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Glitter na comida? Confeiteiras entram em alerta após Anvisa barrar plástico comestível

A Anvisa proibiu o uso de glitters com plástico em alimentos. Entenda a decisão, os riscos e o impacto para confeiteiras. Saiba mais!

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos6 min de leitura
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A Anvisa emitiu um comunicado nacional sobre o uso de “glitters comestíveis” após viralizar nas redes sociais um vídeo que questionava a segurança desses produtos.
O alerta veio depois que o influenciador Dario Centurione, do canal Almanaque SOS, mostrou que muitos glitters vendidos como comestíveis contêm plástico em sua composição.

A gravação, com mais de 4 milhões de visualizações, levou confeiteiras de todo o país a reverem o uso do material. A Anvisa reforçou que plásticos, como o polipropileno (PP), são proibidos em alimentos — sejam eles industrializados ou artesanais. Continue a leitura para entender os impactos da decisão e as alternativas seguras para o setor de confeitaria.

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Entenda a decisão da Anvisa sobre o glitter comestível

Em nota pública, a Anvisa esclareceu que o uso de materiais plásticos é permitido apenas em itens decorativos não comestíveis, como embalagens e acessórios de festas.
O órgão também informou que notificou Vigilâncias Sanitárias locais para mapear e fiscalizar estabelecimentos que utilizam o produto indevidamente.

O comunicado repercutiu amplamente no setor. Cristiane Porfirio, dona da Velvet Cakes, em São Paulo, relatou ter descoberto que os glitters usados em seus bolos continham polipropileno.
“Assim que vi a publicação, fui checar todas as embalagens e constatei que era verdade. Suspendi o uso imediatamente e comuniquei os clientes”, afirmou.

A empreendedora explica que o problema ocorre porque as lojas expõem produtos comestíveis e não comestíveis lado a lado, confundindo os consumidores. Segundo ela, até mesmo fabricantes e instrutores de cursos de confeitaria indicavam esses glitters como seguros para uso em doces.

Impactos para confeiteiras e busca por alternativas seguras

Após o alerta da Anvisa, várias confeitarias decidiram suspender o uso de glitter industrializado em suas receitas.
A confeiteira Tati Silva, de Viçosa (MG), diz que a decisão é uma questão de responsabilidade com o cliente. “Prefiro perder vendas do que colocar em risco a saúde de alguém”, afirma.

Outras profissionais, como Carla Gomes, da Flor de Mel Doces e Artes, em Itapevi (SP), já vinham produzindo glitter artesanal com insumos comestíveis. “Passei a fazer o meu próprio glitter em 2023, quando não encontrava as cores que precisava. Agora vejo que foi a melhor decisão”, diz.

Alternativas seguras ao glitter industrializado

A instrutora de confeitaria do Senac EAD, Celizet Kamei, orienta que as confeiteiras que desejam continuar decorando doces com brilho devem produzir glitter com ingredientes naturais.

Entre as combinações seguras, ela recomenda:

  • Amido de milho, água e corante alimentício em gel;
  • Gelatina em pó e corante alimentício;
  • Gelatina em folha, álcool de cereais e corante em gel;
  • Açúcar cristal e amido, com corante alimentício.

Segundo Kamei, o glitter artesanal mantém o brilho, não compromete o sabor e é totalmente seguro. O material deve ser aplicado apenas em superfícies secas, evitando que se dissolva com a umidade.

A profissional reforça que, além da segurança, produzir o próprio glitter reduz custos e pode se tornar uma oportunidade de negócio para pequenas empreendedoras.

Anvisa reforça fiscalização e riscos do uso irregular

A Anvisa destacou que o uso de glitters com plástico pode representar risco à saúde, já que o material não é digerido pelo organismo.
A ingestão repetida pode causar irritações gastrointestinais e acúmulo de substâncias nocivas.

O órgão recomenda que consumidores e profissionais verifiquem a composição nos rótulos e denunciem produtos irregulares.
Itens que se apresentam como “comestíveis” mas contêm polímeros plásticos estão sujeitos à interdição imediata e recolhimento.

Consequências legais e responsabilidade das confeitarias

De acordo com a advogada Mariana Barros Mendonça, especialista em Direito do Consumidor, o alerta da Anvisa também tem implicações jurídicas.
Ela explica que confeitarias podem ser responsabilizadas objetivamente se colocarem à venda produtos que ofereçam riscos à saúde, mesmo que não saibam da irregularidade.

“As penalidades previstas no Código de Defesa do Consumidor incluem multa, interdição e apreensão dos produtos”, afirma Mendonça.
Segundo a especialista, cabe às empresas manter notas fiscais, laudos técnicos e rótulos que comprovem a regularidade dos insumos utilizados.

O consumidor, por sua vez, tem o direito de solicitar informações detalhadas sobre o glitter usado nos alimentos. Caso o produto esteja irregular, é possível denunciar ao Procon ou à Anvisa.

Como registrar reclamações e proteger o consumidor

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Se um produto for vendido como comestível, mas contiver substâncias proibidas pela Anvisa, o cliente pode agir de três maneiras:

  1. Registrar denúncia no Procon, apresentando nota fiscal ou embalagem;
  2. Notificar a Anvisa ou a Vigilância Sanitária local, relatando o produto irregular;
  3. Acionar judicialmente fabricante e fornecedor em caso de prejuízo financeiro ou dano à saúde.

A advogada orienta que confeitarias revisem imediatamente seus insumos e suspendam o uso de qualquer material suspeito até confirmação de segurança.
“Transparência e rastreabilidade são fundamentais. Mostrar que a confeitaria age com diligência reduz o risco de penalidades e fortalece a confiança do cliente”, reforça.

Reflexos no setor e conscientização crescente

O episódio provocou uma onda de conscientização entre confeiteiras, que agora buscam receitas caseiras e ingredientes certificados.
Vídeos ensinando a fazer glitter comestível ganharam popularidade nas redes sociais — alguns ultrapassam 3 milhões de visualizações no Instagram.

Nos comentários, profissionais compartilham receitas, dicas e alertas sobre rótulos enganosos. “Agora a confeiteira tem que fazer bolo, doce, recheio e até o glitter”, ironizou uma seguidora.

Embora a situação tenha causado preocupação, especialistas acreditam que a atuação da Anvisa reforça a importância da educação sanitária e da fiscalização contínua no setor de alimentos artesanais.

A decisão da Anvisa de barrar o uso de glitters com plástico em alimentos trouxe um alerta importante para o segmento de confeitaria.
A medida visa proteger a saúde do consumidor e incentivar a responsabilidade profissional na escolha de insumos.
Com criatividade e informação, confeiteiras têm transformado o desafio em oportunidade — adotando alternativas seguras, sustentáveis e regulamentadas para manter o brilho dos doces, sem riscos.

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Com informações de: PEGN

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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