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Anvisa alerta e manda recolher remédios falsos usados no tratamento de diabetes e pulmões

Anvisa apreende medicamentos falsificados no Brasil: falsificações dos remédios Rybelsus e Ofev representam riscos à saúde. Saiba como identificar e denunciar.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, nesta terça-feira (3), duas resoluções que determinam a apreensão de medicamentos falsificados com suposto uso para tratamento de diabetes tipo 2 e doenças pulmonares graves, como a fibrose pulmonar idiopática (FPI).

As falsificações envolvem os medicamentos Rybelsus e Ofev, amplamente utilizados em tratamentos clínicos especializados.

A medida reforça os alertas da agência sobre os riscos sanitários à população e a importância de adquirir medicamentos apenas em locais autorizados, com nota fiscal e embalagem lacrada.

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Falsificação de Rybelsus: risco para pacientes com diabetes tipo 2

Remédios anvisa
Imagem: Freepik

O que é o Rybelsus?

O Rybelsus é um medicamento oral indicado para o tratamento de diabetes tipo 2. Ele contém o princípio ativo semaglutida, um agonista do receptor do GLP-1, que atua controlando os níveis de açúcar no sangue. Fabricado pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, o remédio se tornou uma alternativa prática para pacientes que antes dependiam de injeções.

Lote falsificado

A falsificação identificada pela Anvisa refere-se ao lote M088499, que não pertence à Novo Nordisk. Isso significa que este lote jamais foi produzido pela empresa detentora do registro no Brasil, o que levanta graves suspeitas sobre sua composição, eficácia e segurança.

Potenciais riscos à saúde

O uso de medicamentos falsificados pode provocar:

  • Ausência de efeito terapêutico – comprometendo o controle glicêmico;
  • Intoxicações – em função de substâncias desconhecidas;
  • Agravamento da doença – já que o paciente acredita estar sendo tratado;
  • Reações adversas graves – dependendo da composição do produto falsificado.

A Anvisa reforça que o consumo do lote citado deve ser imediatamente suspenso por pacientes e profissionais da saúde.

Falsificação de Ofev: um risco adicional para pacientes com doenças pulmonares

anvisa
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O que é o Ofev?

Ofev é um medicamento da empresa Boehringer Ingelheim, indicado para:

  • Tratamento da fibrose pulmonar idiopática (FPI);
  • Controle da doença pulmonar intersticial associada à esclerose sistêmica (DPI-ES), também chamada de esclerodermia pulmonar.

Ele atua retardando a progressão da doença, melhorando a função respiratória e qualidade de vida dos pacientes.

Lote falsificado

No caso do Ofev, a Anvisa identificou que o lote 681522 não é reconhecido pela fabricante, o que também configura falsificação. A detecção partiu de processos de fiscalização e denúncia, indicando que o produto pode estar circulando entre consumidores desavisados.

Consequências do uso

A falsificação desse medicamento representa risco ainda mais grave, pois:

  • Trata-se de doença rara e progressiva;
  • A ausência de tratamento eficaz pode levar à morte em poucos anos;
  • O uso de produto falso pode acelerar a deterioração pulmonar;
  • Pode haver interações perigosas com outros fármacos.

Alerta oficial da Anvisa

A agência fez um comunicado enfático à população e aos profissionais de saúde:

“A Anvisa orienta que a população e os profissionais de saúde somente adquiram medicamentos em estabelecimentos devidamente regularizados, sempre na embalagem completa (dentro da caixa) e mediante emissão da nota fiscal.”

Esse alerta visa proteger consumidores contra crimes de falsificação que exploram pacientes vulneráveis em tratamentos contínuos e de alto custo.

Como identificar medicamentos falsificados

Dicas práticas da Anvisa

  1. Verifique a embalagem: o lacre deve estar intacto e conter as inscrições exigidas por lei.
  2. Cheque o número do lote: procure no site da fabricante ou entre em contato direto para confirmar a procedência.
  3. Desconfie de preços muito baixos: valores muito abaixo do mercado podem indicar falsificações.
  4. Observe o nome do fabricante e número do registro na Anvisa.
  5. Exija nota fiscal sempre.

Sistemas de denúncia

  • Profissionais de saúde devem registrar suspeitas pelo Notivisa, o sistema oficial da Anvisa.
  • Pacientes e demais cidadãos podem fazer denúncias por meio da plataforma FalaBR, pelo canal de Ouvidoria da Anvisa.

A rede ilegal de falsificação de medicamentos

Um problema de saúde pública

A falsificação de medicamentos representa um dos principais desafios regulatórios e sanitários globais. No Brasil, esse tipo de crime atinge tanto o mercado de medicamentos de uso contínuo quanto os de alto custo, aproveitando-se da fragilidade de pacientes e do crescimento das vendas online.

O papel da fiscalização

A Anvisa atua em parceria com:

  • Polícia Federal e Ministério da Justiça, em operações coordenadas;
  • Vigilâncias sanitárias estaduais e municipais, para retirar produtos falsos do mercado;
  • Fabricantes farmacêuticos, que notificam lotes falsos e ajudam na identificação visual das embalagens irregulares.

Consequências legais

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A comercialização de medicamentos falsificados é crime, previsto na Lei nº 9.605/1998 (Lei dos Crimes contra a Saúde Pública) e pode resultar em:

  • Pena de reclusão de 10 a 15 anos;
  • Multas severas;
  • Fechamento do estabelecimento envolvido.

Rybelsus e Ofev: o impacto da falsificação no sistema de saúde

Prejuízo à saúde e aos cofres públicos

A circulação de medicamentos falsos:

  • Prejudica tratamentos de alto custo financiados pelo SUS e planos de saúde;
  • Desacredita tratamentos modernos;
  • Aumenta os custos com internações de emergência;
  • Pode levar à morte evitável de pacientes que abandonam o tratamento real sem saber.

O efeito nos programas de controle

Pacientes que utilizam Ofev ou Rybelsus geralmente fazem parte de programas de monitoramento de doenças crônicas, o que exige acompanhamento rigoroso de resultados laboratoriais. A introdução de medicamentos falsos pode comprometer dados clínicos, mascarar falhas terapêuticas e atrasar diagnósticos.

Como se proteger de medicamentos falsificados

Medicamentos
Imagem: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Busque farmácias regularizadas

Dê preferência a:

  • Farmácias com CNPJ ativo e registro na Anvisa;
  • Estabelecimentos que ofereçam acompanhamento farmacêutico;
  • Plataformas online autorizadas pela agência reguladora.

Consulte antes de tomar

  • Consulte seu médico sempre que suspeitar da eficácia ou segurança do medicamento;
  • Em caso de reações adversas ou dúvidas, procure uma unidade básica de saúde ou posto farmacêutico.

Nunca aceite medicamentos de terceiros

Evite adquirir remédios por:

  • Grupos de redes sociais;
  • Pessoas desconhecidas;
  • Mercados paralelos, especialmente para tratamentos de alto custo.

Considerações finais

A apreensão dos medicamentos falsificados Rybelsus e Ofev representa mais uma ação contundente da Anvisa no combate ao mercado ilegal de remédios. O alerta emitido na última terça-feira (3) deve ser levado a sério por pacientes, médicos, farmacêuticos e toda a sociedade civil. O risco de consumir um produto falsificado vai além da ineficácia — pode custar vidas.

Em tempos em que a automedicação cresce e a busca por soluções rápidas ganha força na internet, o papel das autoridades sanitárias e da vigilância ativa da população torna-se fundamental para preservar a saúde pública.

Se você suspeita de um medicamento irregular, não utilize e denuncie. A saúde começa pela confiança nos canais oficiais e na procedência dos tratamentos.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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