras para compra de Ozempic e similares
Anvisa analisa novas regras para medicamentos GLP-1, como Ozempic, exigindo retenção de receita médica. Confira os detalhes.
Dados revelam que o consumo desses medicamentos cresceu de forma exponencial nos últimos anos, gerando preocupações quanto ao uso indiscriminado, especialmente para fins estéticos. Para combater esse cenário, a Anvisa estuda tornar obrigatória a retenção da receita médica nas farmácias.
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Crescimento no consumo de análogos do GLP-1 no Brasil

Dados recentes da IQVIA indicam que, em 2024, foram comercializadas mais de 3 milhões de unidades de Ozempic no Brasil. O volume representa um aumento de 663% nos últimos seis anos. Além disso, o mercado de medicamentos agonistas de GLP-1 movimentou mais de R$ 4 bilhões em 2024.
Embora projetem benefícios significativos para pacientes com diabetes tipo 2 e obesidade, esses medicamentos também são usados de forma inadequada para emagrecimento estético. Esse uso não autorizado tem alimentado a alta demanda, impactando diretamente os estoques e os preços desses remédios.
Impactos da nova regulamentação proposta pela Anvisa
A proposta da Anvisa busca atualizar as normas da resolução 471 de 2021, mantendo os medicamentos como tarja vermelha, mas com a exigência de retenção de receita. Especialistas defendem que essa medida ajudará a restringir o uso indevido de medicamentos como Ozempic, porém, o setor farmacêutico já sinalizou resistência, prevendo possíveis perdas financeiras.
De acordo com o deputado Dr. Francisco (PT-PI), relator do Projeto de Lei 2.115/2024, o objetivo é encontrar um equilíbrio entre segurança no consumo e acesso ao tratamento. Ele destacou que a retenção da receita pode reduzir a compra irresponsável desses medicamentos, preservando sua finalidade terapêutica.
Por outro lado, representantes da indústria farmacêutica argumentam que a medida pode ser ineficaz no combate ao uso inadequado e ainda prejudicar pacientes que dependem desses remédios.
Riscos do uso indevido de medicamentos para emagrecimento
O presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO), Bruno Halpern, alertou sobre os perigos associados ao uso indevido de medicamentos como Ozempic. Segundo ele, o uso para fins estéticos pode causar problemas graves de saúde, incluindo pancreatite e outras complicações.
“É essencial diferenciar o tratamento da obesidade do desejo social de emagrecer. Esses medicamentos são desenvolvidos para tratar uma doença crônica, não para atender à demanda estética de perder alguns quilos”, afirmou Halpern em entrevista.
Além disso, dados do sistema VigiMed revelam que, entre 2012 e 2024, foram registradas 1.165 notificações de suspeitas de eventos adversos relacionadas a medicamentos como liraglutida, dulaglutida e semaglutida.
Discussões na Câmara e audiência pública
O tema ganhou destaque em audiência pública realizada em 11 de dezembro, com a participação da Anvisa, deputados, e representantes do setor farmacêutico. Solicitada pelo deputado Dr. Francisco, a reunião discutiu a viabilidade da retenção de receita para medicamentos agonistas do GLP-1, como Ozempic.
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Durante o debate, o deputado Fábio Teruel (MDB-SP), autor do projeto de lei, enfatizou a necessidade de regras mais rígidas para proteger os pacientes. A Anvisa, por sua vez, destacou que a regulamentação busca garantir o uso adequado desses medicamentos, alinhando-se às legislações vigentes, como a lei 5.991/1973 e a resolução 44/2009.
Segurança e acessibilidade em foco

A revisão das normas para venda de medicamentos análogos ao GLP-1, como Ozempic, é essencial para conter o uso inadequado e proteger a saúde pública. Apesar da resistência do setor farmacêutico, a proposta da Anvisa reforça a importância de um controle mais rigoroso, garantindo que esses medicamentos sejam usados para os fins corretos.
Enquanto isso, o debate entre autoridades, profissionais da saúde e representantes do setor continua, buscando soluções que equilibrem segurança e acessibilidade para os pacientes brasileiros.
Dicas para cuidar da saúde e usar medicamentos com responsabilidade
Para evitar problemas de saúde e garantir o uso seguro de medicamentos, é fundamental seguir algumas orientações. Sempre consulte um médico antes de iniciar qualquer tratamento e nunca utilize medicamentos sem prescrição, mesmo que sejam amplamente divulgados como o Ozempic.
Mantenha uma rotina saudável, incluindo alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos e acompanhamento médico periódico. Em caso de dúvidas sobre os efeitos colaterais ou contraindicações de um remédio, busque orientação profissional e nunca compartilhe medicamentos com outras pessoas. Essas medidas simples ajudam a prevenir complicações e promovem o bem-estar de forma segura e sustentável.
Imagem: Divulgação

