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Bancários convocam plenária para quinta (27) após bancos não apresentarem nova proposta

Após rejeitar reajuste abaixo da inflação, bancários participam de plenária virtual nesta quinta (27). Veja horário e próximos passos.

Bruna MachadoPor Bruna Machado··11 min de leitura
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Os bancários de São Paulo, Osasco e região terão uma plenária virtual nesta quinta-feira, 27 de agosto, em um momento decisivo da campanha salarial de 2026. O encontro está marcado para as 19h e exige inscrição prévia.

A reunião foi convocada inicialmente porque a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) havia encerrado nove rodadas de negociação sem apresentar um índice de reajuste para salários e benefícios.

O cenário, porém, mudou ao longo desta terça-feira (25). Na décima rodada, a entidade patronal finalmente apresentou uma proposta econômica, mas o índice ficou abaixo da inflação estimada e foi rejeitado pelo Comando Nacional dos Bancários.

Agora, a plenária deverá servir para explicar o resultado das negociações, avaliar a oferta dos bancos e organizar os próximos passos da mobilização. Entre as possibilidades estão novas assembleias, protestos e paralisações, dependendo da evolução das conversas.

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O que a Fenaban propôs aos bancários?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A última proposta apresentada pela Fenaban prevê reajuste de 2,57% para salários e algumas verbas, como vale-alimentação, vale-refeição, auxílio-creche, ajuda para teletrabalho e auxílio destinado a trabalhadores com filhos com deficiência.

O problema é que o percentual não recompõe a inflação estimada para a data-base da categoria, em 1º de setembro. Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) é de 4,13%.

Na prática, o reajuste oferecido corresponde a aproximadamente 62% da inflação projetada. Isso significa que, se a proposta fosse aceita nesses termos, os trabalhadores perderiam poder de compra.

A oferta também previa reajuste zero para a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), para o salário de ingresso e para outras verbas. O Comando Nacional rejeitou a proposta ainda na mesa de negociação. As conversas devem continuar nesta quarta-feira (26). Sindicato dos Bancários de São Paulo

Por que um reajuste de 2,57% representa perda salarial?

O reajuste abaixo da inflação aumenta nominalmente o salário, mas não preserva o poder de compra do trabalhador.

Imagine um bancário que recebe salário de R$ 5 mil. Com reajuste de 2,57%, a remuneração subiria para R$ 5.128,50.

Se os preços utilizados para medir o custo de vida avançarem 4,13%, entretanto, seria necessário um salário de aproximadamente R$ 5.206,50 apenas para acompanhar essa inflação. Nesse exemplo simplificado, faltariam R$ 78 por mês para que o trabalhador mantivesse o mesmo poder de compra.

Portanto, receber um percentual de aumento não significa necessariamente obter ganho real. Existem três situações possíveis:

  • Reajuste abaixo da inflação: há perda de poder de compra;
  • Reajuste igual à inflação: o salário é apenas recomposto;
  • Reajuste acima da inflação: existe aumento real.

O próprio sindicato calcula que a proposta de 2,57% produziria perda real próxima de 1,5%. O resultado definitivo, contudo, dependerá do INPC acumulado até a data-base.

O que os bancários reivindicam na campanha salarial de 2026?

A pauta foi entregue à Fenaban em 24 de junho. O principal pedido econômico é a reposição integral da inflação, acrescida de 5% de aumento real para salários e demais verbas.

A categoria também reivindica:

  • aumento maior para vale-alimentação e vale-refeição;
  • valorização da PLR;
  • aumento do piso salarial;
  • preservação dos direitos da Convenção Coletiva de Trabalho;
  • combate às metas consideradas abusivas;
  • proteção dos empregos e ampliação da rede de agências;
  • medidas para preservar a saúde mental;
  • regras para o uso de inteligência artificial e novas tecnologias;
  • qualificação profissional diante da digitalização do setor;
  • manutenção da mesa nacional de negociação.

Uma consulta realizada durante a elaboração da pauta ouviu 54.952 trabalhadores. O aumento real foi apontado como prioridade por 93% dos participantes. A valorização da PLR apareceu em seguida, com 63%, enquanto 51% defenderam aumento maior nos vales alimentação e refeição. Sindicato dos Bancários de São Paulo

Quando e como será a plenária dos bancários?

A plenária será realizada às 19h desta quinta-feira, 27 de agosto, exclusivamente pela internet.

O encontro foi convocado pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região. A participação é voltada aos trabalhadores de bancos lotados na área representada pela entidade.

Para acompanhar a plenária, o bancário deve fazer uma inscrição prévia na plataforma indicada pelo sindicato. A recomendação é concluir o cadastro com antecedência e verificar se o acesso foi confirmado.

Quem pode participar?

A convocação é dirigida aos bancários que trabalham na base territorial do sindicato de São Paulo, Osasco e região.

Empregados de bancos que atuam em outras cidades devem consultar o sindicato responsável pela sua localidade. Como a campanha é nacional, outras entidades podem organizar plenárias e assembleias próprias.

A plenária terá votação?

A convocação divulgada classifica o encontro como organizativo e informativo. Isso significa que sua finalidade principal é apresentar o estágio das negociações e discutir a mobilização.

A plenária não deve ser confundida automaticamente com uma assembleia deliberativa. Quando existe votação formal sobre proposta, greve ou acordo coletivo, o sindicato normalmente publica um edital com regras, período de votação e trabalhadores habilitados.

Por que a plenária ganhou ainda mais importância?

Quando o encontro foi convocado, a principal reclamação era a ausência de um índice salarial após nove rodadas. Com a proposta apresentada na décima mesa e rejeitada pelo Comando, a discussão mudou de estágio.

Os participantes agora precisarão entender três pontos centrais:

  • o tamanho da diferença entre a proposta da Fenaban e a reivindicação da categoria;
  • quais direitos e verbas estão ameaçados ou sem reajuste;
  • quais instrumentos de pressão poderão ser usados nas próximas negociações.

A proposta final da Fenaban ainda previa o fim de algumas garantias, como o auxílio para deslocamento noturno e uma indenização relacionada a morte ou incapacidade decorrente de assalto. Também retirava estagiários da proteção do piso de ingresso, segundo o sindicato.

Na primeira oferta apresentada na terça-feira, o índice era ainda menor: 2,06%. Depois da rejeição do Comando e de uma pausa na reunião, a Fenaban elevou o percentual para 2,57% e recuou em alguns pontos, mas não eliminou todas as retiradas contestadas pelos representantes dos trabalhadores.

O que aconteceu nas negociações anteriores?

A campanha nacional começou formalmente depois da entrega da pauta em junho. As mesas tiveram início em julho e discutiram temas econômicos e sociais.

Entre os assuntos tratados estavam emprego, fechamento de agências, igualdade de oportunidades, saúde dos trabalhadores, inteligência artificial, direito à desconexão, jornada de trabalho e qualificação profissional.

Na sétima rodada, a Fenaban apresentou um modelo de reajustes diferentes conforme a faixa salarial, acompanhado do congelamento do piso de ingresso. A proposta foi rejeitada pelos trabalhadores.

Na base de São Paulo, 97,66% dos participantes votaram contra a oferta. Uma paralisação de 24 horas realizada em 20 de agosto também havia sido aprovada por 89,34% dos votantes.

Depois da mobilização, a Fenaban retirou a proposta de reajuste por faixas. Mesmo assim, a oitava e a nona rodadas terminaram sem um índice geral para salários e benefícios.

Somente na décima mesa surgiu uma proposta percentual completa, mas abaixo da inflação e distante do aumento real reivindicado.

O que está em jogo além do salário?

O debate não se limita ao valor recebido mensalmente. A Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários reúne direitos que ultrapassam as garantias básicas previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

De acordo com a Febraban, a negociação coletiva do setor envolve centenas de entidades sindicais e beneficia diretamente mais de 432 mil empregados. Os instrumentos coletivos reúnem regras sobre remuneração, PLR, benefícios, condições de trabalho, saúde e segurança. Febraban

A convenção atual tem vigência até 31 de agosto de 2026. A data-base é 1º de setembro, referência usada para definir o reajuste anual e a validade do novo acordo.

É por isso que o atraso nas negociações preocupa os trabalhadores. Sem consenso próximo à data-base, cresce a necessidade de estabelecer garantias temporárias para preservar as cláusulas existentes até a assinatura da próxima convenção.

A rejeição da proposta significa greve?

Não. A rejeição feita pelo Comando Nacional na mesa de negociação não inicia uma greve automaticamente.

Para que uma paralisação seja aprovada, os sindicatos precisam convocar assembleias e seguir os procedimentos previstos na legislação. Os trabalhadores habilitados analisam a situação e votam.

A plenária desta quinta-feira pode ajudar a preparar essa discussão, mas uma eventual greve dependerá de convocação formal e deliberação da categoria.

Também existe a possibilidade de a Fenaban apresentar uma nova oferta antes de qualquer decisão desse tipo. As negociações foram marcadas para continuar na quarta-feira (26), um dia antes da plenária.

O que é dissídio coletivo?

O dissídio coletivo é um processo levado à Justiça do Trabalho quando trabalhadores e empregadores não conseguem concluir a negociação.

Nesse caso, o Tribunal Superior do Trabalho ou o Tribunal Regional do Trabalho, conforme a abrangência do conflito, pode analisar as reivindicações e estabelecer condições para a categoria.

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Para o trabalhador, é importante entender que o dissídio não é simplesmente outra rodada de negociação. Ao levar o impasse ao Judiciário, as partes deixam parte da decisão nas mãos do tribunal.

As entidades sindicais defendem a manutenção da mesa única nacional porque consideram que o acordo direto oferece mais espaço para negociar o conjunto de reivindicações. A hipótese de judicialização, entretanto, depende das circunstâncias jurídicas e dos procedimentos adotados pelas partes.

A negociação vale para bancos públicos e privados?

A Convenção Coletiva nacional alcança empregados de bancos públicos e privados abrangidos pela negociação com a Fenaban.

Funcionários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal também possuem mesas específicas. Nelas são negociadas questões próprias de cada instituição, que podem resultar em acordos coletivos complementares.

Assim, um empregado do Banco do Brasil ou da Caixa deve acompanhar tanto a campanha nacional quanto as negociações específicas do seu banco.

O que os bancários devem fazer agora?

O primeiro passo é acompanhar os comunicados do sindicato responsável pela região onde trabalham. Informações compartilhadas apenas em grupos de mensagens podem estar incompletas ou desatualizadas.

Quem pertence à base de São Paulo, Osasco e região e deseja acompanhar a plenária deve:

  1. Fazer a inscrição prévia no canal informado pelo sindicato;
  2. Guardar a confirmação e o endereço de acesso;
  3. Entrar na sala virtual alguns minutos antes das 19h;
  4. Acompanhar o resultado da negociação desta quarta-feira (26);
  5. Verificar se haverá convocação posterior para assembleia ou votação.

A proposta de 2,57% já foi rejeitada pelo Comando Nacional, mas isso não encerra a campanha. Novos índices e alterações nas cláusulas ainda podem ser apresentados até a construção de um acordo.

O que acontece a partir de agora?

A próxima rodada de negociação será fundamental para mostrar se a Fenaban pretende elevar o índice e retirar os pontos considerados prejudiciais pelos sindicatos.

Se houver avanço, uma nova proposta poderá ser apresentada aos trabalhadores em assembleias. Se o impasse continuar, a categoria poderá ampliar as mobilizações.

A plenária de quinta-feira será, portanto, um espaço para transformar as informações da mesa de negociação em orientações práticas. Para o bancário, o mais importante neste momento é acompanhar as atualizações oficiais, participar das discussões e observar eventuais editais de assembleia.

Perguntas frequentes

bancos
Imagem: everything possible/Shutterstock

Quando será a plenária dos bancários?

A plenária será realizada nesta quinta-feira, 27 de agosto de 2026, às 19h, de maneira virtual.

É necessário fazer inscrição?

Sim. O Sindicato dos Bancários de São Paulo informa que o trabalhador deve realizar inscrição prévia para receber ou liberar o acesso à plenária.

Qual reajuste foi oferecido pela Fenaban?

A última proposta apresentada em 25 de agosto prevê reajuste de 2,57% para salários e determinadas verbas. O índice está abaixo da inflação estimada para a data-base.

A proposta foi aceita?

Não. O Comando Nacional dos Bancários rejeitou a oferta na própria mesa de negociação.

Qual reajuste os bancários reivindicam?

A categoria reivindica a reposição integral do INPC acumulado até a data-base, acrescida de 5% de aumento real para salários e demais verbas.

A plenária pode aprovar uma greve?

A convocação divulgada é para uma plenária organizativa e informativa. Uma greve depende de assembleia formalmente convocada e de votação dos trabalhadores.

Quando é a data-base dos bancários?

A data-base nacional da categoria é 1º de setembro. Ela serve como referência para o reajuste salarial e para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho.

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