Uma recente decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem causado apreensão entre microempreendedores individuais (MEIs) e donos de pequenos negócios em todo o Brasil. A medida, que mantém o decreto do governo federal sobre o aumento das alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), dobra os encargos sobre empréstimos contratados por empresas do Simples Nacional e por MEIs, dificultando o acesso ao crédito em um momento de recuperação econômica.
Microempreendedores preocupados com aumento das alíquotas do IOF
Decisão do STF mantém aumento do IOF e impacta MEIs e pequenas empresas com alta no custo de crédito.
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O que muda com a nova alíquota do IOF
O IOF incide sobre diversas operações financeiras, incluindo empréstimos, financiamentos, câmbio e seguros. No caso das operações de crédito, a alíquota diária para pessoas jurídicas que antes era de 0,00137% passou para 0,00274% — uma elevação de 100%.
Quem será mais afetado
- Microempreendedores individuais (MEIs)
- Empresas enquadradas no Simples Nacional
- Pequenas empresas que dependem de crédito para operar ou expandir
Detalhes da nova cobrança
- Alíquota anterior: 0,00137% ao dia
- Nova alíquota: 0,00274% ao dia
- Aplicável para empréstimos de até R$ 30 mil, normalmente procurados por pequenos negócios
- Custo total do IOF em operações de 365 dias subiu de cerca de 0,5% para 1% ao ano, sem considerar o adicional de 0,38% fixo
O impacto direto na ponta: o caso de Karina
Karina Bifulco, de 36 anos, abriu seu MEI há um ano para formalizar a loja de confecção que administra no Brás, tradicional polo têxtil de São Paulo. Já precisou recorrer ao crédito duas vezes para manter o estoque e pagar fornecedores. Com a mudança, ela afirma que não pretende mais buscar empréstimos no curto prazo.
“A gente fica um pouco assustado com esse aumento, sempre pensando se vale a pena empreender para ver se consegue fazer o negócio fluir”, diz.
A fala de Karina ecoa entre milhares de pequenos empreendedores que estão repensando suas estratégias financeiras, justamente num momento em que buscavam fôlego para consolidar seus negócios.
Especialistas criticam o aumento e veem retrocesso
A advogada tributarista Bruna Maria Fagundes de Souza aponta que a decisão vai na contramão das promessas de justiça fiscal e da retórica de apoio ao pequeno empreendedor adotadas por diversos setores do governo.
“Microempreendedores e empresas do Simples dependem de crédito para manter o negócio funcionando. Dobrar a carga tributária sobre o empréstimo é sufocar a base da economia.”
Segundo ela, a justificativa do governo de que a medida equaliza o tratamento tributário entre pessoas físicas e jurídicas ignora a vulnerabilidade e a dependência de capital externo dos pequenos negócios.
O que diz o governo sobre a medida
De acordo com o Ministério da Fazenda, a decisão tem por objetivo corrigir distorções históricas:
- Pessoas jurídicas pagavam IOF menor que pessoas físicas, o que, segundo o governo, comprometia a isonomia tributária
- A equiparação foi considerada necessária para uniformizar o tratamento no sistema financeiro
Entretanto, críticos apontam que, na prática, os grandes empreendedores têm acesso a linhas de crédito mais vantajosas, enquanto os pequenos ficam mais vulneráveis a variações como essa.
Os números dos pequenos negócios no Brasil
Dados do Sebrae apontam:
- 97% das empresas brasileiras são classificadas como pequenos negócios
- Eles representam 26,5% do PIB nacional
- Os MEIs somam mais de 16 milhões de registros ativos
Significado disso:
Qualquer alteração que afete o acesso ao crédito por essa base tem potencial de abalar o funcionamento da economia real, especialmente nos setores de comércio, serviços e produção artesanal.
Como o IOF afeta o custo final do crédito

Vamos a um exemplo prático de como o aumento impacta o bolso do pequeno empreendedor:
Simulação com base no novo IOF
- Empréstimo de R$ 20 mil por 12 meses
- Antes: IOF de aproximadamente R$ 120
- Agora: IOF de cerca de R$ 240
- Acréscimo direto no custo efetivo total do crédito
Esse valor se soma aos juros bancários — que já são mais altos para MEIs devido à maior percepção de risco — elevando o Custo Efetivo Total (CET) da operação.
Reflexos no ambiente de negócios
Menos acesso ao crédito
A tendência é que muitos microempreendedores evitem tomar novos empréstimos, especialmente para:
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- Reposição de estoque
- Investimento em estrutura
- Ampliação de atendimento
Aumento da informalidade
Com o crédito mais caro e dificuldades para se manter formalizado, parte dos MEIs pode voltar à informalidade, especialmente aqueles que faturam perto do limite anual.
Menos competitividade
Empresas pequenas enfrentam perda de competitividade ao não conseguirem ampliar capacidade ou renovar equipamentos, o que as deixa em desvantagem em relação a grandes corporações.
Existe alguma saída?
Renegociação de dívidas
Empreendedores já endividados podem buscar renegociação direta com os bancos, ainda que o novo IOF se aplique somente a operações futuras.
Crédito alternativo
Há linhas de crédito específicas para MEIs em cooperativas, fintechs e programas municipais, que podem oferecer melhores condições — embora o IOF continue a incidir.
Pressão política
Associações como o Sebrae, Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e Frente Parlamentar do Empreendedorismo já começaram a mobilizar parlamentares para discutir a possibilidade de isenção ou redução do IOF para MEIs e empresas do Simples.
O papel da decisão do STF

O decreto que elevou as alíquotas foi questionado judicialmente, mas o ministro Alexandre de Moraes decidiu manter a validade da norma, entendendo que o governo agiu dentro dos limites constitucionais ao editar o aumento por meio de decreto.
Críticas ao modelo de decisão
- Especialistas defendem que aumentos com impacto tributário relevante deveriam passar pelo Congresso Nacional
- O uso do decreto para alterações em tributos federais é questionado por violar o princípio da legalidade estrita tributária
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
