A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, em publicação feita no Diário Oficial da União na quinta-feira, 17, a suspensão imediata da fabricação, distribuição, comercialização, divulgação e uso de todos os cosméticos e saneantes produzidos pela empresa Maxx Química e Sistemas de Limpeza Ltda. A medida foi tomada após uma inspeção minuciosa realizada entre 30 de setembro e 2 de outubro, que revelou falhas graves no cumprimento das Boas Práticas de Fabricação, estabelecidas pela RDC 48/2013.
Cosméticos de marca renomada é retirado pela Anvisa
Anvisa suspende produtos da Maxx Química após detectar falhas graves nas boas práticas de fabricação.
A decisão marca mais um capítulo no esforço contínuo da Anvisa para fortalecer a segurança do consumidor brasileiro e garantir que os produtos de higiene pessoal, cosméticos, perfumes e saneantes estejam em conformidade com os padrões técnicos e sanitários exigidos pela legislação.
Leia mais:
Anvisa suspende a venda de produtos feitos com Cannabis

Irregularidades constatadas durante inspeção
A fiscalização da Anvisa revelou que a Maxx Química operava de forma incompatível com os requisitos mínimos exigidos para a fabricação de cosméticos e produtos saneantes. As principais falhas apontadas foram:
- Ausência de controle adequado sobre o processo de produção;
- Falta de rastreabilidade de matérias-primas e lotes produzidos;
- Inadequações em procedimentos de limpeza e higienização;
- Armazenamento incorreto de insumos e produtos acabados;
- Documentação técnica incompleta ou desatualizada.
Esses fatores configuram descumprimento direto da RDC nº 48/2013, que trata das Boas Práticas de Fabricação para Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes, e comprometem a eficácia, segurança e qualidade dos produtos fabricados pela empresa.
O que diz a RDC 48/2013?
A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 48/2013, em vigor desde setembro de 2013, define os critérios mínimos que todas as empresas do setor cosmético devem seguir para operar legalmente no Brasil. Entre os principais requisitos estão:
- Garantia de infraestrutura adequada, com instalações sanitárias compatíveis com a produção;
- Implementação de um Sistema da Qualidade eficaz;
- Validação de processos e métodos analíticos;
- Treinamento contínuo de pessoal;
- Procedimentos para controle de mudanças, desvios e não conformidades.
A não observância dessas exigências pode colocar os consumidores em risco e levar à suspensão das atividades, como ocorreu no caso da Maxx Química.
Impactos imediatos para a empresa
A decisão da Anvisa implica na proibição total das atividades de fabricação e comercialização da Maxx Química, afetando diretamente:
- Cosméticos e produtos de higiene pessoal;
- Saneantes (produtos de limpeza e desinfecção);
- Divulgação e promoção comercial desses produtos.
Além disso, os estoques existentes devem ser retirados do mercado até que a empresa regularize sua situação junto à agência, mediante adequação completa às normas de boas práticas. A suspensão também visa impedir que novos produtos potencialmente inseguros sejam introduzidos no mercado.
Site fora do ar
Na manhã seguinte à publicação da medida, o site oficial da Maxx Química estava fora do ar, dificultando o acesso a informações institucionais e catálogos de produtos. Ainda não há posicionamento público da empresa sobre a suspensão.
Risco ao consumidor e ação preventiva

A medida da Anvisa tem caráter preventivo e protetivo, mesmo sem relatos oficiais de efeitos adversos provocados pelos produtos da Maxx Química. No entanto, o descumprimento dos procedimentos básicos de segurança sanitária é, por si só, motivo suficiente para impedir a continuidade das operações.
A exposição a cosméticos ou saneantes contaminados, mal formulados ou com formulações irregulares pode provocar:
- Irritações e alergias cutâneas;
- Infecções de pele e mucosas;
- Inalação de substâncias tóxicas em saneantes domésticos;
- Danos a longo prazo ao sistema respiratório ou imunológico, em casos graves.
Anvisa também mira produtos sem registro
Na mesma edição do Diário Oficial, a Anvisa determinou a apreensão e proibição da venda de cosméticos comercializados por empresas sem registro, reforçando sua atuação contra o mercado informal de beleza.
Produtos proibidos incluem:
- Dexe Hair Building Fibers (fibras capilares para disfarce de calvície);
- Maycheer Pang Pang Hair Shadow (maquiagem para cobertura de falhas no couro cabeludo).
Esses produtos estavam sendo vendidos sem registro ou notificação junto à Anvisa, o que significa que não passaram por avaliação técnica quanto à sua segurança, eficácia ou composição.
Como a Anvisa garante a segurança dos cosméticos no Brasil?
A atuação da Anvisa é baseada em três pilares fundamentais:
1. Regulação e normatização
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
A agência estabelece as normas técnicas, sanitárias e legais que regem o setor de cosméticos e saneantes, como a RDC 48/2013. Também determina os limites de ingredientes, exigências de rotulagem e critérios de comercialização.
2. Fiscalização e inspeção
A Anvisa realiza inspeções periódicas em empresas fabricantes, importadoras e distribuidoras, além de monitorar produtos por meio de denúncias, testes laboratoriais e recolhimentos.
3. Ação corretiva e penalizações
Quando detecta descumprimento das normas, a agência pode adotar medidas como:
- Suspensão de atividades;
- Apreensão de produtos;
- Interdição de estabelecimentos;
- Aplicação de multas e sanções administrativas.
O que os consumidores devem fazer?
A Anvisa orienta os consumidores a:
- Verificar o rótulo dos produtos e a existência de número de registro ou notificação;
- Consultar a regularidade do produto no portal da Anvisa;
- Evitar o uso de produtos cuja procedência seja desconhecida ou que estejam fora das normas;
- Notificar qualquer reação adversa ao uso de cosméticos, perfumes ou produtos de limpeza por meio do sistema Notivisa;
- Guardar embalagens e notas fiscais para facilitar investigações, se necessário.
Reações do setor e próximos passos

O setor de higiene e cosméticos é um dos mais dinâmicos e regulados do Brasil, e medidas como essa reforçam a importância do cumprimento rigoroso das normas sanitárias.
Até o momento, a Maxx Química não se pronunciou oficialmente sobre a decisão da Anvisa. Especialistas acreditam que a empresa precisará passar por uma reformulação completa em seus processos, incluindo:
- Contratação de consultorias regulatórias;
- Investimentos em infraestrutura;
- Treinamento de equipes;
- Auditorias internas e externas.
Só após comprovar essas mudanças é que a empresa poderá requerer o restabelecimento das atividades, mediante nova avaliação da Anvisa.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
