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Pedido de recuperação judicial da Apex Partners é apresentado à justiça

A Apex Partners entrou com um pedido de recuperação judicial na noite de segunda-feira (14), em meio à crise financeira que atinge o grupo desde o início de agosto. O processo foi protocolado na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, no Espírito Santo, justamente no último dia do prazo estabelecido anteriormente pela Justiça. […]

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Apex Partners

A Apex Partners entrou com um pedido de recuperação judicial na noite de segunda-feira (14), em meio à crise financeira que atinge o grupo desde o início de agosto. O processo foi protocolado na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, no Espírito Santo, justamente no último dia do prazo estabelecido anteriormente pela Justiça.

O pedido ainda precisa ser analisado pelo Judiciário. Segundo informações divulgadas sobre o caso, o endividamento da companhia está estimado em aproximadamente R$ 985,6 milhões, enquanto a plataforma chegou a ter quase 8 mil investidores.

A empresa afirma que pretende utilizar a recuperação judicial para organizar suas obrigações, preservar ativos e manter as atividades em funcionamento.

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Foto: Ricardo Medeiros/Rede Gazeta

O protocolo do pedido não significa, por si só, que a recuperação judicial já foi concedida. A Justiça precisa verificar se a documentação apresentada atende aos requisitos legais para que o processo seja efetivamente processado.

A legislação brasileira estabelece que a recuperação judicial tem como finalidade permitir que uma empresa em crise tente superar suas dificuldades financeiras, preservando a atividade econômica, os empregos e os interesses dos credores. Essa previsão está no artigo 47 da Lei nº 11.101/2005.

No caso da Apex, a análise ocorre dentro de um processo que já vinha sendo acompanhado pela Vara especializada de Vitória. O Ministério Público do Espírito Santo também afirmou anteriormente que, diante da dimensão econômica do caso, seria necessário conhecer com precisão a situação financeira das empresas antes de tirar conclusões sobre a viabilidade da recuperação.

Por que a dívida da Apex chegou perto de R$ 1 bilhão

A crise veio a público em agosto, depois de uma série de problemas envolvendo a estrutura financeira e administrativa do grupo. A Justiça passou a acompanhar medidas relacionadas às empresas e determinou providências para preservar ativos e permitir a apuração das informações financeiras.

Dados divulgados no processo apontam um passivo bruto de aproximadamente R$ 985,6 milhões. A situação também provocou mudanças na administração da companhia e uma série de disputas judiciais envolvendo empresas, investidores e antigos integrantes da gestão.

Há, entretanto, diferentes versões sobre a origem e a composição das obrigações. O ex-presidente e fundador Fernando Cinelli, por exemplo, apresentou à Justiça argumentos contestando responsabilidades atribuídas à antiga administração. Portanto, parte das acusações e interpretações relacionadas à crise ainda depende da apuração judicial e documental.

O que a recuperação judicial significa para investidores

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Para quem possui recursos relacionados à Apex, um dos principais pontos de atenção é descobrir qual é a natureza jurídica do investimento, quem é o devedor e quais garantias existem.

Isso é especialmente relevante porque o grupo possui uma estrutura formada por diferentes empresas e veículos de investimento. A própria inclusão de determinadas sociedades e veículos ligados a projetos imobiliários, private equity e venture capital já provocou questionamentos judiciais de investidores.

Assim, não é correto presumir que todos os investidores terão exatamente o mesmo tratamento. A posição de cada credor dependerá do contrato, da empresa responsável pela obrigação, das garantias existentes e de como esses créditos serão enquadrados no processo.

Também é importante diferenciar a recuperação judicial de uma garantia de recebimento. O mecanismo serve para organizar uma negociação coletiva e permitir a reestruturação das dívidas, mas não significa que os credores receberão automaticamente 100% dos valores nas condições originalmente previstas.

Apex diz que pretende manter as operações

Em comunicado divulgado após o protocolo, a Apex afirmou que o pedido busca criar condições para uma reestruturação organizada, com preservação dos ativos e proteção dos interesses de investidores e credores.

A empresa também informou que pretende continuar funcionando e manter os projetos dos quais participa.

A continuidade das atividades, contudo, não elimina a necessidade de fiscalização e análise judicial. Pela Lei de Recuperação Judicial, a empresa pode permanecer na condução dos negócios durante o processo, mas está sujeita à fiscalização prevista na legislação e à atuação do administrador judicial.

Quais são os próximos passos do caso

A primeira etapa será a análise judicial do pedido e da documentação apresentada pela Apex. A Justiça poderá determinar providências adicionais, inclusive relacionadas à constatação das condições de funcionamento e à regularidade documental das empresas.

A legislação prevê que a chamada constatação prévia pode verificar justamente esses aspectos, sem transformar essa análise em uma avaliação antecipada sobre a viabilidade econômica do negócio.

Depois, caso o processamento seja deferido, o procedimento avança para as etapas previstas na legislação, incluindo a organização dos créditos e a apresentação de um plano de recuperação que deverá ser submetido aos credores nas situações previstas em lei.

Por isso, para investidores e demais credores da Apex, as próximas decisões judiciais e a identificação precisa dos ativos, dívidas e garantias serão fundamentais para determinar como a crise será enfrentada.

Imagem: Divulgação

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