As ações dos fornecedores asiáticos da Apple Inc. sofreram uma queda significativa nesta segunda-feira, acompanhando a retração da gigante de tecnologia, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a intenção de impor tarifas de até 25% sobre todas as importações de iPhones para o mercado norte-americano.
Ações de fornecedores da Apple despencam após Trump ameaçar tarifas de 25% sobre iPhones
Fornecedores asiáticos da Apple registram queda nas ações após ameaça de Trump impor tarifas de 25% sobre todos os iPhones.
A ameaça de tarifas elevou as preocupações no mercado sobre o impacto nas cadeias globais de suprimentos e nos custos dos produtos eletrônicos, especialmente os smartphones fabricados fora dos Estados Unidos.
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Reação dos mercados asiáticos
Os papéis da fabricante chinesa de componentes para áudio AAC Technologies Holdings Inc. registraram queda de 1% nas negociações em Hong Kong. Também recuaram ações de outras empresas chinesas importantes no fornecimento para Apple, como:
- Lens Technology Co Ltd (queda até 1%);
- Goertek Inc (queda até 1%);
- Luxshare Precision Industry Co Ltd (queda até 1%).
No mercado taiwanês, as ações da TSMC — maior fabricante de semicondutores do mundo e importante parceira da Apple — e da Hon Hai Precision Industry Co Ltd (também conhecida como Foxconn, responsável pela montagem de iPhones) também registraram perdas expressivas.
Além disso, empresas japonesas como a Japan Display Inc e a Sharp Corp, igualmente fornecedoras de componentes eletrônicos, sofreram retrações nas bolsas de Tóquio.
Por outro lado, a sul-coreana Samsung Electronics Co Ltd, que também foi mencionada por Trump como possível alvo de tarifas sobre smartphones, apresentou leve alta de 0,5% nas negociações sul-coreanas, refletindo o movimento de competição entre fabricantes.
Contexto das ameaças de Donald Trump
Na sexta-feira anterior, Trump anunciou sua intenção de impor uma tarifa de 25% sobre todos os iPhones importados para os EUA, numa tentativa clara de forçar a Apple a aumentar a fabricação doméstica nos Estados Unidos. Além do iPhone, o presidente também ameaçou tarifar todos os demais smartphones importados.
Essa movimentação está inserida em um contexto mais amplo da administração Trump, que pressiona várias indústrias — incluindo tecnologia, semicondutores, automóveis e farmacêuticas — a reduzir a dependência da China e a aumentar a produção local, como parte de sua agenda de “America First” (América em primeiro lugar).
Estratégias da Apple diante das ameaças
Em resposta às pressões e ameaças tarifárias, a Apple tem buscado diversificar suas cadeias de produção. Uma das estratégias mais claras foi a transferência parcial da produção de iPhones vendidos nos EUA da China para a Índia.
Essa mudança, anunciada em 2024, visa mitigar os riscos tarifários e reduzir o impacto de uma possível guerra comercial prolongada entre Estados Unidos e China. A Índia, com sua mão de obra mais barata e incentivos governamentais, tem se consolidado como um polo emergente para a montagem de produtos eletrônicos globais.
No entanto, mesmo com essa movimentação, o presidente Trump expressou rejeição à mudança, insistindo na fabricação dos dispositivos no território americano, o que mantém o ambiente de incerteza para a Apple e seus fornecedores.
Dúvidas sobre a implementação das tarifas

Apesar do tom firme das ameaças, não está claro se o governo Trump efetivamente aplicará as tarifas previstas. O presidente tem adiado a aplicação da maior parte das tarifas prometidas devido ao risco de impactos econômicos adversos, tanto para a economia americana quanto global.
Além disso, em sua última declaração, Trump também ameaçou impor tarifas de 50% sobre produtos importados da União Europeia, inicialmente para o início de junho, mas que foram postergadas para 9 de julho. Essas ações inserem o ambiente comercial global em um clima de tensão elevada.
Impactos potenciais no mercado global e para consumidores
A possível implementação de tarifas elevadas sobre iPhones e smartphones importados pode gerar um efeito cascata na indústria tecnológica e no consumidor final:
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Para fornecedores asiáticos
- Redução das receitas: Queda nas vendas para o mercado americano, principal consumidor;
- Aumento dos custos: Tarifas elevadas podem reduzir margens e afetar investimentos;
- Risco de realocação: Incentivo a buscar alternativas fora da China, como Índia, Vietnã ou México.
Para Apple
- Pressão para aumentar produção doméstica: Com custos operacionais e logísticos potencialmente mais altos;
- Elevação do preço final dos produtos: Repercussão no mercado e possível queda na demanda;
- Incertezas na cadeia global de suprimentos: Impactando o planejamento e cronogramas de lançamento.
Para consumidores
- Possíveis aumentos de preço: Repassados pelas tarifas e custos adicionais;
- Redução da variedade de produtos: Se fornecedores reduzirem a oferta;
- Atrasos em lançamentos: Impacto nos ciclos de atualização de produtos.
Perspectivas para fornecedores e indústria tecnológica

O setor tecnológico acompanha atentamente os próximos passos da administração americana. A indústria espera negociações que possam evitar uma escalada tarifária ampla e preservar as cadeias produtivas internacionais.
Enquanto isso, fornecedores asiáticos como AAC Technologies, Lens Technology, Goertek, Luxshare, TSMC, Hon Hai, Japan Display e Sharp enfrentam volatilidade nas ações e incertezas no planejamento estratégico.
A leve alta da Samsung, concorrente direta da Apple, reflete um possível realinhamento das forças no mercado de smartphones diante das tensões comerciais.
Imagem: ZorroGabriel / Shutterstock.com
