A gestora Apex Capital, conhecida por seu foco fundamentalista e análises detalhadas de risco e retorno, tem preferido manter distância de uma das instituições mais tradicionais do país: o Banco do Brasil (BBAS3).
Apex Capital explica por que Banco do Brasil ainda não é prioridade no radar de investimentos
Apex Capital evita Banco do Brasil por incertezas nos lucros, mas vê potencial em bancos privados e empresas resilientes como Embraer e Klabin.
Em contraste, aposta fortemente em bancos privados e empresas com fluxo de caixa sólido e resiliência mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador.
Durante participação no podcast Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo, os sócios da gestora, Fábio Spínola e Paulo Weikert, revelaram as estratégias que orientam suas decisões.
Eles explicaram por que o Banco do Brasil está fora do portfólio — ao menos por enquanto — e apontaram quais setores estão atraindo a atenção dos gestores neste momento.
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Revisões de lucro ainda não terminaram
Apesar de reconhecerem que o BBAS3 é negociado a múltiplos historicamente baixos e com retorno sobre o patrimônio atrativo, os sócios da Apex alertam para a falta de previsibilidade nos lucros do banco estatal. Essa instabilidade tem pesado mais do que os números favoráveis de valuation.
“No início do ano, o mercado projetava R$ 40 bilhões de lucro. Agora está em R$ 25 bilhões e pode cair ainda mais — talvez para R$ 20 bilhões ou até R$ 18 bilhões”, explicou Paulo Weikert.
A contínua revisão negativa nas projeções de lucro impacta diretamente outro atrativo para investidores: os dividendos.
Risco de queda nos dividendos
Historicamente procurado por investidores pessoa física pelo seu generoso pagamento de dividendos, o Banco do Brasil pode deixar de ser tão interessante nesse aspecto se os lucros continuarem a cair.
“Se o lucro for para R$ 20 bilhões, o dividendo, que era de 11%, pode cair para 5%”, acrescentou Fábio Spínola.
Com menor previsibilidade de fluxo de caixa e dividendos, há receio de que investidores migrem para papéis mais estáveis, gerando pressão adicional sobre o preço da ação.
Cautela até que o cenário se estabilize
A Apex não descarta, no entanto, incluir o Banco do Brasil na carteira futuramente. A condição para isso é clara: estabilização nas projeções de lucro.
“Quando tivermos visibilidade de estabilização, pode ser um grande ponto de compra. Mas acreditamos que ainda não chegamos lá”, reforçou Weikert.
A preferência pelos bancos privados
O exemplo do Itaú: retorno consistente e previsível
Entre os bancos, a Apex destaca o Itaú Unibanco (ITUB4) como um exemplo de estabilidade e retorno atrativo. Segundo Spínola, mesmo com o papel valorizado, ele negocia a cerca de sete vezes o lucro estimado para 2026 e oferece dividendos próximos de 9% ao ano.
“É um case de carrego positivo: você recebe dividendos, vê crescimento e ainda tem geração de caixa forte”, avaliou Spínola.
A gestão do Itaú é vista como mais previsível, com menor exposição a decisões políticas, além de manter alta rentabilidade em diversos ciclos econômicos.
Bradesco ainda em observação
O Bradesco (BBDC4) também foi citado como referência, mas com menor empolgação do que o Itaú. A Apex ainda monitora seus indicadores de eficiência, inadimplência e recuperação de margens antes de ampliar posição.
Estratégia da Apex Capital: paciência e visão de longo prazo
Empresas sólidas, mesmo com Bolsa de lado
Para os gestores, o investidor que mira o longo prazo precisa entender que nem sempre o índice Ibovespa reflete o potencial das empresas individuais.
“Mesmo que o índice não ande, empresas sólidas que entregam lucros ano a ano acumulam valor. E quando o ambiente melhora, o múltiplo sobe e o ganho vem dobrado”, afirmou Spínola.
Essa abordagem exige paciência e disciplina, já que muitos dos retornos mais expressivos acontecem em curtos períodos de reprecificação, após longos períodos de estabilidade.
Perfil ideal: paciência e estômago
Segundo Weikert, é fundamental que o investidor esteja preparado para manter o dinheiro alocado por anos, resistindo à tentação de realizar lucros ou reagir a ruídos de curto prazo.
“É preciso ter estômago para ficar posicionado mesmo quando parece que nada está acontecendo”, pontuou o gestor.
Setores evitados: commodities e dependência externa
Afastamento de empresas ligadas à demanda chinesa
A Apex tem evitado setores fortemente ligados ao cenário externo, como mineração e petróleo, devido à volatilidade e baixa previsibilidade.
“O balanço de oferta e demanda de minério de ferro, por exemplo, está desfavorável. A China não deve crescer tanto e a oferta está aumentando”, explicou Weikert.
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A gestora prefere ativos domésticos, menos expostos a fatores que não podem ser controlados, como decisões de política industrial da Ásia ou oscilações do petróleo no Oriente Médio.
Klabin como exceção entre as commodities
Resiliência do mercado interno e caixa robusto
Apesar da aversão geral às commodities, a Klabin (KLBN11) foi incluída recentemente no portfólio da Apex. A empresa se diferencia pelo perfil de receita mais atrelado ao mercado interno e pela capacidade de gerar caixa mesmo em cenários adversos.
“Ela tem um free cash flow yield superior a 12% projetado para 2025”, destacou Spínola.
A capacidade de converter lucros em caixa, mesmo com oscilação nos preços da celulose, torna a Klabin uma rara exceção no setor.
Embraer: inovação e estabilidade em um mesmo pacote

Receita diversificada e pedidos em carteira
Outro nome forte no radar da gestora é a Embraer (EMBR3). A fabricante de aeronaves vem sendo destaque na carteira da Apex pela combinação de inovação, backlog robusto e receita estável.
“Cerca de 40% da receita da Embraer vem de serviços, o que dá estabilidade e previsibilidade”, comentou Spínola.
A empresa enfrentou forte volatilidade após a elevação temporária do imposto de importação — de 10% para 50% — como parte de uma guerra tarifária. Com a reversão da medida, os papéis reagiram positivamente.
Potencial de valorização no médio prazo
Mesmo com o risco pontual, os gestores acreditam que o case da Embraer continua sólido. A empresa negocia perto de 10 vezes o EBITDA, possui diversificação geográfica e um portfólio de produtos competitivo no mercado global de aviação.
“É um caso em que conseguimos aliar qualidade com potencial de retorno consistente”, concluiu Weikert.
Conclusão: foco em fundamentos e timing estratégico
A análise da Apex Capital revela uma filosofia clara: buscar qualidade, previsibilidade e geração de valor no longo prazo. O Banco do Brasil, apesar de atraente em múltiplos, ainda carrega incertezas demais sobre seus lucros, o que adia sua entrada na carteira da gestora.
Enquanto isso, a Apex mantém posição em bancos privados sólidos, empresas resilientes como Klabin e oportunidades de inovação com previsibilidade, como a Embraer.
O cenário exige cautela, mas também oferece oportunidades para quem estiver bem posicionado. O investidor atento, com visão de longo prazo, pode aproveitar momentos como este para construir um portfólio consistente, mesmo em meio à instabilidade econômica.
“A Bolsa está como um supermercado em Black Friday. Basta saber escolher.” — Paulo Weikert, Apex Capital
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