O Benefício de Prestação Continuada (BPC) destinado a pessoas com deficiência deve receber uma parcela significativamente maior de recursos no orçamento federal de 2027. A proposta apresentada pelo governo prevê R$ 83,9 bilhões para essa finalidade, valor que representa aumento de aproximadamente 25,4% em relação aos cerca de R$ 66,9 bilhões considerados no orçamento de 2026.
A previsão consta no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, documento que ainda depende da tramitação no Congresso Nacional antes de se transformar no orçamento definitivo.
O crescimento da dotação chama atenção porque o BPC atende uma parcela da população que não precisa ter contribuído anteriormente para a Previdência Social. O benefício é destinado a idosos de baixa renda e pessoas com deficiência que preencham os requisitos previstos na legislação.
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Quanto o governo prevê gastar com o BPC em 2027

A proposta orçamentária separa os recursos destinados ao BPC para pessoas com deficiência. Para 2027, a dotação indicada no PLOA chega a R$ 83,9 bilhões.
Esse número, porém, não deve ser confundido com a projeção atuarial apresentada pelo próprio governo. No estudo técnico que acompanha o planejamento, a estimativa de despesa efetiva com o BPC voltado às pessoas com deficiência é de aproximadamente R$ 75,5 bilhões em 2027.
A diferença ocorre porque são instrumentos com finalidades distintas. A dotação orçamentária representa o montante previsto para fazer frente às despesas no orçamento, enquanto a avaliação atuarial trabalha com projeções relacionadas ao comportamento futuro do benefício.
Assim, o valor de R$ 83,9 bilhões não significa necessariamente que todo esse montante será efetivamente gasto durante o ano.
Por que a despesa com o BPC está aumentando?
Um dos principais fatores é a própria evolução do número de beneficiários. Quando mais pessoas passam a cumprir os requisitos e têm o benefício concedido, a despesa pública aumenta.
Outro componente importante é o salário mínimo, utilizado como referência para o valor mensal do BPC. Cada beneficiário recebe o equivalente a um salário mínimo por mês, desde que permaneça enquadrado nas regras do programa.
Para 2027, a proposta considera um salário mínimo de R$ 1.741, contra R$ 1.621 em 2026. A elevação representa um reajuste de aproximadamente 7,4%.
Isso produz um efeito direto nas contas públicas: mesmo que a quantidade de beneficiários permanecesse estável, um salário mínimo maior elevaria o custo anual dos pagamentos.
O aumento do orçamento significa aumento do BPC acima do salário mínimo?
Não. A previsão de R$ 83,9 bilhões é o volume de recursos reservado no orçamento, e não o valor que cada beneficiário receberá.
O BPC continua correspondendo a um salário mínimo mensal. Portanto, caso o piso de R$ 1.741 previsto para 2027 seja confirmado, esse será o valor de referência mensal do benefício naquele ano.
O montante final do salário mínimo, entretanto, depende da legislação e dos parâmetros econômicos considerados até a definição oficial.
Quem pode receber o BPC
O BPC é previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (Loas) e possui natureza assistencial. Diferentemente de uma aposentadoria, não exige que a pessoa tenha realizado contribuições ao INSS para ter direito ao benefício.
No caso da pessoa com deficiência, é necessário atender aos critérios de baixa renda e passar pela avaliação prevista nas regras do benefício. A análise considera a existência de impedimentos de longo prazo que possam dificultar a participação plena e efetiva da pessoa na sociedade.
Para idosos, o benefício é destinado a pessoas com 65 anos ou mais, também observados os requisitos socioeconômicos.
A análise de renda e a situação familiar têm papel central na concessão. Por isso, estar desempregado ou não receber aposentadoria, por si só, não garante automaticamente o BPC.
BPC não é aposentadoria
Uma diferença importante para quem pesquisa sobre o benefício é que o BPC não funciona como aposentadoria.
O pagamento assistencial não exige contribuição previdenciária anterior e, pelas regras gerais, não gera direito a 13º salário nem deixa pensão por morte aos dependentes.
Por outro lado, o benefício garante um salário mínimo mensal enquanto os requisitos forem atendidos.
A inscrição e a atualização do Cadastro Único (CadÚnico) também são elementos importantes para a manutenção da condição necessária ao benefício, e o governo pode realizar revisões cadastrais e avaliações para verificar se os critérios continuam sendo cumpridos.
O que a previsão do PLOA muda para quem já recebe o BPC?
A previsão de R$ 83,9 bilhões não representa um pagamento extra para os beneficiários. Trata-se de uma estimativa de recursos para custear o programa ao longo de 2027.
Para quem já recebe o BPC, o ponto mais relevante será a atualização do valor mensal de acordo com o salário mínimo que vier a ser oficialmente estabelecido para o próximo ano.
Além disso, a manutenção do benefício continua condicionada ao cumprimento das regras previstas para o BPC. Portanto, o aumento da dotação orçamentária não elimina processos de revisão, atualização cadastral ou verificações realizadas pelo poder público.
PLOA ainda precisa ser aprovado pelo Congresso

Outro ponto importante é que o PLOA 2027 é uma proposta, e não o orçamento definitivo.
O projeto segue para análise do Congresso Nacional, onde pode sofrer alterações durante a tramitação. Somente após a aprovação e sanção da Lei Orçamentária Anual será possível conhecer a configuração final do orçamento federal para o próximo exercício.
Ainda assim, a proposta apresentada pelo Executivo mostra a dimensão fiscal que o BPC deve representar para a União em 2027, especialmente diante da combinação entre aumento do salário mínimo e evolução da quantidade de beneficiários.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
