Em um movimento raro e preocupante, a Apple enviou notificações de segurança a usuários de iPhone em mais de 100 países, alertando-os sobre tentativas de ataques com spyware sofisticado. A empresa identificou que os dispositivos foram alvos de ferramentas de espionagem conhecidas como spywares mercenários, utilizados geralmente por governos para monitoramento.
Embora o comunicado da gigante de tecnologia não revele quem está por trás dos ataques, ele reforça que os alvos são escolhidos por motivos pessoais ou profissionais, o que levanta preocupações sobre o uso político de tecnologias de vigilância.
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Notificações revelam risco elevado de espionagem

A divulgação do caso ganhou repercussão após o jornalista italiano Ciro Pellegrino, uma das vítimas, publicar em abril que recebeu um e-mail diretamente da Apple. Na mensagem, a empresa alertava sobre uma tentativa de espionagem em seu dispositivo.
O alerta informa que o ataque utilizou um spyware de tipo mercenário, como é o caso do notório Pegasus, desenvolvido pela empresa israelense NSO Group. Esse tipo de software tem a capacidade de acessar remotamente câmeras, microfones, mensagens e outras funções privadas do telefone, muitas vezes sem que o usuário perceba qualquer atividade suspeita.
Segundo a Apple, esses ataques visam pessoas específicas pelo que elas são ou pelo que fazem.
Como funcionam os spywares mercenários
Softwares espiões mercenários são ferramentas desenvolvidas por empresas de tecnologia a serviço de órgãos de segurança pública e governos.
A justificativa para seu uso costuma ser a segurança nacional ou o combate ao crime organizado. No entanto, há denúncias de que esses programas estejam sendo utilizados contra jornalistas, ativistas de direitos humanos e membros da oposição política.
Além do Pegasus, outro programa suspeito de estar envolvido nesta nova onda de ataques é o Paragon, também de origem israelense. No início de 2025, o WhatsApp chegou a denunciar o uso dessa ferramenta em tentativas de espionagem contra usuários da plataforma de mensagens.
Alvo global e silencioso
Segundo o comunicado da Apple, usuários de 100 países foram notificados. O e-mail explica que os ataques não têm como alvo o público em geral, mas sim indivíduos específicos, o que reforça a suspeita de espionagem seletiva.
A empresa explicou que não fornece detalhes públicos sobre os ataques para não ajudar os responsáveis a modificarem suas técnicas e continuarem operando sob o radar. Por isso, não há informações sobre a origem dos ataques nem sobre quais países estão sendo mais afetados.
Por que a Apple está preocupada
Embora a Apple tenha investido pesadamente em segurança e privacidade, ataques como esses colocam em xeque a proteção mesmo de dispositivos mais seguros. A empresa já havia emitido alertas semelhantes em 2021 e 2022, mas o volume atual, envolvendo mais de 100 países, sugere uma nova escalada da ameaça cibernética.
Ao longo dos últimos anos, a Apple desenvolveu recursos para combater softwares espiões, como o modo isolamento (lockdown mode), voltado para usuários de alto risco. Ainda assim, os ataques continuam evoluindo e exigem vigilância constante.
O que fazer ao receber o alerta

Caso o usuário receba um aviso da Apple sobre uma tentativa de ataque, a orientação é seguir as instruções contidas no e-mail, ativar o modo de isolamento, atualizar o sistema iOS e, se possível, procurar especialistas em cibersegurança.
A Apple recomenda ainda que pessoas em cargos sensíveis, como jornalistas, políticos e defensores de direitos humanos, fiquem atentas a qualquer comportamento incomum nos dispositivos, como consumo elevado de bateria, superaquecimento ou aplicativos desconhecidos.
Riscos da espionagem moderna
A principal preocupação com spywares como o Pegasus ou Paragon é sua capacidade de atuar de forma invisível e invasiva. Esses programas podem não apenas capturar informações privadas, como também controlar funcionalidades do celular, como câmera e microfone, sem que o usuário perceba.
Com isso, a privacidade de milhares de pessoas pode ser violada sem qualquer sinal de alerta visível. Em países com regimes autoritários, há registros de uso desses programas para perseguir críticos do governo, o que intensifica o debate sobre a regulamentação e fiscalização da venda dessas tecnologias.
Contexto internacional e repercussão
O uso de spyware mercenário vem sendo alvo de críticas da ONU e de organizações como a Anistia Internacional. Após a descoberta do uso do Pegasus em diversos países, os Estados Unidos chegaram a incluir a NSO Group na lista de empresas restritas por atividades contrárias à segurança nacional.
No caso atual, ainda não se sabe quem está por trás dos ataques, mas a escala global sugere uma possível atuação coordenada ou a disseminação descontrolada desses programas entre diversos governos e entidades privadas.
Com informações de: Fanpage, The Record e Phone Arena via Tecnoblog
