A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta terça-feira (27), a proibição da venda e o recolhimento de duas novas marcas de azeite comercializadas no Brasil. As marcas La Ventosa e Santoniri passaram a integrar a lista de produtos com comercialização suspensa, elevando para seis o número total de marcas proibidas apenas neste mês de maio.
Por que a Anvisa determinou o recolhimento de 6 marcas de azeite no país?
Anvisa proíbe a venda dos azeites La Ventosa e Santoniri por irregularidades no CNPJ e soma seis marcas suspensas por suspeita de produtos clandestinos.
A decisão ocorre em meio à alta no preço do azeite de oliva, o que, segundo autoridades sanitárias, pode estimular a entrada de produtos de origem duvidosa no mercado. A medida da Anvisa visa proteger a saúde do consumidor e garantir a conformidade das marcas com os padrões exigidos para alimentos no país.
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Motivos da suspensão: CNPJs irregulares e origem desconhecida

CNPJs suspensos na Receita Federal
As marcas La Ventosa e Grego Santoniri foram retiradas do mercado por apresentarem inconsistências cadastrais nos CNPJs informados nos rótulos. Segundo a Anvisa, os CNPJs das embaladoras — Caxias Comércio de Gêneros Alimentícios (La Ventosa) e Intralogística Distribuidora Concept (Santoniri) — constam como suspensos na Receita Federal, o que impede a verificação da origem dos produtos.
Produtos sem rastreabilidade
De acordo com o comunicado oficial, a suspensão se baseia na impossibilidade de rastrear a procedência dos produtos, o que compromete a segurança alimentar. Sem registro sanitário e com documentação fiscal irregular, os azeites passam a ser considerados clandestinos.
Riscos ao consumidor
A Anvisa alerta que, nesses casos, não há garantia de que o conteúdo do produto corresponda ao descrito na rotulagem, o que representa um risco potencial à saúde pública. A recomendação aos consumidores é clara: não consumir os azeites La Ventosa e Santoniri sob nenhuma circunstância.
Outras marcas já estavam suspensas
Quatro marcas retiradas anteriormente
Antes da decisão envolvendo La Ventosa e Santoniri, a Anvisa já havia proibido a comercialização de outras quatro marcas:
- Quintas D’Oliveira
- Alonso
- Escarpas de Oliveira
- Almazara
Denúncia do Ministério da Agricultura
Essas quatro marcas foram alvo de denúncia encaminhada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que identificou a circulação de azeites clandestinos — ou seja, produtos que não passaram por controle de qualidade, registro ou verificação da origem.
O Mapa, responsável pela fiscalização da cadeia produtiva de óleos vegetais no Brasil, informou à Anvisa que as marcas não estão cadastradas oficialmente como produtoras ou importadoras autorizadas de azeite.
Medidas orientadas aos comerciantes
Como agir com produtos já estocados
A Anvisa orienta que supermercados e comércios em geral identifiquem e separem imediatamente os produtos suspensos. A medida evita autuações sanitárias e permite o recolhimento seguro dos itens.
As empresas devem comunicar a Vigilância Sanitária Municipal, responsável pelo monitoramento local, para a adoção das providências cabíveis, incluindo remoção do estoque e descarte adequado.
Evitar penalidades
A agência esclarece que comerciantes que colaborarem com o recolhimento voluntário não serão penalizados, desde que notifiquem as autoridades e evitem novas vendas.
A comercialização desses produtos configura infração sanitária e está sujeita a multa e outras sanções previstas em lei, caso não seja cumprida a determinação de forma voluntária.
Impactos no mercado e nos consumidores

Preocupação com fraudes e qualidade
A suspensão de seis marcas de azeite em menos de um mês acende um alerta sobre a fragilidade no controle da cadeia de distribuição desse tipo de produto. O azeite de oliva, considerado item nobre nas cozinhas brasileiras, está entre os alimentos mais sujeitos a fraudes e adulterações, segundo relatórios internacionais.
Com a valorização do produto no mercado internacional, especialmente em função da crise climática em países produtores como Espanha e Portugal, o preço médio do azeite aumentou significativamente. Isso pode abrir espaço para oportunistas que tentam vender óleos de baixa qualidade disfarçados de azeite legítimo.
Dificuldade de identificação pelo consumidor
Muitos consumidores não conseguem diferenciar, apenas pela embalagem, um azeite autêntico de um azeite adulterado ou clandestino. Rótulos sofisticados, menções a origens europeias e nomes que evocam tradição mediterrânea são, muitas vezes, utilizados de forma enganosa por fabricantes sem registro.
Como identificar um azeite regularizado?
Verifique o CNPJ e a origem
Uma das maneiras mais simples de checar a legalidade de um produto é consultar o CNPJ informado no rótulo no site da Receita Federal. CNPJs inativos ou suspensos são sinal vermelho para irregularidades.
Presença de selo do Mapa
Azeites regulares devem conter o selo do Ministério da Agricultura (SIF/Mapa) e, quando importados, o nome e registro da empresa importadora também devem estar visíveis. Produtos sem essas informações não são confiáveis.
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Preço muito abaixo da média
Embora não seja regra absoluta, preços muito baixos podem indicar adulteração ou falsificação. A produção e importação de azeite legítimo têm custo elevado, e grandes discrepâncias devem levantar suspeitas.
O que fazer se você comprou um dos azeites suspensos?
Evite o consumo
Caso tenha adquirido uma das seis marcas suspensas, a orientação é não consumir o produto. Não se sabe qual a real composição do azeite, o que pode representar riscos à saúde, como reações alérgicas ou ingestão de substâncias impróprias.
Recolha voluntária
Consumidores devem retornar o produto ao ponto de venda ou entrar em contato com a Vigilância Sanitária Municipal para receber orientações sobre o descarte adequado.
Repercussão e posicionamento do setor

Indústria se manifesta
Entidades do setor alimentício defendem a medida da Anvisa como fundamental para preservar a credibilidade do azeite no Brasil. Em nota, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) afirmou que “a presença de produtos clandestinos no mercado prejudica tanto os consumidores quanto os produtores que operam legalmente”.
Expectativa por mais fiscalizações
Com a repercussão dos casos recentes, cresce a pressão por uma intensificação das fiscalizações e por maior transparência nos cadastros de empresas autorizadas a importar e embalar azeites no Brasil. A expectativa é de que mais marcas possam ser analisadas nos próximos meses.
Considerações finais
A decisão da Anvisa de proibir a comercialização de seis marcas de azeite — incluindo as recém-incluídas La Ventosa e Santoniri — é um passo decisivo na proteção da saúde pública e no combate à venda de produtos clandestinos.
Em um mercado onde o azeite de oliva ocupa espaço privilegiado na mesa do brasileiro, é fundamental garantir que o consumidor tenha acesso a produtos autênticos, seguros e de origem verificada.
O alerta serve também como um chamado à atenção de comerciantes, consumidores e órgãos de controle: a vigilância sanitária é responsabilidade compartilhada.
Em tempos de alta nos preços e baixa fiscalização, o risco de fraudes aumenta — e somente com rigor e transparência será possível preservar a integridade do mercado.
A recomendação segue clara: verifique a procedência, não compre por impulso e denuncie produtos suspeitos às autoridades competentes. A segurança alimentar começa com informação.
