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Apple muda de comando após 15 anos e Tim Cook deixa cargo de CEO

A Apple inicia nesta terça-feira (1º) uma das principais mudanças de comando de sua história recente. Tim Cook deixa a posição de CEO após cerca de 15 anos e passa a ocupar o cargo de presidente executivo do conselho de administração. O comando da companhia fica com John Ternus, até então vice-presidente sênior de engenharia […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
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A Apple inicia nesta terça-feira (1º) uma das principais mudanças de comando de sua história recente. Tim Cook deixa a posição de CEO após cerca de 15 anos e passa a ocupar o cargo de presidente executivo do conselho de administração. O comando da companhia fica com John Ternus, até então vice-presidente sênior de engenharia de hardware.

A sucessão havia sido anunciada pela Apple em abril e foi aprovada por unanimidade pelo conselho. Segundo a empresa, a mudança faz parte de um processo de planejamento sucessório desenvolvido ao longo dos últimos anos.

A troca não representa a saída de Cook da Apple. Como presidente executivo, ele continuará envolvido em determinadas questões estratégicas, incluindo relações com autoridades e formuladores de políticas públicas ao redor do mundo.

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Quem é Tim Cook e como ele chegou ao comando da Apple

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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

Tim Cook entrou na Apple em 1998, contratado por Steve Jobs para assumir uma posição ligada às operações e à cadeia de suprimentos. Antes disso, havia trabalhado na Compaq e passado 12 anos pela IBM.

Sua experiência em operações se tornou uma das bases da transformação da Apple. Cook ajudou a reorganizar a cadeia produtiva, melhorar a gestão de estoques e ampliar a eficiência da companhia em um período no qual a empresa buscava recuperar sua posição no mercado.

Em 2005, tornou-se diretor de operações e passou a supervisionar áreas importantes das vendas e operações globais. Durante os períodos em que Jobs se afastou por questões de saúde, Cook também assumiu temporariamente o comando da companhia.

Em agosto de 2011, Jobs deixou oficialmente a posição de CEO e indicou Cook como seu sucessor. Pouco tempo depois, o cofundador da Apple morreu.

A transição colocou sobre Cook uma tarefa particularmente difícil: manter o ritmo de crescimento de uma empresa fortemente associada à visão e à personalidade de Steve Jobs.

Como foi a gestão de Tim Cook

A administração de Cook seguiu uma estratégia diferente da adotada por Jobs, mas manteve a importância do ecossistema de produtos e serviços.

Durante sua gestão, a Apple ampliou significativamente sua presença em serviços, incluindo negócios como Apple Music, Apple Pay, Apple TV+ e iCloud. A empresa também expandiu categorias de hardware com produtos como Apple Watch e AirPods.

Outro movimento estratégico foi a substituição dos processadores utilizados nos computadores Mac pelos chips desenvolvidos internamente pela Apple. A transição para o Apple Silicon aumentou o controle da companhia sobre uma parte importante da arquitetura de seus dispositivos.

A Apple também reforçou iniciativas relacionadas à privacidade, acessibilidade e sustentabilidade. Segundo a própria companhia, sua pegada de carbono foi reduzida em mais de 60% em relação aos níveis de 2015 durante a gestão de Cook.

Apple ficou muito maior sob Cook

Os números ajudam a dimensionar a transformação.

Segundo dados compilados pela Reuters, a Apple passou de aproximadamente US$ 350 bilhões em valor de mercado quando Cook assumiu para cerca de US$ 4,5 trilhões atualmente. No mesmo período, a receita anual cresceu de US$ 108 bilhões para cerca de US$ 416 bilhões, enquanto o lucro chegou a US$ 112 bilhões.

A companhia também atravessou marcas históricas de valorização durante esse período, tornando-se a primeira empresa de capital aberto a superar US$ 1 trilhão, US$ 2 trilhões e US$ 3 trilhões em valor de mercado.

Isso fez de Cook o CEO mais longevo da história moderna da Apple e consolidou uma fase de expansão que foi além do iPhone.

Por que John Ternus foi escolhido para substituir Cook

John Ternus chega ao cargo de CEO com uma característica importante: ele conhece profundamente o desenvolvimento dos produtos da Apple.

Ternus entrou na companhia em 2001, inicialmente na equipe de design de produtos. Em 2013, tornou-se vice-presidente de engenharia de hardware e, em 2021, passou a integrar a equipe executiva como vice-presidente sênior da área.

Ao longo da carreira, participou do desenvolvimento de diferentes gerações de iPhone, iPad, Mac, AirPods, Apple Watch e outros produtos.

Formado em engenharia mecânica pela University of Pennsylvania, Ternus também teve papel importante na transição dos computadores Mac para os chips Apple Silicon.

A escolha representa, portanto, uma sucessão interna. Em vez de trazer um executivo de fora, a Apple optou por alguém que conhece sua cultura, seus processos de desenvolvimento e sua estratégia de hardware.

O que muda na Apple com John Ternus

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Imagem: Reprodução

A mudança ocorre em um momento particularmente importante para a indústria de tecnologia.

A inteligência artificial se tornou uma das principais frentes de competição entre as gigantes do setor, e a Apple precisa ampliar sua capacidade de competir nesse mercado. A empresa também enfrenta desafios relacionados à cadeia de produção, à diversificação geográfica da fabricação e à evolução do mercado de smartphones.

A Reuters destaca que Ternus assume o comando justamente quando a Apple busca acelerar sua resposta à revolução da inteligência artificial, área na qual concorrentes avançaram rapidamente.

O novo CEO também terá de preservar o principal ativo construído ao longo das últimas décadas: a integração entre hardware, software e serviços.

Primeiro grande teste acontece já em setembro

A chegada de Ternus ao cargo ocorre às vésperas de um importante evento de produtos da Apple.

A companhia programou para 9 de setembro de 2026 um evento que deve apresentar sua nova geração de iPhones. Será uma das primeiras grandes aparições públicas de Ternus como CEO e um momento relevante para avaliar a estratégia da nova administração.

O mercado também acompanha expectativas relacionadas a novos formatos de dispositivos e ao avanço da inteligência artificial nos produtos da empresa.

Assim, a sucessão não significa uma ruptura imediata. O desafio de Ternus será preservar a escala construída por Cook e, ao mesmo tempo, conduzir a Apple para uma nova etapa tecnológica.

Ascannio / Shutterstock.com

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