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Cosméticos de marca renomada é retirado pela Anvisa

Anvisa suspende produtos da Maxx Química após detectar falhas graves nas boas práticas de fabricação.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, em publicação feita no Diário Oficial da União na quinta-feira, 17, a suspensão imediata da fabricação, distribuição, comercialização, divulgação e uso de todos os cosméticos e saneantes produzidos pela empresa Maxx Química e Sistemas de Limpeza Ltda. A medida foi tomada após uma inspeção minuciosa realizada entre 30 de setembro e 2 de outubro, que revelou falhas graves no cumprimento das Boas Práticas de Fabricação, estabelecidas pela RDC 48/2013.

A decisão marca mais um capítulo no esforço contínuo da Anvisa para fortalecer a segurança do consumidor brasileiro e garantir que os produtos de higiene pessoal, cosméticos, perfumes e saneantes estejam em conformidade com os padrões técnicos e sanitários exigidos pela legislação.

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Irregularidades constatadas durante inspeção

A fiscalização da Anvisa revelou que a Maxx Química operava de forma incompatível com os requisitos mínimos exigidos para a fabricação de cosméticos e produtos saneantes. As principais falhas apontadas foram:

  • Ausência de controle adequado sobre o processo de produção;
  • Falta de rastreabilidade de matérias-primas e lotes produzidos;
  • Inadequações em procedimentos de limpeza e higienização;
  • Armazenamento incorreto de insumos e produtos acabados;
  • Documentação técnica incompleta ou desatualizada.

Esses fatores configuram descumprimento direto da RDC nº 48/2013, que trata das Boas Práticas de Fabricação para Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes, e comprometem a eficácia, segurança e qualidade dos produtos fabricados pela empresa.

O que diz a RDC 48/2013?

A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 48/2013, em vigor desde setembro de 2013, define os critérios mínimos que todas as empresas do setor cosmético devem seguir para operar legalmente no Brasil. Entre os principais requisitos estão:

  • Garantia de infraestrutura adequada, com instalações sanitárias compatíveis com a produção;
  • Implementação de um Sistema da Qualidade eficaz;
  • Validação de processos e métodos analíticos;
  • Treinamento contínuo de pessoal;
  • Procedimentos para controle de mudanças, desvios e não conformidades.

A não observância dessas exigências pode colocar os consumidores em risco e levar à suspensão das atividades, como ocorreu no caso da Maxx Química.

Impactos imediatos para a empresa

A decisão da Anvisa implica na proibição total das atividades de fabricação e comercialização da Maxx Química, afetando diretamente:

  • Cosméticos e produtos de higiene pessoal;
  • Saneantes (produtos de limpeza e desinfecção);
  • Divulgação e promoção comercial desses produtos.

Além disso, os estoques existentes devem ser retirados do mercado até que a empresa regularize sua situação junto à agência, mediante adequação completa às normas de boas práticas. A suspensão também visa impedir que novos produtos potencialmente inseguros sejam introduzidos no mercado.

Site fora do ar

Na manhã seguinte à publicação da medida, o site oficial da Maxx Química estava fora do ar, dificultando o acesso a informações institucionais e catálogos de produtos. Ainda não há posicionamento público da empresa sobre a suspensão.

Risco ao consumidor e ação preventiva

compra de cosméticos
Imagem: ADfoto / Shutterstock.com

A medida da Anvisa tem caráter preventivo e protetivo, mesmo sem relatos oficiais de efeitos adversos provocados pelos produtos da Maxx Química. No entanto, o descumprimento dos procedimentos básicos de segurança sanitária é, por si só, motivo suficiente para impedir a continuidade das operações.

A exposição a cosméticos ou saneantes contaminados, mal formulados ou com formulações irregulares pode provocar:

  • Irritações e alergias cutâneas;
  • Infecções de pele e mucosas;
  • Inalação de substâncias tóxicas em saneantes domésticos;
  • Danos a longo prazo ao sistema respiratório ou imunológico, em casos graves.

Anvisa também mira produtos sem registro

Na mesma edição do Diário Oficial, a Anvisa determinou a apreensão e proibição da venda de cosméticos comercializados por empresas sem registro, reforçando sua atuação contra o mercado informal de beleza.

Produtos proibidos incluem:

  • Dexe Hair Building Fibers (fibras capilares para disfarce de calvície);
  • Maycheer Pang Pang Hair Shadow (maquiagem para cobertura de falhas no couro cabeludo).

Esses produtos estavam sendo vendidos sem registro ou notificação junto à Anvisa, o que significa que não passaram por avaliação técnica quanto à sua segurança, eficácia ou composição.

Como a Anvisa garante a segurança dos cosméticos no Brasil?

A atuação da Anvisa é baseada em três pilares fundamentais:

1. Regulação e normatização

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A agência estabelece as normas técnicas, sanitárias e legais que regem o setor de cosméticos e saneantes, como a RDC 48/2013. Também determina os limites de ingredientes, exigências de rotulagem e critérios de comercialização.

2. Fiscalização e inspeção

A Anvisa realiza inspeções periódicas em empresas fabricantes, importadoras e distribuidoras, além de monitorar produtos por meio de denúncias, testes laboratoriais e recolhimentos.

3. Ação corretiva e penalizações

Quando detecta descumprimento das normas, a agência pode adotar medidas como:

  • Suspensão de atividades;
  • Apreensão de produtos;
  • Interdição de estabelecimentos;
  • Aplicação de multas e sanções administrativas.

O que os consumidores devem fazer?

A Anvisa orienta os consumidores a:

  • Verificar o rótulo dos produtos e a existência de número de registro ou notificação;
  • Consultar a regularidade do produto no portal da Anvisa;
  • Evitar o uso de produtos cuja procedência seja desconhecida ou que estejam fora das normas;
  • Notificar qualquer reação adversa ao uso de cosméticos, perfumes ou produtos de limpeza por meio do sistema Notivisa;
  • Guardar embalagens e notas fiscais para facilitar investigações, se necessário.

Reações do setor e próximos passos

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

O setor de higiene e cosméticos é um dos mais dinâmicos e regulados do Brasil, e medidas como essa reforçam a importância do cumprimento rigoroso das normas sanitárias.

Até o momento, a Maxx Química não se pronunciou oficialmente sobre a decisão da Anvisa. Especialistas acreditam que a empresa precisará passar por uma reformulação completa em seus processos, incluindo:

  • Contratação de consultorias regulatórias;
  • Investimentos em infraestrutura;
  • Treinamento de equipes;
  • Auditorias internas e externas.

Só após comprovar essas mudanças é que a empresa poderá requerer o restabelecimento das atividades, mediante nova avaliação da Anvisa.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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