A indústria global de smartphones caminha para um dos momentos mais desafiadores de sua história recente. De acordo com uma pesquisa da Counterpoint, publicada em 16 de dezembro, as remessas globais de smartphones devem cair 2,1% até 2026, pressionadas principalmente pelo aumento expressivo dos custos de produção. Nesse cenário, Apple e Samsung despontam como as únicas fabricantes com capacidade estrutural para atravessar a crise, o que levanta a possibilidade de um mercado altamente concentrado nos próximos anos.
Apple e Samsung podem ser as únicas fabricantes de smartphones em 2026; veja por quê
Pesquisa aponta queda no mercado de smartphones até 2026. Alta no custo da memória pode deixar Apple e Samsung como principais fabricantes globais.
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O estudo indica que o aumento dos preços da memória, especialmente DRAM, tem impacto direto na lista de materiais dos dispositivos, elevando os custos de fabricação e comprimindo margens de lucro. Fabricantes com menor poder financeiro, em especial as empresas chinesas que atuam em segmentos sensíveis a preço, enfrentam um cenário de sobrevivência cada vez mais difícil.
Mercado global de smartphones em retração
A retração prevista nas remessas globais de smartphones não é um fenômeno isolado, mas resultado de uma combinação de fatores econômicos, tecnológicos e geopolíticos.
Queda na demanda global
O mercado já vem apresentando sinais de saturação em diversas regiões. Consumidores estão trocando de aparelhos com menor frequência, especialmente diante do aumento dos preços e da ausência de inovações percebidas como revolucionárias.
Pressão inflacionária e consumo cauteloso
A inflação global, aliada a juros elevados em várias economias, reduz o poder de compra e faz com que smartphones deixem de ser prioridade para muitos consumidores, principalmente nos mercados emergentes.
A escalada dos custos de produção
Um dos principais motores da crise apontada pela Counterpoint é o aumento nos custos dos componentes essenciais.
Alta expressiva no preço da memória DRAM
A memória DRAM, fundamental para o desempenho dos smartphones modernos, deve registrar aumentos de até 40% até meados de 2026. Essa elevação impacta diretamente a lista de materiais, encarecendo cada unidade produzida.
Competição com o setor de inteligência artificial
A explosão da inteligência artificial generativa intensificou a demanda por chips de memória voltados a servidores de alto desempenho, como os utilizados por empresas de tecnologia e fabricantes de data centers. Isso desvia recursos da indústria mobile.
Nvidia e o efeito dominó no setor
A produção de servidores dedicados à IA, especialmente os equipados com GPUs da Nvidia, consome grandes volumes de memória, reduzindo a oferta para smartphones e elevando os preços.
Segmentos mais afetados pela crise
Nem todos os segmentos do mercado de smartphones serão impactados da mesma forma.
Smartphones de entrada sob maior pressão
O estudo aponta que os dispositivos com preços abaixo de 200 dólares serão os mais afetados. O custo de fabricação desses aparelhos deve aumentar entre 20% e 30% até 2026.
Margens já reduzidas
Fabricantes que atuam nesse segmento operam com margens extremamente apertadas. Qualquer aumento relevante nos custos pode inviabilizar a continuidade do negócio.
Impacto nos modelos intermediários e premium
Mesmo aparelhos intermediários e de alto padrão devem sentir os efeitos, com aumento estimado de 10% a 15% nos custos até o segundo trimestre de 2026.
Fabricantes chineses enfrentam cenário crítico
Empresas como Honor, Oppo e Vivo estão entre as mais vulneráveis ao novo contexto do mercado.
Dependência de volume e preço competitivo
Essas marcas baseiam sua estratégia em grandes volumes de venda e preços agressivos. O aumento dos custos reduz drasticamente sua competitividade.
Menor poder de negociação com fornecedores
Ao contrário de gigantes globais, fabricantes chineses de médio porte têm menos capacidade de negociar contratos de longo prazo para fornecimento de memória e chips.
Risco de consolidação ou saída do mercado
Especialistas avaliam que algumas dessas empresas podem ser forçadas a se fundir, reduzir operações ou até abandonar determinados mercados regionais.
Apple e Samsung em posição estratégica
Enquanto concorrentes lutam para sobreviver, Apple e Samsung aparecem como exceções.
Escala global e poder financeiro
As duas empresas possuem cadeias de suprimento robustas, reservas financeiras expressivas e contratos estratégicos com fornecedores de componentes.
Capacidade de absorver ou repassar custos
Apple e Samsung têm mais flexibilidade para decidir entre absorver parte dos custos adicionais ou repassá-los aos consumidores sem comprometer drasticamente as vendas.
Fidelização e força de marca
A lealdade do consumidor às marcas Apple e Samsung permite ajustes de preço com menor impacto na demanda, algo inviável para fabricantes menores.
A lista de materiais e seu peso no preço final
A lista de materiais, conhecida como BOM, tornou-se um fator central na crise do setor.
Componentes cada vez mais caros
Além da memória, outros componentes como processadores, telas OLED e módulos de câmera também apresentam tendência de alta nos preços.
Efeito cumulativo nos custos finais
A Counterpoint estima que o impacto total nos custos dos smartphones pode variar entre 8% e mais de 15%, dependendo do segmento e da configuração do aparelho.
Dilema dos fabricantes: repassar ou absorver custos
Diante desse cenário, as empresas enfrentam decisões estratégicas difíceis.
Repasse ao consumidor
Aumentar preços pode preservar margens, mas reduz o volume de vendas, especialmente em mercados sensíveis a preço.
Absorção de prejuízos
Manter preços pode garantir participação de mercado, mas compromete a rentabilidade e a sustentabilidade financeira.
Estratégias híbridas
Algumas empresas podem optar por reduzir especificações técnicas, lançar menos modelos ou focar em mercados específicos para equilibrar as contas.
Possível concentração do mercado até 2026
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+311 mil seguidores
A consequência mais significativa desse processo pode ser uma forte concentração do mercado global de smartphones.
Redução do número de fabricantes relevantes
Com a saída ou enfraquecimento de diversas marcas, o mercado tende a se consolidar em torno de poucos players globais.
Apple e Samsung como protagonistas quase exclusivos
A pesquisa sugere que, se o cenário se mantiver, Apple e Samsung podem se tornar as únicas fabricantes com presença global robusta até 2026.
Impactos para o consumidor final
A concentração do mercado traz implicações diretas para quem compra smartphones.
Menor diversidade de modelos
Com menos fabricantes, a variedade de opções pode diminuir, especialmente nos segmentos de entrada e intermediário.
Preços mais elevados
A redução da concorrência tende a manter os preços elevados, dificultando o acesso a smartphones mais baratos.
Inovação concentrada
Embora Apple e Samsung continuem investindo em inovação, a ausência de concorrentes agressivos pode reduzir o ritmo de avanços tecnológicos.
O papel da inteligência artificial no futuro dos smartphones
Curiosamente, a mesma inteligência artificial que pressiona o mercado também pode redefinir o futuro dos dispositivos móveis.
Integração de IA nos aparelhos
Apple e Samsung já investem fortemente em recursos de IA embarcada, o que pode justificar preços mais altos e diferenciar seus produtos.
Smartphones mais caros e especializados
O futuro pode reservar aparelhos mais caros, focados em desempenho, segurança e integração com ecossistemas digitais.
Perspectivas para além de 2026
Embora o cenário projetado seja desafiador, analistas destacam que o mercado de tecnologia é cíclico.
Possível estabilização dos custos
Uma eventual normalização da demanda por memória pode aliviar a pressão sobre os custos de produção.
Novos entrantes e tecnologias disruptivas
Tecnologias alternativas ou novos modelos de negócio podem surgir, alterando novamente o equilíbrio do mercado.
Um setor em transformação profunda
A projeção de que Apple e Samsung possam se tornar praticamente as únicas fabricantes globais de smartphones em 2026 reflete uma transformação estrutural da indústria. A combinação de custos crescentes, competição com a inteligência artificial e consumo mais cauteloso redesenha o mapa do setor. O desfecho desse processo definirá não apenas quem sobrevive, mas como será o smartphone do futuro.
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