O Senado Federal aprovou nesta terça-feira, 18, o substitutivo da Câmara ao Projeto de Lei 458/2021, que institui o Regime Especial de Atualização e Regularização Patrimonial (Rearp). O novo mecanismo permitirá que contribuintes atualizem o valor de imóveis, veículos e outros bens no Imposto de Renda, pagando alíquotas reduzidas. O texto segue agora para sanção presidencial.
Imóveis no Imposto de Renda: Senado aprova regime que permite atualização de valor; saiba como funciona
O Senado aprovou o Rearp, regime que permite atualizar valores de imóveis e veículos no Imposto de Renda mediante alíquota reduzida.
A proposta, de autoria do ex-senador Roberto Rocha, é vista como uma das maiores mudanças recentes na relação entre pessoas físicas, empresas e a Receita Federal. Sua implementação promete corrigir distorções históricas, já que a legislação atual não permite atualizar valores patrimoniais pelo preço de mercado.
O Rearp também abre caminho para a regularização de bens lícitos não declarados, criando uma alternativa legal e menos onerosa para quem deseja ajustar informações patrimoniais antes de operações de crédito, inventários ou alienações.
O que é o Rearp e por que ele foi criado?
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O Regime Especial de Atualização e Regularização Patrimonial surge como resposta a uma demanda antiga de contribuintes e especialistas tributários: a defasagem dos valores declarados de imóveis e outros bens no Imposto de Renda.
Problema da defasagem patrimonial
Atualmente, um imóvel adquirido há décadas deve continuar declarado pelo valor original de compra, corrigido apenas por alguns custos adicionais — o que ignora completamente a valorização imobiliária ao longo do tempo.
Distorções e dificuldades
Essa limitação gera uma série de problemas:
Distorção na base de cálculo
A venda de um imóvel leva à cobrança de ganho de capital sobre uma diferença que não reflete um lucro real, mas a defasagem histórica dos valores.
Problemas na comprovação patrimonial
Em processos de crédito bancário, financiamentos ou justificativas fiscais, o valor depreciado pode gerar inconsistências e atrasos.
Impossibilidade de atualização legal
Até então, não existia mecanismo oficial para atualizar valores sem incidência de tributos elevados.
Como funcionará a atualização?
Com o Rearp, pessoas físicas poderão atualizar o valor de mercado de seus imóveis mediante pagamento de 4% sobre a diferença entre o valor declarado e o valor atual. Esse pagamento substituirá o tradicional Imposto sobre Ganho de Capital, que hoje varia entre 15% e 22,5%.
Regras para pessoas jurídicas
O texto também define alíquotas específicas para empresas:
Atualização patrimonial empresarial
- IRPJ: 4,8%
- CSLL: 3,2%
Assim como ocorre com pessoas físicas, os valores correspondem à diferença entre o valor contábil e o valor de mercado dos bens.
Regularização de bens lícitos não declarados
Além da atualização de valores, o Rearp permitirá a regularização de bens lícitos que não foram declarados à Receita.
Como funcionará a regularização
O contribuinte poderá inserir os bens no patrimônio oficial mediante pagamento das alíquotas previstas no programa. A medida é inspirada em regimes adotados em outros países para reduzir litigiosidade e aumentar a base declarada.
Limites e exigências
- Apenas bens de origem comprovadamente lícita poderão ser regularizados;
- Declarações falsas continuarão sujeitas a penalidades e autuações.
Outras medidas incluídas via Câmara
Durante a tramitação, deputados incorporaram ao projeto diversos dispositivos que estavam originalmente na Medida Provisória 1.303/2025, que perdeu validade em outubro.
Principais dispositivos adicionais
Restrição a compensações tributárias
Empresas terão novos limites para compensar créditos fiscais, reforçando a arrecadação.
Ajustes no Programa Pé-de-Meia
O texto revisa regras de pagamento e operacionalização do benefício para estudantes, garantindo maior previsibilidade orçamentária.
Alterações no Atestmed
O prazo para concessão de auxílio-doença via análise documental é revisto, buscando equilibrar atendimento e controle de fraudes.
Limites à compensação previdenciária
O governo estabelece novas regras para o repasse entre regimes previdenciários estaduais e municipais.
Impacto fiscal estimado
O conjunto das medidas deve gerar impacto de cerca de R$ 19 bilhões aos cofres públicos, segundo estimativas anexadas ao projeto.
Reações e expectativas do mercado imobiliário
O setor imobiliário monitora atentamente a aprovação do Rearp. A atualização patrimonial tende a estimular movimentações de compra e venda, diante da redução de custos fiscais futuros.
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Contexto atual do mercado
Estudos recentes mostram valorização expressiva em determinadas regiões, como Cabo Branco, citado entre os bairros mais valorizados do Nordeste segundo levantamento do FipeZap.
Ao mesmo tempo, o mercado também enfrenta desafios: os juros elevados resultaram em queda de 6,5% nas vendas no terceiro trimestre.
Como o Rearp pode influenciar o setor
Especialistas avaliam que o regime pode:
- Aquecer a venda de imóveis, já que reduz a tributação sobre operações futuras;
- Incentivar a transparência patrimonial;
- Dar segurança jurídica para investimentos;
- Facilitar acesso ao crédito, já que a atualização de valores melhora a comprovação de patrimônio.
FAQ — Perguntas frequentes
1. O que é o Rearp?
É o regime que permitirá atualizar valores de imóveis, veículos e outros bens no Imposto de Renda, mediante pagamento de alíquota reduzida.
2. Quem pode aderir?
Pessoas físicas e jurídicas que desejam atualizar ou regularizar bens lícitos.
3. Quanto custa atualizar o valor de um imóvel?
A pessoa física paga 4% sobre a diferença entre o valor declarado e o valor de mercado.
4. Empresas também podem atualizar valores?
Sim. Para empresas, as alíquotas são de 4,8% (IRPJ) e 3,2% (CSLL).
5. O que acontece com bens não declarados?
Eles poderão ser regularizados dentro do programa, desde que tenham origem lícita.
6. Quando o programa começa a valer?
Após a sanção presidencial e divulgação das normas da Receita Federal.
Considerações finais
A aprovação do Rearp pelo Senado marca um movimento importante na modernização fiscal do país. Ao permitir a atualização e a regularização patrimonial com alíquotas reduzidas, a norma reduz conflitos tributários, simplifica declarações e oferece condições mais justas para quem deseja regularizar imóveis e outros bens.
Caso o texto seja sancionado sem vetos, a Receita Federal deverá publicar regras complementares para adesão ao regime, prazos, procedimentos e critérios de avaliação de mercado.
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