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BC desliga plataforma do Drex por problemas de privacidade; entenda o risco de vazamento

Banco Central desativa plataforma DREX baseada na Hyperledger Besu e planeja nova fase do Real Digital para início de 2026.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa7 min de leitura
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O Banco Central do Brasil (BC) confirmou o desligamento da infraestrutura DREX, plataforma baseada na tecnologia Hyperledger Besu, utilizada nas duas primeiras fases do Real Digital. A decisão marca uma importante transição no projeto que pretende transformar o sistema financeiro brasileiro por meio de uma moeda digital oficial.

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Encerramento da infraestrutura DREX

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Imagem: Freepik e Canva

Segundo informações divulgadas pelos portais Block News e Finsiders, o BC irá desligar, na próxima semana, a plataforma usada nas fases 1 e 2 do projeto DREX. Fontes ligadas ao processo confirmaram a decisão, destacando que a medida não representa o fim do projeto, mas sim uma mudança estratégica para a próxima etapa de desenvolvimento.

Uma das fontes explicou que a fase 3 do DREX está programada para começar no início de 2026, quando o Banco Central definirá a nova tecnologia que substituirá a Hyperledger Besu.

Problemas de privacidade motivaram o desligamento

De acordo com outra fonte próxima ao projeto, “haviam problemas de privacidade a serem resolvidos” na infraestrutura onde os pilotos do Real Digital foram desenvolvidos. O tema da segurança e privacidade dos dados é central para o avanço do projeto, considerando a natureza sensível das transações financeiras digitais e a necessidade de atender às exigências regulatórias.

A decisão de desligar a plataforma foi anunciada durante uma reunião entre os consórcios participantes dos pilotos do DREX, realizada na terça-feira, 4 de novembro.

O que é a Hyperledger Besu

A blockchain Hyperledger Besu é uma tecnologia do tipo DLT (Distributed Ledger Technology) — um “livro contábil digital” que registra e valida transações entre usuários. Desenvolvida em 2019 pela comunidade Hyperledger, a Besu é compatível com redes públicas e privadas e foi escolhida pelo Banco Central por sua transparência e flexibilidade.

No entanto, segundo especialistas, a plataforma enfrentou desafios técnicos em relação à privacidade e escalabilidade — pontos considerados críticos para o funcionamento de uma moeda digital nacional.

“O projeto DREX segue de pé”, afirma fonte

Apesar do desligamento da infraestrutura usada nos testes, fontes do Banco Central garantem que o projeto DREX continua ativo. A nova fase, prevista para 2026, será marcada pela escolha de uma nova base tecnológica e pela ampliação dos testes de privacidade e programabilidade.

O DREX, que representa a versão digital do real, busca criar um ecossistema financeiro mais integrado e eficiente, permitindo transações instantâneas e seguras entre cidadãos, empresas e o governo.

O caminho do DREX até aqui

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Imagem: Freepik e Canva

Fase 1: seleção de propostas e testes iniciais

Na primeira fase, o Banco Central abriu uma chamada para empresas apresentarem propostas que explorassem o conceito de entrega contra pagamento (DvP) de títulos públicos federais — um tipo de liquidação que só ocorre após a transferência efetiva de fundos.

O foco estava em garantir privacidade e programabilidade nas transações. Ao final da fase, 16 propostas foram selecionadas para prosseguir nos testes.

Fase 2: desenvolvimento e desafios

Durante a fase 2, o Banco Central recebeu 42 temas e selecionou 13 para serem desenvolvidos pelos consórcios escolhidos anteriormente. Essa etapa foi conduzida sobre a infraestrutura Hyperledger Besu, mas os objetivos de privacidade não foram totalmente atingidos, segundo fontes próximas ao projeto.

Com isso, o Banco Central decidiu avaliar novas opções tecnológicas para a continuidade do DREX, buscando maior robustez, escalabilidade e conformidade com padrões internacionais de segurança.

O futuro do Real Digital

Início da fase 3 em 2026

A fase 3 do DREX marcará o início de uma nova etapa do Real Digital, com testes de integração entre bancos, fintechs e instituições públicas. Essa fase também deve aprofundar o uso de contratos inteligentes (smart contracts) e tokenização de ativos, dois pilares centrais para o avanço do sistema financeiro digital.

Especialistas afirmam que o Brasil poderá se tornar um referência global em inovação financeira se conseguir resolver os gargalos técnicos observados nas fases anteriores.

Possível adoção de nova tecnologia blockchain

Entre as alternativas consideradas pelo mercado, estão plataformas com maior foco em privacidade e eficiência, como Corda, Quorum e Substrate. Cada uma apresenta características específicas que podem atender melhor às exigências de uma moeda digital de banco central (CBDC).

Contudo, a decisão final caberá ao Banco Central, que ainda não divulgou o relatório oficial da fase 2. A expectativa é que o documento traga detalhes sobre o desempenho dos pilotos e as lições aprendidas.

Especialistas avaliam o desligamento da Besu

O especialista André Carneiro, CEO da BBChain, uma das empresas envolvidas em soluções blockchain, avaliou que o desligamento da infraestrutura Hyperledger Besu era esperado e faz parte do processo natural de evolução do projeto.

Segundo Carneiro, “a fase 2 do piloto DREX cumpriu seu papel”, permitindo que o Banco Central avaliasse as tecnologias sob uma perspectiva regulatória.

“As tecnologias foram avaliadas pela perspectiva do regulador e, segundo seus critérios, demonstraram a necessidade de evoluções para atendimento completo”, explicou o especialista.

Ele acrescenta que novos modelos de negócios, com foco mais direcionado pelo mercado, podem evoluir sem as restrições regulatórias presentes nos pilotos do DREX, abrindo espaço para maior protagonismo do setor privado no desenvolvimento de soluções baseadas em blockchain.

Um projeto de longo prazo

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O Real Digital vem sendo desenvolvido há cerca de quatro anos, e a escolha da infraestrutura de testes ocorreu há pouco mais de dois anos e meio. O projeto faz parte da agenda “Inovação Financeira do BC”, que também inclui o PIX, o Open Finance e o registrato.

Com o DREX, o Banco Central pretende criar uma infraestrutura interoperável que facilite transações, reduza custos e amplie o acesso da população a serviços financeiros.

Embora o desligamento da Besu tenha gerado apreensão em alguns setores, especialistas garantem que a decisão representa um avanço estratégico, e não um retrocesso.

O que esperar da nova fase do DREX

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Imagem: rafapress / shutterstock.com

1. Mais segurança e privacidade

A próxima etapa deve priorizar melhorias em criptografia e proteção de dados, respondendo às falhas identificadas nas fases anteriores.

2. Expansão do ecossistema

A expectativa é que mais fintechs, bancos e startups de tecnologia participem dos testes, ampliando o alcance e a interoperabilidade do Real Digital.

3. Integração com o PIX e Open Finance

O DREX poderá se integrar ao PIX e ao Open Finance, criando um ecossistema unificado que permita transações inteligentes e automatizadas.

4. Lançamento piloto ao público

Caso o cronograma seja mantido, a fase 4, prevista para depois de 2026, poderá incluir testes controlados com o público, aproximando o Real Digital da sua versão final.

Conclusão

O desligamento da infraestrutura Hyperledger Besu marca o fim de um ciclo e o início de uma nova fase para o Real Digital, reforçando o compromisso do Banco Central com a inovação e a segurança do sistema financeiro brasileiro.

A decisão, embora técnica, tem impacto estratégico e mostra que o projeto DREX está evoluindo em direção a um modelo mais maduro, seguro e alinhado às necessidades do mercado.

O Brasil segue na vanguarda da digitalização financeira e, com a chegada da fase 3 em 2026, deve consolidar sua posição como um dos líderes globais no desenvolvimento de moedas digitais de bancos centrais (CBDCs).

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Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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