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Bancos deixam reunião sem nova proposta e contestam mobilização dos bancários

Fenaban oferece reajuste de 2,57%, abaixo da inflação estimada, e bancários rejeitam proposta. Entenda o impasse da campanha salarial.

Bruna MachadoPor Bruna Machado··10 min de leitura
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A campanha salarial dos bancários entrou em sua fase mais decisiva sem acordo sobre salários, benefícios e Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Depois de passar nove rodadas sem apresentar um índice geral, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) colocou duas propostas na mesa em 25 de agosto. Ambas foram recusadas pelos representantes dos trabalhadores.

A oferta mais recente prevê reajuste de 2,57% para salários e parte dos benefícios. O percentual fica abaixo do INPC estimado para a data-base da categoria, calculado em 4,13% pelo movimento sindical. Na prática, se a inflação for confirmada nesse patamar, os bancários perderiam poder de compra.

O impasse ganhou urgência porque a atual Convenção Coletiva de Trabalho termina em 31 de agosto. Uma 11ª rodada de negociação começou na manhã desta quarta-feira, 26, ainda sem anúncio de acordo até a última atualização desta reportagem.

Entender os números e os termos da negociação é essencial não apenas para os trabalhadores dos bancos. Uma paralisação ou uma greve mais ampla também pode alterar o funcionamento das agências, embora Pix, aplicativos e caixas eletrônicos normalmente continuem disponíveis.

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O que a Fenaban ofereceu aos bancários?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A primeira proposta apresentada pela Fenaban na décima rodada previa reajuste de 2,06% para salários e algumas verbas econômicas. O Comando Nacional dos Bancários recusou a oferta durante a própria reunião.

Em seguida, os bancos elevaram o percentual para 2,57%. De acordo com as informações divulgadas pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, o índice seria aplicado a:

  • salários;
  • vale-alimentação;
  • vale-refeição;
  • auxílio-creche;
  • auxílio para trabalho remoto;
  • auxílio destinado a pais de filhos com deficiência;
  • verba de requalificação profissional.

A proposta, entretanto, manteria sem reajuste a PLR, o piso salarial de ingresso e outras verbas da Convenção Coletiva. Também previa o encerramento da indenização por morte, do auxílio para deslocamento noturno e a retirada dos estagiários da proteção vinculada ao piso de ingresso.

Esses pontos levaram o Comando Nacional a rejeitar novamente a oferta. As informações sobre os percentuais e as cláusulas foram divulgadas pela representação sindical após a décima rodada de negociação.

Por que um reajuste de 2,57% representa perda salarial?

O reajuste salarial precisa ser comparado com a inflação acumulada no período. A inflação mede quanto os preços de produtos e serviços aumentaram. Quando o salário sobe menos do que esse índice, o trabalhador passa a comprar menos, mesmo recebendo um valor nominalmente maior.

A estimativa utilizada pelo movimento sindical indica INPC de 4,13% na data-base de 1º de setembro. O INPC é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e acompanha a variação do custo de vida de famílias com renda mais baixa.

Com essa previsão, o reajuste de 2,57% reporia aproximadamente 62% da inflação estimada. A perda real ficaria próxima de 1,5%.

Um exemplo ajuda a entender

Considere, de forma hipotética, um bancário que receba R$ 5 mil por mês. Com aumento de 2,57%, o salário passaria para R$ 5.128,50.

Se os preços subirem 4,13% no mesmo período, seria necessário que esse salário chegasse a aproximadamente R$ 5.206,50 apenas para preservar o poder de compra. A diferença mensal seria de R$ 78.

O valor parece pequeno quando observado isoladamente, mas se acumula ao longo dos meses e também pode influenciar férias, 13º salário, FGTS e demais parcelas calculadas sobre a remuneração.

O percentual definitivo da inflação, no entanto, depende da divulgação oficial do INPC pelo IBGE. O índice de 4,13% usado na negociação ainda é uma estimativa.

O que os bancários reivindicam?

A categoria reivindica a reposição integral da inflação acrescida de 5% de aumento real para salários e demais verbas.

Aumento real é a parte do reajuste que fica acima da inflação. Se o INPC for de 4,13%, por exemplo, apenas um reajuste superior a esse percentual produziria ganho efetivo de poder de compra.

A pauta apresentada pelos trabalhadores inclui ainda:

  • valorização da PLR;
  • reajuste maior para vale-alimentação e vale-refeição;
  • elevação do piso salarial;
  • criação de um piso para trabalhadores de tecnologia;
  • proteção contra demissões;
  • melhores condições de saúde e trabalho;
  • combate às metas consideradas abusivas;
  • garantia do direito à desconexão;
  • medidas relacionadas à igualdade de oportunidades;
  • regras para requalificação e recolocação profissional.

Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, uma consulta nacional ouviu mais de 54 mil trabalhadores em 2026. O aumento real foi indicado como prioridade por 93% dos participantes, seguido pela valorização da PLR e pela elevação dos vales.

A consulta mostra as prioridades de quem participou do levantamento sindical. Ela não equivale, porém, a uma pesquisa estatística de toda a população brasileira ou de todos os trabalhadores do sistema financeiro.

Por que a negociação demorou a chegar aos valores econômicos?

A pauta dos bancários foi entregue em 24 de junho, e as reuniões começaram em 2 de julho. As primeiras rodadas trataram de emprego, diversidade, saúde, jornada, inteligência artificial, condições de trabalho e outras cláusulas da Convenção Coletiva.

Os representantes dos trabalhadores afirmam que a demora em apresentar um índice salarial reduziu o tempo disponível para discutir as cláusulas econômicas antes da data-base.

A Fenaban e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), por sua vez, declararam anteriormente que as negociações seguiam o cronograma estabelecido e manifestaram expectativa de entendimento entre as partes, conforme posição publicada pela Folha de S.Paulo.

A divergência, portanto, não está apenas no percentual. Os dois lados também apresentam avaliações diferentes sobre o ritmo e a condução do processo.

O que aconteceu na paralisação de 20 de agosto?

Antes da apresentação das propostas de 2,06% e 2,57%, os bancários realizaram uma paralisação nacional de 24 horas em 20 de agosto.

A mobilização havia sido aprovada em assembleias após uma proposta anterior que previa reajustes diferentes conforme a faixa salarial e congelamento do piso de ingresso. Em São Paulo, Osasco e região, 97,66% dos participantes rejeitaram aquela proposta, enquanto 89,34% aprovaram a paralisação.

A suspensão das atividades não fechou automaticamente todas as agências. A adesão dependeu da decisão dos trabalhadores de cada unidade, o que produziu impactos diferentes entre cidades e bancos.

Entidades sindicais afirmam que centenas de agências, escritórios, centros administrativos e plataformas tiveram as atividades interrompidas. A Fenaban questionou a dimensão e os métodos da mobilização durante a rodada de 24 de agosto, segundo os relatos publicados pelos sindicatos.

Para o Comando Nacional, a paralisação foi consequência da ausência de uma proposta econômica considerada adequada. Os bancos, antes do movimento, sustentavam que a negociação permanecia dentro do prazo.

O que é a Convenção Coletiva dos bancários?

A Convenção Coletiva de Trabalho, conhecida pela sigla CCT, é um acordo negociado entre as entidades que representam os trabalhadores e os empregadores.

Ela estabelece regras que valem para a categoria, incluindo salários, benefícios, jornada, PLR, auxílios, proteção à maternidade, segurança e outras condições de trabalho.

A convenção nacional dos bancários tem importância especial porque reúne direitos comuns a trabalhadores de diferentes bancos e regiões do país. Bancos públicos, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, também mantêm negociações específicas sobre seus respectivos acordos coletivos.

O que significa a data-base?

A data-base é o momento anual usado como referência para reajustes e renovação das condições coletivas. No caso dos bancários, ela ocorre em 1º de setembro.

A proximidade dessa data aumenta a pressão para a conclusão das negociações. Isso não significa que todos os direitos desapareçam automaticamente se o acordo não for fechado até 31 de agosto.

Os sindicatos normalmente negociam mecanismos para preservar a validade das cláusulas enquanto as conversas continuam. A situação concreta dependerá, contudo, dos compromissos firmados entre as partes e dos próximos encaminhamentos.

A proposta já foi definitivamente recusada?

A oferta de 2,57% foi rejeitada pelo Comando Nacional durante a reunião de 25 de agosto. Isso significa que ela não foi encaminhada como proposta final para aprovação dos trabalhadores.

A negociação, entretanto, permanece aberta. A 11ª mesa começou em 26 de agosto, com cobrança por um novo índice e por melhorias nas demais cláusulas econômicas.

Até a última atualização disponível, não havia anúncio de uma nova proposta nem de encerramento da campanha. Os percentuais ainda podem mudar nas próximas reuniões.

Os trabalhadores devem acompanhar as informações divulgadas pelo sindicato de sua região. Novas propostas costumam ser avaliadas em assembleias, nas quais os integrantes da categoria podem aprovar ou rejeitar o acordo.

Pode haver uma greve dos bancos?

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A continuidade do impasse aumenta a possibilidade de novas mobilizações, mas não significa que uma greve nacional já esteja confirmada.

Para que uma paralisação mais ampla ocorra, as entidades sindicais precisam convocar assembleias e seguir as regras previstas na legislação. A categoria decide coletivamente os próximos passos.

A paralisação de 20 de agosto funcionou como uma advertência. Se as próximas propostas continuarem abaixo das reivindicações, os sindicatos podem convocar novas atividades ou submeter uma greve à votação.

Qualquer anúncio deve ser verificado em canais oficiais das entidades representativas. Mensagens compartilhadas em redes sociais ou aplicativos podem circular sem data, ser referentes a outra região ou apresentar informações incompletas.

Como uma greve pode afetar os clientes dos bancos?

Uma greve pode reduzir ou suspender o atendimento presencial em parte das agências, mas não costuma interromper completamente o sistema financeiro.

Aplicativos bancários, internet banking, Pix, transferências, caixas eletrônicos e outros canais digitais tendem a continuar funcionando. Ainda assim, serviços que exigem análise de funcionários ou comparecimento presencial podem demorar mais.

Os clientes devem manter atenção aos vencimentos. Uma paralisação não cancela automaticamente a obrigação de pagar contas, cartões, empréstimos ou boletos.

Se o canal habitual não estiver disponível, o consumidor pode procurar alternativas oferecidas pela instituição e guardar os protocolos de atendimento. Quando o banco impossibilitar o pagamento, esses registros podem ajudar em uma eventual contestação de juros ou multas.

O que acontece agora na campanha salarial?

O próximo passo é a continuidade da 11ª rodada entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban. A expectativa sindical é que os bancos apresentem um índice capaz de repor a inflação e produzir aumento real.

Também seguem em discussão a PLR, os vales, o piso salarial, a requalificação de profissionais demitidos e a manutenção de direitos previstos na Convenção Coletiva.

Uma plenária informativa foi convocada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo para a noite de quinta-feira, 27 de agosto. Outras bases sindicais podem divulgar reuniões e assembleias próprias.

A campanha chegou, portanto, a um ponto decisivo: existe uma proposta econômica, mas ela foi rejeitada por ficar abaixo da inflação estimada e congelar parcelas importantes. Sem nova oferta ou composição entre as partes, aumenta a possibilidade de intensificação da mobilização.

Perguntas frequentes

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Qual foi o reajuste proposto pela Fenaban em 2026?

A oferta mais recente apresentada em 25 de agosto foi de 2,57% para salários e parte dos benefícios. PLR, piso de ingresso e outras verbas ficariam sem reajuste.

Por que os bancários recusaram a proposta?

O índice ficou abaixo do INPC estimado em 4,13% para a data-base. Segundo o Comando Nacional, isso provocaria perda real de aproximadamente 1,5%, além de não valorizar a PLR e o piso salarial.

Os bancos estão em greve?

Não havia uma greve nacional confirmada até a última atualização. A categoria realizou uma paralisação de 24 horas em 20 de agosto, e novas mobilizações dependerão de assembleias e decisões dos trabalhadores.

Quando termina a Convenção Coletiva dos bancários?

A convenção vigente termina em 31 de agosto de 2026. A data-base da categoria é 1º de setembro.

Pix e aplicativos param durante uma greve bancária?

Normalmente, não. Pix, aplicativos, internet banking e caixas eletrônicos tendem a continuar operando. Serviços presenciais ou dependentes de análise humana podem sofrer atrasos.

Quem decide se a proposta será aceita?

Os representantes sindicais negociam com a Fenaban, mas uma proposta final normalmente é submetida aos trabalhadores em assembleias organizadas pelos sindicatos.

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