Muitos microempreendedores individuais (MEIs) acreditam que o pagamento mensal do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) é suficiente para garantir uma aposentadoria confortável no futuro. No entanto, uma regra previdenciária pouco conhecida tem chamado a atenção de quem deseja receber um benefício acima do salário mínimo.
Entenda quando a pensão do MEI pode superar R$ 3 mil
Descubra como o MEI pode aumentar a contribuição ao INSS e buscar uma aposentadoria de R$ 3 mil ou mais no futuro.
A questão ganhou destaque porque a contribuição padrão do MEI ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) corresponde a apenas 5% do salário mínimo. Embora esse recolhimento garanta acesso a diversos benefícios previdenciários, como aposentadoria por idade, auxílio por incapacidade temporária e salário-maternidade, ele costuma limitar o valor da aposentadoria ao piso previdenciário.
Para quem sonha em receber cerca de R$ 3 mil por mês na aposentadoria, será necessário adotar uma estratégia diferente de contribuição.
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Como funciona a contribuição do MEI para o INSS
O MEI possui um regime simplificado de tributação e recolhe mensalmente seus tributos por meio do DAS.
Dentro desse pagamento está incluída a contribuição previdenciária correspondente a 5% do salário mínimo vigente.
Essa modalidade foi criada para facilitar a formalização dos pequenos empreendedores, reduzindo custos e burocracias.
Por outro lado, a contribuição reduzida também impacta diretamente o valor do benefício futuro.
O que a contribuição de 5% garante?
O recolhimento padrão permite acesso a benefícios como:
- Aposentadoria por idade;
- Auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença);
- Salário-maternidade;
- Pensão por morte para dependentes;
- Auxílio-reclusão.
Contudo, o cálculo do benefício normalmente fica vinculado ao valor mínimo estabelecido pelo INSS, salvo situações específicas previstas na legislação.
Por que a aposentadoria do MEI costuma ficar próxima ao salário mínimo?
Desde a Reforma da Previdência, o cálculo da aposentadoria passou a considerar a média de todos os salários de contribuição registrados ao longo da vida previdenciária do trabalhador.
Como o MEI contribui sobre uma base reduzida, sua média contributiva tende a ser baixa.
Na prática, isso significa que quem paga apenas o DAS durante toda a vida profissional dificilmente alcançará uma aposentadoria muito superior ao salário mínimo.
Por esse motivo, especialistas recomendam que empreendedores façam um planejamento previdenciário com antecedência.
Como buscar uma aposentadoria de R$ 3 mil?
A principal alternativa é complementar a contribuição previdenciária.
Em vez de recolher apenas os 5% já incluídos no DAS, o empreendedor pode aumentar sua contribuição para alcançar a alíquota de 20%, semelhante à utilizada por contribuintes individuais e autônomos.
Essa complementação pode ser feita por meio da Guia da Previdência Social (GPS), observando as regras estabelecidas pelo INSS e pela Receita Federal.
Entendendo a lógica do cálculo
O valor da aposentadoria está diretamente relacionado aos salários sobre os quais o trabalhador contribui.
Quanto maior a base de contribuição ao longo dos anos, maior tende a ser a média salarial utilizada pelo INSS para calcular o benefício.
Por exemplo, considerando uma projeção de salário mínimo em torno de R$ 1.621 para 2026, uma renda equivalente a dois salários mínimos representaria aproximadamente R$ 3.242 mensais.
Para construir uma média contributiva próxima desse valor, o segurado precisaria realizar contribuições sobre uma base salarial semelhante, pagando uma alíquota maior do que a do MEI tradicional.
Quanto seria necessário contribuir?
Tomando como referência uma base de contribuição próxima de R$ 3.242, uma alíquota de 20% resultaria em uma contribuição mensal de aproximadamente R$ 648,40.
Esse valor é significativamente superior ao recolhimento padrão realizado pelos microempreendedores individuais.
É importante destacar que o simples pagamento desse valor não garante automaticamente uma aposentadoria de R$ 3 mil.
O benefício final dependerá de diversos fatores, incluindo:
- Tempo total de contribuição;
- Histórico completo de recolhimentos;
- Média salarial ao longo da vida laboral;
- Regras vigentes no momento da aposentadoria;
- Aplicação dos coeficientes previstos pela legislação.
Vale a pena complementar a contribuição?
A resposta depende dos objetivos financeiros de cada empreendedor.
Para quem pretende depender exclusivamente do INSS na aposentadoria, aumentar a contribuição pode ser uma estratégia interessante para elevar a renda futura.
Por outro lado, especialistas em planejamento financeiro costumam recomendar uma combinação entre previdência pública e investimentos privados.
Essa estratégia ajuda a reduzir a dependência exclusiva do sistema previdenciário e amplia as possibilidades de renda na aposentadoria.
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Comparação prática
Imagine dois MEIs com 30 anos de contribuição:
Empreendedor A
- Contribui apenas com o DAS padrão;
- Mantém recolhimento sobre o salário mínimo.
Empreendedor B
- Complementa regularmente suas contribuições;
- Constrói uma média salarial mais elevada.
Em regra, o segundo trabalhador tende a alcançar um benefício previdenciário significativamente superior, desde que cumpra todos os requisitos exigidos pelo INSS.
Como verificar suas contribuições no Meu INSS
Uma das recomendações mais importantes para qualquer trabalhador é acompanhar regularmente seu histórico previdenciário.
O portal e aplicativo Meu INSS permitem consultar o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), documento que reúne todas as contribuições registradas.
Passo a passo
- Acesse o Meu INSS;
- Faça login com sua conta Gov.br;
- Clique em “Extrato de Contribuição (CNIS)”;
- Verifique se todos os recolhimentos aparecem corretamente;
- Identifique eventuais períodos sem registro.
Erros cadastrais ou contribuições ausentes podem impactar diretamente o cálculo da aposentadoria no futuro.
Planejamento previdenciário faz diferença

Muitos brasileiros só começam a pensar na aposentadoria quando estão próximos de solicitar o benefício. No entanto, especialistas alertam que quanto mais cedo o planejamento começa, maiores são as possibilidades de alcançar uma renda adequada no futuro.
Para o MEI, isso significa avaliar periodicamente:
- O valor das contribuições;
- O tempo já acumulado;
- As regras previdenciárias vigentes;
- Os objetivos financeiros para a aposentadoria.
Em alguns casos, a orientação de um advogado previdenciário ou consultor especializado pode ajudar a identificar oportunidades de melhoria no planejamento.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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