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Sobe e desce do IOF: o que isso significa para seus investimentos

Governo aumenta IOF, recua parcialmente e provoca instabilidade nos mercados, afetando investimentos e elevando o risco fiscal no Brasil.

Luiza NiewinskiPor Luiza Niewinski4 min de leitura
Investimento/LCI calendário

Em mais um episódio que remete ao vaivém de decisões econômicas visto em 2023, o governo federal publicou, na noite de quinta-feira (22), um decreto aumentando o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em diversos segmentos, como crédito para empresas, previdência privada e operações cambiais. No entanto, diante da reação negativa do mercado, voltou atrás na manhã seguinte em parte da medida, cancelando o aumento do IOF sobre remessas para fundos de investimento no exterior.

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Reação imediata dos mercados foi de forte estresse

Quadro com gráficos de movimentação das ações na Bolsa de Valores.
Imagem: Zakharchuk / shutterstock.com

O anúncio gerou uma resposta imediata dos mercados. O índice EWZ, que reflete ações brasileiras em Nova York, caiu 2,11% na sexta-feira (23). O dólar avançou 1,03%, encerrando o dia cotado a R$ 5,721 na venda. Já o Ibovespa abriu em queda, mas reverteu o movimento ao longo do pregão. Os juros futuros subiram, sinalizando que o risco percebido pelos investidores aumentou consideravelmente.

IOF maior pressiona títulos públicos e eleva risco fiscal

O aumento do IOF e a insegurança institucional associada à mudança geraram uma demanda maior por retorno em ativos de renda fixa. Segundo Guilherme Almeida, head de Renda Fixa da Suno Research, a percepção de risco fiscal fez disparar os rendimentos dos títulos públicos, com papéis do Tesouro pagando mais de 14% ao ano.

“A incerteza fiscal eleva o prêmio de risco exigido. Isso afeta desde títulos públicos até qualquer outro investimento que dependa da taxa de juros como referência”, destacou Almeida.

Crédito mais caro para empresas do Simples e do lucro real

O decreto elevou a alíquota do IOF sobre crédito para empresas. No caso de companhias enquadradas no regime do lucro real, a taxa subiu de 1,88% para até 3,95% ao ano. Para micro e pequenas empresas do Simples Nacional, o aumento foi de 0,88% para 1,95%.

Juliana Tomaz, gestora da Asset Management Warren (AMW), afirma que a medida tende a prejudicar a obtenção de crédito, especialmente em um cenário de juros elevados.

“O custo do financiamento sobe e isso impacta diretamente os investimentos corporativos. A rentabilidade é afetada, especialmente em setores dependentes de capital intensivo como varejo, infraestrutura e construção civil”, explicou.

Recuo parcial sobre remessas para o exterior não elimina incertezas

Após a repercussão negativa, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou a revogação do aumento do IOF sobre remessas para fundos no exterior. A justificativa foi “evitar especulações” que pudessem inibir o investimento estrangeiro no país. Contudo, a credibilidade da política econômica ficou abalada.

Marcelo Simões, da Terra Investimentos, alertou para o impacto nas decisões de investidores internacionais:

“A falta de previsibilidade gera desconforto. O investidor estrangeiro vê essas idas e vindas como um risco adicional, o que pode afetar o fluxo de capital para o Brasil.”

Investimentos em dólar ficam mais caros

cotação do dólar/IOF
Imagem: Freepik/edição: Seu Crédito Digital

Além das empresas, pessoas físicas que pretendem diversificar em moeda estrangeira também foram atingidas. O IOF sobre compra de dólar em espécie subiu de 1,1% para 3,5%. Para transações com cartões internacionais (débito, crédito e pré-pago), a taxa foi ajustada de 3,38% para 3,5%.

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Segundo especialistas, essa mudança reduz a atratividade de investimentos internacionais, já que o custo do imposto precisa ser incorporado ao cálculo da rentabilidade.

“Mesmo com a melhora nos ativos lá fora, o aumento da carga tributária reduz o retorno final dos investimentos no exterior”, avaliou Simões.

Previdência privada também foi atingida

O decreto também incluiu uma nova alíquota de 5% sobre planos de previdência complementar com aportes mensais acima de R$ 50 mil. Para o CEO da CX3 Investimentos, Julio Ortiz, a medida pode desestimular aportes de alto valor e comprometer a função dos fundos previdenciários como instrumentos de planejamento de longo prazo.

Juliana Tomaz reforça que o impacto pode ser significativo:

“Essa taxação adicional pode afastar investidores de longo prazo e prejudicar o crescimento desse mercado. Em um país com déficit na previdência pública, desestimular a privada é um retrocesso.”

Conclusão: risco maior, confiança menor

O episódio envolvendo o aumento e a revogação parcial do IOF evidencia a fragilidade da previsibilidade fiscal no Brasil. Mesmo com o recuo sobre parte da medida, o impacto sobre a confiança do investidor — nacional e estrangeiro — já estava feito.

Com a percepção de risco elevada, o custo do dinheiro sobe, o apetite por investimentos recua, e a volatilidade do mercado tende a se intensificar. Medidas assim, anunciadas sem diálogo prévio e com reviravoltas em poucas horas, fragilizam ainda mais a credibilidade da política econômica.

Luiza Niewinski

Autor

Luiza Niewinski

Luiza Niewinski é apaixonada por animais, fã de séries e entusiasta da informação. Está sempre atenta ao que acontece no Brasil e no mundo, com o objetivo de transformar notícias em conteúdo útil e acessível para o leitor. No portal Seu Crédito Digital, atua na produção de matérias sobre benefícios sociais, programas do governo, direitos do cidadão e temas do dia a dia que impactam diretamente a população.

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