O Ministério da Previdência Social, por meio de seu titular, Carlos Lupi, está estudando uma medida para impedir que aposentados e pensionistas utilizem seus benefícios em sites de apostas esportivas, os chamados “bets”.
Aposentadorias e pensões podem ser proibidas de serem utilizadas em bets
O Ministério da Previdência Social estuda proibir o uso de aposentadorias e pensões em bets. A medida visa proteger a segurança financeira dos beneficiários e garantir que o dinheiro seja utilizado para a subsistência
A proposta tem como objetivo proteger os recursos destinados à sobrevivência dos beneficiários, evitando que o dinheiro público, que sustenta esses pagamentos, seja destinado ao jogo, um setor que, para o ministro, apresenta riscos financeiros para os aposentados e pensionistas.
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A justificativa por trás da proposta
De acordo com Carlos Lupi, o benefício da Previdência Social, seja aposentadoria ou pensão, tem a finalidade exclusiva de garantir a subsistência do cidadão. Ele destaca que, embora seja um direito do beneficiário usar os recursos como bem entender, os pagamentos são originados de contribuições públicas, ou seja, de recursos do Tesouro Nacional.

“Dinheiro público não foi feito para entrar no jogo”
Em uma palestra realizada no Instituto dos Advogados do Brasil, no Rio de Janeiro, no dia 29 de novembro de 2024, Lupi enfatizou que o governo está buscando uma forma de intervenção legal para proteger os aposentados de perderem suas rendas em jogos de azar.
Para o ministro, os recursos destinados à aposentadoria e pensão devem ser preservados para garantir a sobrevivência do beneficiário, e não para alimentar um “sistema mafioso”, como ele classificou o mercado das apostas esportivas.
O ministro afirmou: “O benefício da Previdência é para a subsistência da pessoa. O desafio é que a gente não pode intervir no dinheiro privado. Mas como os pagamentos têm subsídio do governo, a nossa equipe jurídica está estudando a proibição baseada nisso, de que tem dinheiro do Tesouro e dinheiro público não foi feito pra entrar no jogo”.
O cenário atual das apostas esportivas no Brasil
Nos últimos anos, o Brasil tem presenciado uma explosão no mercado de apostas esportivas, com uma crescente popularização dos sites de “betting” ou apostas online. Esse mercado, que movimenta bilhões de reais anualmente, tem atraído jogadores de todas as faixas etárias e classes sociais.
As apostas esportivas, em particular, têm se tornado um passatempo acessível para uma grande parte da população, principalmente com a facilidade de realizar transações financeiras por meio de plataformas digitais.
Com isso, a possibilidade de aposentados e pensionistas utilizarem seus benefícios nas apostas gerou preocupação entre autoridades. Embora o mercado de apostas ainda não seja totalmente regulamentado no Brasil, a medida do Ministério da Previdência Social visa agir de forma preventiva, protegendo os benefícios previdenciários de sua destinação em jogos de azar.
Semelhanças com outras restrições
A proposta de Carlos Lupi pode ser comparada com outras proibições de uso de benefícios assistenciais, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Assim como o governo já impõe restrições sobre onde e como esses benefícios podem ser usados, a mesma lógica seria aplicada às aposentadorias e pensões.
A ideia é garantir que os recursos públicos sejam utilizados de maneira responsável e adequada para a sobrevivência dos beneficiários, e não para fins que possam colocar em risco sua estabilidade financeira.
O papel dos bancos na fiscalização
Um ponto importante destacado por Lupi é a possibilidade de os bancos contribuírem para a implementação da medida. Segundo ele, os próprios bancos já possuem mecanismos para separar os tipos de transações feitas pelos seus clientes.
Ao consultar um extrato bancário, por exemplo, os clientes podem visualizar a divisão dos pagamentos por categoria, como mercado, compras e contas de serviços, o que facilitaria a identificação de transferências para sites de apostas.
Lupi comentou que, ao implementar a proibição, o sistema bancário poderia colaborar para evitar que beneficiários de aposentadoria ou pensão realizassem esse tipo de transação. A ideia é criar uma forma de restrição sem a necessidade de intervenção direta em cada conta individual.
Como seria a implementação da medida
O Ministério da Previdência Social está estudando se essa proibição pode ser estabelecida por meio de uma portaria do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ou se, para isso, será necessário que o Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS) se envolva na análise e decisão.
A medida ainda está em fase de análise jurídica, e Lupi espera que a implementação ocorra o mais rápido possível, embora o processo de regulamentação possa demandar algum tempo.
Impacto no mercado de apostas
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Caso a medida seja realmente implementada, ela pode ter um impacto significativo no mercado de apostas esportivas no Brasil. O setor é amplamente acessível e tem se tornado cada vez mais popular, especialmente entre os mais jovens. A proibição do uso de aposentadorias e pensões em plataformas de apostas pode, portanto, afetar a base de clientes de alguns sites de apostas.
Contudo, a ação do Ministério da Previdência tem como principal objetivo a proteção dos aposentados e pensionistas, que são os mais vulneráveis a problemas financeiros causados pelo vício em jogos de azar. Além disso, a medida visa reduzir o risco de que esses cidadãos utilizem recursos destinados à sua sobrevivência em atividades que possam ser prejudiciais.
Reações ao projeto de proibição
Embora a proposta ainda esteja em fase de estudo, ela já gerou discussões entre especialistas e a sociedade. Muitos concordam com a necessidade de proteger os aposentados e pensionistas, especialmente considerando a vulnerabilidade financeira desses grupos. No entanto, outros questionam os limites da intervenção do governo sobre o uso de benefícios privados.
A visão de especialistas em economia
Especialistas em economia e em direito previdenciário destacam que, embora o governo tenha o direito de garantir que os benefícios sejam usados de forma responsável, existe uma linha tênue entre proteger os beneficiários e limitar sua liberdade de escolha.
Além disso, a regulamentação do mercado de apostas no Brasil, que ainda está em andamento, pode oferecer uma solução mais eficiente para o problema de vícios em jogos de azar.

Apostas e o mercado de jogos de azar no Brasil
O mercado de apostas esportivas no Brasil tem se expandido, especialmente após a regulamentação parcial dessas atividades nos últimos anos. As empresas de apostas têm investido pesadamente em publicidade e patrocínios, o que tem ampliado a adesão dos brasileiros a esse tipo de entretenimento.
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), uma parcela significativa da população já participou de apostas, o que intensifica as preocupações sobre os impactos sociais dessa prática.
Imagem: Joédson Alves/Agência Brasil
