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Auxílio-doença e seguro-defeso: confira as alterações recentes para beneficiários

No dia 11 de junho, o governo federal publicou uma nova medida provisória (MP) que altera significativamente dois importantes direitos dos trabalhadores brasile

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
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No dia 11 de junho, o governo federal publicou uma nova medida provisória (MP) que altera significativamente dois importantes direitos dos trabalhadores brasileiros: o benefício por incapacidade temporária, popularmente conhecido como auxílio-doença, e o seguro-defeso, pago a pescadores artesanais durante o período de proibição da pesca.

Mesmo com a necessidade de aprovação pelo Congresso Nacional, a MP já está em vigor e passa a impactar imediatamente os procedimentos administrativos ligados ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e aos benefícios da categoria pesqueira.

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Principais mudanças no auxílio-doença

Auxílio-doença
Imagem: Canva

Uma das alterações mais sensíveis recai sobre o auxílio-doença, que agora passa a ter regras mais rígidas para a concessão via sistema Atestmed, o canal digital do INSS para análise de incapacidade temporária.

Limite de validade de 30 dias por benefício

Antes da nova MP, o modelo permitia concessões com prazos de até 180 dias apenas com a análise de documentos médicos enviados pelo segurado. Agora, o prazo máximo para esse tipo de concessão via Atestmed será de apenas 30 dias.

Exigência de perícia médica para períodos mais longos

Se o trabalhador necessitar de um afastamento superior a 30 dias, será obrigatória a realização de uma perícia médica, que poderá ocorrer de duas formas:

  • Presencialmente: nas agências da Previdência Social com agenda disponível.
  • Por telemedicina: desde que o serviço esteja implementado e oferecido pelo INSS na localidade.

Objetivo da mudança: combate a fraudes e controle orçamentário

De acordo com o governo, a decisão de limitar a validade do benefício via Atestmed visa aumentar o controle sobre a concessão, reduzindo o risco de fraudes e distorções no sistema previdenciário.

Impacto para os segurados

A medida exigirá maior atenção dos trabalhadores que dependem do auxílio-doença. Para períodos superiores a 30 dias, será necessário antecipar o agendamento da perícia médica para evitar a interrupção dos pagamentos.

Alterações no seguro-defeso

O seguro-defeso, benefício essencial para milhares de pescadores artesanais durante o período de proibição da pesca, também sofreu mudanças importantes com a nova MP.

De despesa obrigatória para despesa condicionada a orçamento

Até então, o seguro-defeso era classificado como uma despesa obrigatória da União, o que garantia o pagamento aos beneficiários independentemente da disponibilidade de recursos.

Com a nova medida, o benefício passa a ser considerado uma despesa condicionada à existência de dotação orçamentária. Ou seja, o pagamento só será efetuado se houver previsão específica no orçamento federal.

Possibilidade de suspensão ou adiamento de pagamentos

Essa mudança dá ao governo a possibilidade de postergar ou até suspender o pagamento do seguro-defeso caso o orçamento não contemple os valores necessários para cobrir as despesas.

Motivo da alteração: crescimento das despesas

Segundo dados oficiais, o seguro-defeso já consome aproximadamente R$ 6,4 bilhões por ano. A decisão de reclassificar o benefício foi justificada como uma medida para melhor controle dos gastos públicos.

Transferência de responsabilidade para os municípios

Outro aspecto importante da MP é a mudança na gestão do registro de pescador artesanal profissional. A partir de agora, a responsabilidade por essa emissão será dos municípios, e não mais do governo federal.

Benefício vinculado à residência do pescador

Com essa descentralização, a concessão do seguro-defeso será vinculada ao município de residência do pescador, o que pode gerar impacto direto na organização e no fluxo dos pedidos.

Reações de especialistas e entidades representativas

As novas medidas têm gerado reações distintas entre especialistas em previdência social, sindicatos de trabalhadores e associações de pescadores.

Opinião de especialistas em direito previdenciário

Advogados especializados apontam que as mudanças no auxílio-doença devem aumentar a demanda por perícias presenciais, o que pode pressionar ainda mais a já sobrecarregada agenda do INSS.

Além disso, há preocupações sobre a capacidade técnica dos municípios em gerir o novo sistema de registro dos pescadores.

Posicionamento de entidades de pesca artesanal

Associações de pescadores expressaram preocupação com a possibilidade de atrasos no pagamento do seguro-defeso, especialmente em municípios com dificuldades financeiras para implementar os novos procedimentos.

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Tramitação no Congresso Nacional

Por ser uma medida provisória, o texto precisa ser aprovado pelo Congresso em até 120 dias para se transformar em lei definitiva. Durante esse período, o texto pode sofrer alterações ou até mesmo ser rejeitado.

Possíveis emendas e discussões parlamentares

Até o momento, algumas bancadas já sinalizaram que devem apresentar emendas, buscando flexibilizar alguns pontos, principalmente em relação ao seguro-defeso, considerado essencial para a sobrevivência de milhares de famílias de pescadores.

O que fazer se você for afetado pelas novas regras?

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Imagem: Thales Antonio/ Freepik

Diante das mudanças, é importante que os trabalhadores afetados se mantenham atentos aos canais oficiais de comunicação do INSS e do governo federal.

Para quem precisa solicitar o auxílio-doença:

  • Verifique se o afastamento será inferior ou superior a 30 dias.
  • Em caso de necessidade de prorrogação, agende a perícia médica com antecedência.
  • Mantenha os laudos médicos atualizados e disponíveis para apresentação ao INSS.

Para pescadores artesanais:

  • Confirme a atualização do seu registro de pescador junto ao órgão responsável em seu município.
  • Fique atento às informações orçamentárias divulgadas pelo governo, que podem impactar o pagamento do seguro-defeso.
  • Acompanhe a tramitação da medida provisória no Congresso para verificar possíveis alterações nas regras.

Próximos passos

O governo deve publicar, nas próximas semanas, regulamentações complementares para detalhar a operacionalização das novas regras, especialmente no que diz respeito ao agendamento das perícias e à gestão municipal dos registros de pesca.

Além disso, o INSS deverá adaptar os sistemas digitais, como o Meu INSS e o Atestmed, para atender aos novos critérios estabelecidos pela MP.

Considerações finais

A nova medida provisória do governo federal representa uma mudança significativa na forma como o auxílio-doença e o seguro-defeso são geridos no Brasil.

Enquanto o objetivo é controlar os gastos e aumentar a segurança no processo de concessão de benefícios, os trabalhadores devem redobrar a atenção para cumprir os novos requisitos e não ter prejuízos em seus direitos.

A expectativa agora gira em torno da tramitação no Congresso, que definirá se as alterações serão mantidas, modificadas ou revogadas.

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Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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