A corrida global por avanços em inteligência artificial está cada vez mais acirrada. Gigantes como Google e OpenAI lideram a transformação, enquanto a Apple, antes pioneira em inovação com produtos como o iPhone e o iPad, corre para não ficar para trás. Diante desse cenário, a empresa vem intensificando a aquisição de startups especializadas em IA, tentando compensar anos de desenvolvimento discreto e resultados tímidos no setor.
Apple intensifica compra de startups de IA para expandir tecnologia
Apple intensifica compra de startups para recuperar espaço perdido na corrida pela inteligência artificial. Entenda.
A estratégia parece ser clara: recuperar o tempo perdido apostando em mentes criativas e tecnologias emergentes, seja por meio de compras diretas, parcerias ou licenciamento de modelos já em uso no mercado.
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Pressão crescente força mudança de postura

A Apple sempre adotou uma abordagem mais cautelosa no que diz respeito à inteligência artificial. Seu foco em privacidade, segurança e integração com o ecossistema de dispositivos fez com que as inovações em IA fossem mais discretas, especialmente se comparadas aos avanços apresentados por concorrentes como a OpenAI, Google e Microsoft.
Porém, esse cuidado passou a ser visto como lento demais. Com o lançamento de chatbots generativos, assistentes virtuais turbinados por IA e a rápida evolução dos modelos de linguagem, a Apple precisou agir, e rápido.
Segundo a Bloomberg, a empresa estuda aquisições para acelerar sua entrada mais expressiva nesse universo. Entre as startups no radar, estão Perplexity AI, Mistral, Cohere, Databricks, Sierra AI e a recém-criada Thinking Machines Lab, da ex-diretora de tecnologia da OpenAI, Mira Murati.
Apple Intelligence ainda não convenceu
Embora tenha anunciado o projeto Apple Intelligence, com promessas de integrar IA de forma fluida e segura aos seus dispositivos, os resultados práticos ainda são limitados. Os modelos da Apple — com 3 bilhões de parâmetros nos dispositivos e 33 bilhões na nuvem — estão tecnicamente atrás dos gigantes do setor, que trabalham com modelos superiores a 70 bilhões de parâmetros.
Essa defasagem colocou a empresa diante de uma decisão estratégica: continuar desenvolvendo internamente ou investir bilhões em aquisições tecnológicas para reduzir a distância. A segunda opção parece cada vez mais provável, diante do ritmo acelerado das inovações e da necessidade de integrar IA aos próximos produtos da marca.
Produtos futuros dependem da integração com IA
A inteligência artificial deve desempenhar papel crucial nos futuros lançamentos da Apple. De óculos de realidade aumentada a wearables mais inteligentes e até dispositivos de robótica, a IA será para essa nova geração o que o multitouch foi para o iPhone.
Especialistas apontam que a aquisição de startups pode ser a única saída viável para Apple recuperar relevância e continuar liderando a inovação. Enquanto Google e Samsung já incorporam assistentes com IA generativa em seus aparelhos, a Siri, ainda limitada, precisa de uma transformação radical para continuar competitiva.
Negociações e obstáculos no caminho
Apesar de conversas iniciais com algumas empresas, nenhum acordo foi fechado até o momento. As tratativas com a Perplexity AI e a Thinking Machines Lab não avançaram a estágios decisivos, o que evidencia a cautela que ainda norteia as decisões da Apple.
Parte desse impasse pode estar ligada a outra questão delicada: o contrato de busca com o Google, alvo de disputas judiciais que podem impactar diretamente a forma como a Apple monetiza sua base de usuários.
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Essa indefinição jurídica também contribui para a hesitação da empresa em se comprometer com projetos que possam alterar drasticamente sua política de privacidade ou integração com serviços de terceiros.
Mercado observa movimentações com atenção

O movimento da Apple em direção a startups de IA reforça uma tendência do mercado: a inteligência artificial será o principal campo de disputa entre as big techs na próxima década.
O sucesso de plataformas como o ChatGPT, da OpenAI, e os avanços da Anthropic, Meta e Google DeepMind elevaram o padrão de expectativa para assistentes digitais e automação inteligente. E os consumidores, cada vez mais familiarizados com essas ferramentas, esperam soluções práticas, rápidas e integradas, algo que a Apple ainda não conseguiu entregar plenamente.
O que está em jogo?
Mais do que recuperar competitividade, a Apple busca garantir que seus próximos dispositivos sejam relevantes em um ecossistema cada vez mais dominado pela inteligência artificial. A aposta em startups enxutas, criativas e tecnicamente avançadas pode ser a chave para essa virada.
Com os olhos do mundo voltados para o que virá após a era dos smartphones, a empresa de Cupertino sabe que não pode perder o próximo grande salto da tecnologia, e a IA é esse salto.
Com informações de: Olhar Digital
