A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu início, na quarta-feira, 10, a um novo ciclo de gestão com a posse oficial de três novos diretores. A cerimônia, realizada em Brasília, contou com a participação de autoridades do setor da saúde, representantes do Congresso e servidores da agência.
Com rigor técnico à frente, nova diretoria da Anvisa assume e promete acelerar processos
Anvisa inicia nova fase com Leandro Safatle na presidência e promete agilidade na análise de medicamentos com rigor técnico.
O economista Leandro Pinheiro Safatle assume o comando da presidência da Anvisa, enquanto os especialistas Daniela Marreco Cerqueira e Thiago Lopes Cardoso Campos passam a ocupar vagas na Diretoria Colegiada, substituindo os ex-diretores Meiruze Sousa Freitas e Alex Machado Campos. A mudança ocorre em um momento delicado para a agência, em meio a pressões políticas e institucionais por mais rapidez nos processos regulatórios e na análise de medicamentos.
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Sabatina no Senado e primeira reunião extraordinária
Os novos nomes da Anvisa foram aprovados pelo Senado em 19 de agosto de 2025, após sabatina nas comissões temáticas da Casa. Já no mesmo dia da posse, os três participaram da primeira reunião extraordinária da nova diretoria colegiada, na qual foram definidas as funções de cada diretor:
- Leandro Safatle: diretor-presidente da Anvisa
- Thiago Lopes Cardoso Campos: responsável pela Quinta Diretoria
- Daniela Marreco Cerqueira: assume a Terceira Diretoria
A nova configuração da diretoria visa dar continuidade ao trabalho regulatório com foco em transparência, diálogo e eficiência, conforme destacaram os recém-empossados.
Críticas públicas de Lula geraram tensão institucional
A reformulação na Anvisa ocorre logo após declarações críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cobrou maior agilidade da agência. Durante a inauguração de uma nova fábrica farmacêutica em São Paulo, no final de agosto, Lula afirmou que o ritmo de aprovação de novos medicamentos precisa ser acelerado e que a burocracia pode comprometer o acesso da população a tratamentos modernos.
“Tem que parar de tanta demora, de tanta exigência, e pensar na saúde das pessoas”, afirmou Lula em tom incisivo.
As críticas geraram desconforto entre os servidores e levaram o então presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, a reagir com firmeza. Em uma carta aberta, Barra Torres defendeu a atuação técnica da agência e citou a falta de pessoal como um dos principais entraves para acelerar a liberação de novos medicamentos e insumos.
“Os quadros da Anvisa seguem comprometidos com o interesse público. Durante a pandemia, muitos servidores arriscaram suas vidas em nome da saúde da população”, escreveu Barra Torres.
Leandro Safatle: compromisso com ciência, transparência e eficiência
Ao assumir a presidência da Anvisa, Leandro Safatle, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, fez um discurso em tom conciliador e técnico. Ele destacou que a ciência continuará sendo o pilar central das decisões regulatórias da agência, mas afirmou também que há margem para melhorar a eficiência interna, sem comprometer a segurança dos processos.
“A nossa missão é garantir o acesso seguro e rápido a produtos e tecnologias em saúde. Vamos atuar com transparência, escuta ativa e foco na melhoria contínua”, declarou.
Safatle reconheceu os desafios enfrentados pela autarquia e afirmou que a autonomia institucional será fortalecida, mesmo diante das pressões externas.
Thiago Lopes: valorização dos servidores e diálogo com estados e sociedade civil
Outro nome que se destacou durante a cerimônia foi o de Thiago Lopes Cardoso Campos, agora à frente da Quinta Diretoria. Em sua fala, ele enfatizou a importância de ampliar o diálogo com os entes federativos, sociedade civil e, principalmente, os servidores da casa.
“A força da Anvisa está no seu corpo técnico. É fundamental que cada servidor se veja como parte estratégica das decisões”, afirmou Lopes.
Ele defendeu a criação de canais permanentes de escuta com estados e municípios, visando à implementação mais eficaz das normas sanitárias em todo o território nacional. Para ele, descentralização e diálogo são fundamentais para o fortalecimento da saúde pública.
Daniela Marreco: foco na integridade e no rigor regulatório

Já a nova diretora da Terceira Diretoria, Daniela Marreco Cerqueira, especialista em vigilância sanitária, reforçou seu compromisso com a integridade técnica da Anvisa e com o fortalecimento dos processos internos.
Daniela destacou que um dos principais desafios é equilibrar a celeridade nas análises regulatórias com o rigor metodológico e legal que confere legitimidade às decisões da Anvisa.
“O acesso à inovação e à saúde de qualidade passa pela confiança da população na atuação da agência. Essa confiança só é possível com base em critérios técnicos, claros e objetivos”, disse.
Perspectivas da nova gestão: o que esperar?
A entrada de novos diretores e a saída de figuras centrais da gestão anterior indicam uma mudança de estilo, embora os compromissos com a autonomia regulatória e a centralidade da ciência permaneçam.
A Anvisa deve priorizar os seguintes eixos na nova fase:
1. Agilidade nos processos
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- Revisão dos fluxos internos para reduzir prazos de análise.
- Digitalização de procedimentos e automação de tarefas repetitivas.
- Ampliação da cooperação com agências internacionais, para reconhecimento mútuo de registros.
2. Fortalecimento institucional
- Busca por reforço orçamentário e reposição de pessoal técnico.
- Ações para proteger a agência contra interferências indevidas.
- Desenvolvimento de políticas de integridade e governança.
3. Comunicação com a sociedade
- Maior transparência nas decisões, com divulgação clara de critérios.
- Consulta pública mais acessível e participação ativa de usuários e entidades.
- Reforço da presença da Anvisa nas redes sociais e canais oficiais.
Os desafios imediatos da nova diretoria
Apesar da sinalização de abertura ao diálogo, os novos dirigentes terão que lidar com desafios urgentes, como:
- A fila de medicamentos e insumos à espera de registro.
- O aperfeiçoamento da vigilância de alimentos ultraprocessados e aditivos químicos.
- A regulação de novos produtos como cannabis medicinal, dispositivos médicos de inteligência artificial e biológicos inovadores.
- O combate à pressão política e econômica por decisões aceleradas sem lastro técnico.
A pressão do governo federal por celeridade, os interesses da indústria farmacêutica, o controle social da sociedade civil e a necessidade de manter a credibilidade técnica formarão um cenário desafiador para a gestão de Safatle e seus colegas.
Anvisa e o papel estratégico na saúde brasileira

A Anvisa é uma das agências reguladoras mais influentes do país, responsável por atividades que impactam diretamente a vida da população, como:
- Liberação de medicamentos e vacinas
- Controle sanitário de alimentos e cosméticos
- Autorização de pesquisas clínicas
- Regulação de produtos para saúde, como próteses, testes diagnósticos e equipamentos médicos
- Fiscalização de portos, aeroportos e fronteiras
Sua atuação durante a pandemia de Covid-19 foi considerada referência internacional em termos de transparência, tecnicidade e agilidade, mesmo com escassez de recursos humanos.
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