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Após acordo, funcionários da PepsiCo no Brasil encerram greve

A greve dos trabalhadores da PepsiCo em Itaquera chega ao fim após um acordo que garante alterações nas condições de trabalho, incluindo uma nova escala de folgas. Saiba mais sobre o desfecho da paralisação e as novas regras para os funcionários

Djamilla Ribeiro MartinsPor Djamilla Ribeiro Martins5 min de leitura
PepsiCo greve

A greve dos trabalhadores da fábrica da PepsiCo em Itaquera, localizada na zona leste de São Paulo, chegou ao fim nesta segunda-feira, 2 de dezembro de 2024, após um acordo entre a empresa e os representantes dos funcionários. 

A paralisação, que teve início no domingo da semana passada, foi motivada pela insatisfação dos trabalhadores com a escala de trabalho 6×1, que estabelece seis dias consecutivos de trabalho seguidos por um dia de descanso. Veja mais detalhes!

Leia mais: Contra escala 6×1, funcionários da PepsiCo fazem greve no Brasil

Acordo com o sindicato

Com a homologação do acordo pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2) e pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Laticínios e Alimentação de São Paulo (Stilasp), as partes chegaram a um consenso que promete modificar as condições de trabalho para os funcionários da unidade de Itaquera, além de afetar diretamente também a planta da PepsiCo em Sorocaba, interior paulista.

Fábrica PepsiCo Itaquera
Imagem: Divulgação/ Pepsico

Contexto da Greve e as Demandas dos Trabalhadores

Os trabalhadores da PepsiCo em Itaquera entraram em greve devido à insatisfação com a carga de trabalho imposta pela escala 6×1, um modelo que é considerado pesado por muitos, especialmente por suas implicações no equilíbrio entre vida pessoal e profissional. 

A greve foi uma tentativa de pressionar a empresa a revisar essa condição, que afeta não só a qualidade de vida dos funcionários, mas também seu bem-estar físico e psicológico. Além disso, a greve também envolveu a reivindicação por maior autonomia na definição das escalas de trabalho e um regime de descanso mais flexível. 

Outro ponto importante da negociação era a mudança da escala 6×2, que também está em vigor na unidade de Sorocaba, mas com menor intensidade de adesão. Ao todo, as duas unidades da PepsiCo empregam cerca de 1.600 trabalhadores, sendo aproximadamente 60% mulheres, de acordo com Carlos Vicente de Oliveira, presidente do Stilasp.

O Acordo e as Novas Condições de Trabalho

Após intensas negociações mediadas pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT-2) e com o auxílio do Stilasp, a PepsiCo e os trabalhadores chegaram a um acordo que visa atender às demandas dos funcionários. A principal mudança será a implementação de uma folga compensatória aos sábados, que entrará em vigor a partir de 1º de janeiro de 2025. 

Esta alteração vai permitir aos funcionários a redistribuição das horas de trabalho ao longo do mês, dando-lhes mais flexibilidade e descanso. O acordo foi finalmente homologado no TRT-2 e prevê que, além da redistribuição das horas, as condições de trabalho sejam ajustadas para promover um ambiente mais saudável e equilibrado para os colaboradores. 

A empresa se comprometeu a revisar suas escalas e estabelecer um regime de folga mais justo, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos funcionários e, ao mesmo tempo, garantir a continuidade da produção.

Impacto do Acordo para a Fábrica de Sorocaba

A unidade de Sorocaba, que também estava em greve, poderá ter as mesmas condições alteradas, dependendo dos resultados de uma assembleia prevista para ocorrer nesta segunda-feira. 

A fábrica de Sorocaba, que emprega um número significativo de trabalhadores, também passa por negociações para ajustar as escalas de trabalho e garantir melhores condições para os seus funcionários. A expectativa é que a greve seja encerrada em breve, com a adesão das partes ao acordo coletivo proposto.

O Papel do Sindicato e a Mediação do TRT-2

Durante todo o processo, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Laticínios e Alimentação de São Paulo (Stilasp) teve um papel fundamental, conduzindo as negociações em nome dos trabalhadores e buscando um desfecho que beneficiasse os funcionários da PepsiCo. 

O presidente do sindicato, Carlos Vicente de Oliveira, destacou a importância da mediação do Tribunal Regional do Trabalho, que ajudou a aproximar as partes e possibilitar o acordo. Na terça-feira anterior, uma audiência mediada pelo desembargador Francisco Ferreira Jorge Neto tentou intermediar um acordo entre as partes. 

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Na ocasião, a proposta da empresa de suspender a greve foi rejeitada pelos trabalhadores. A negociação seguiu com base em uma nova reunião que definiu os termos do acordo final, que foi aceito pelos empregados.

A Rejeição à Proposta de Jornadas de 12 Horas

A PepsiCo havia proposto uma jornada de 12 horas para dois sábados ao mês, mantendo o esquema de trabalho atual em um terceiro sábado e oferecendo folga no quarto. Essa proposta foi inicialmente rejeitada pelos trabalhadores, que consideraram a jornada excessiva e prejudicial à saúde física e mental.

A decisão de continuar com a greve até que uma proposta mais adequada fosse apresentada reflete o descontentamento geral com as condições de trabalho impostas pela empresa. No entanto, com a aceitação do novo modelo de jornada e a redistribuição das horas de trabalho, os funcionários se mostraram mais satisfeitos com o desfecho da negociação.

três garrafas de Pepsi com ênfase no rótulo
Imagem: monticello/shutterstock

Perspectivas Futuras e Oportunidades de Melhoria nas Condições de Trabalho

Com o fim da greve e a implementação do novo regime de trabalho a partir de 2025, espera-se que a PepsiCo passe a adotar práticas mais alinhadas com as necessidades dos seus trabalhadores. 

A mudança na escala de folgas e a redistribuição das horas de trabalho são um passo importante para promover melhores condições de trabalho, não apenas para os funcionários de Itaquera, mas também para os de Sorocaba.

O acordo é um exemplo de como a negociação coletiva e a mediação de órgãos como o Tribunal Regional do Trabalho podem ajudar a resolver conflitos trabalhistas, promovendo um ambiente de trabalho mais justo e equilibrado. Além disso, esse desfecho pode servir de modelo para outras empresas do setor alimentício que enfrentam demandas semelhantes.

Imagem: Jonathan Weiss/ shutterstock.com

Djamilla Ribeiro Martins

Autor

Djamilla Ribeiro Martins

Djamila Martins é formada em Tecnologia em Gestão Empresarial (Processos Gerenciais) pela FATEC de Santos, Licenciada em Letras pelo Instituto Federal de São Paulo e também graduada em Pedagogia pela Universidade de Marília. Com uma base sólida em educação e gestão, alia conhecimento técnico e sensibilidade didática para contribuir com conteúdos informativos, acessíveis e confiáveis no portal Seu Crédito Digital, com foco em cidadania, economia e serviços públicos.

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