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BC proíbe fintechs de usarem ‘bank’, Nubank terá de se adequar à nova regra em até 1 ano

Banco Central proíbe fintechs de usar ‘Bank’ ou ‘Banco’, impactando pequenas empresas e reforçando segurança e clareza no mercado financeiro.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
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O Banco Central (BC) determinou que empresas financeiras que não possuem autorização formal para funcionar como bancos deixem de utilizar os termos “Bank”, “Banco” ou “Banking” em suas marcas e publicidades. A decisão, anunciada recentemente, deve impactar diversas fintechs e startups financeiras que utilizam esses termos para se posicionar no mercado. A medida inclui prazos específicos: entrega de projetos de adequação em até 120 dias e conclusão das mudanças em até um ano.

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Impactos imediatos sobre o mercado financeiro

Especialistas avaliam que a norma terá efeitos diferenciados dependendo do porte das empresas. Para fintechs menores e mais recentes, a exigência representa uma mudança significativa, que pode gerar custos de rebranding e ajustes na comunicação com clientes. Já grandes players, como o Nubank, devem ser menos afetados, já que sua reputação e reconhecimento de marca se consolidaram independentemente do uso do termo “Bank”.

Eduardo Tomiya, sócio-fundador da TM20 Branding, afirma que, no início das fintechs, os consumidores valorizavam a indicação de solidez financeira que o termo “Banco” transmitia. “Hoje, o cliente prioriza agilidade, tecnologia e menor burocracia. O fim do uso do termo não terá grande efeito para marcas consolidadas como o Nubank”, explica.

Nubank e a solidez percebida pelos clientes

O Nubank, listado na bolsa como ROXO34, utiliza o termo “Bank” mais como qualificativo do que como fator de diferenciação. Segundo Tomiya, atributos como atendimento digital eficiente, facilidade no acesso a crédito e interface tecnológica da plataforma são mais relevantes para os clientes do que a indicação de solidez financeira tradicional.

Em pesquisa realizada pela TM20 Branding e Brazil Panels com 500 consumidores em cinco regiões do país, a confiança na marca foi apontada como principal fator de escolha (17%), seguida de atendimento próximo e acolhedor (14%) e facilidade no uso do aplicativo (12%). A solidez financeira, tradicionalmente associada a bancos, não aparece entre os principais nove atributos de preferência.

A regra do Banco Central e a padronização do setor

O BC estima que entre 15 e 20 empresas precisarão ajustar seus nomes e campanhas publicitárias para se adequar à regulamentação. A medida tem como objetivo esclarecer o mercado e evitar que consumidores confundam fintechs com bancos oficiais, protegendo o público de possíveis riscos e promovendo maior transparência.

Para especialistas, a norma também pode estimular algumas fintechs a buscarem a conversão oficial em bancos, processo que envolve autorização regulatória e capital mínimo exigido. Isso poderia aumentar a competitividade do setor, embora implique em mais obrigações e fiscalização.

Reações das principais instituições

O Nubank afirmou estar analisando a determinação do BC, destacando que todos os seus produtos possuem licenças e autorizações legais. “A norma diz respeito apenas à nomenclatura das instituições e não impacta os serviços prestados. Nossas operações continuam normalmente, sem qualquer efeito para os clientes”, reforçou a empresa.

O Stark Bank também comunicou que iniciou a avaliação da norma e reafirmou seu compromisso com conformidade regulatória. Já outras empresas, como Pagbank, Bankly e Altbank Zro Bank, não se pronunciaram até o momento.

Opinião de especialistas

Para Luiz Trabuco Cappi, presidente do Conselho de Administração do Bradesco, a decisão do BC é positiva, pois evita confusões no mercado. “Se a palavra banco aparece no logotipo, pode induzir o consumidor a erro. A norma contribui para a clareza no setor financeiro”, disse.

Marcelo Noronha, presidente executivo do Bradesco, complementa que a medida tem efeito principalmente educativo, ajudando o público a diferenciar instituições autorizadas de fintechs. “Não altera substancialmente a competição entre bancos e fintechs, mas reduz a ambiguidade para os clientes”, avalia.

Benefícios e desafios da medida para o setor

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A regra do BC pode beneficiar bancos tradicionais, que operam dentro da regulamentação e já possuem reconhecimento de solidez financeira. Para as fintechs, especialmente as menores, a adaptação exigirá investimentos em marketing, comunicação e possíveis mudanças jurídicas.

Segundo Felipe Franchi, advogado especializado em fintechs, a proibição do uso de “Bank” pode ter efeitos contraditórios. “Embora busque proteger o consumidor, a norma pode gerar confusão se não vier acompanhada de diretrizes claras sobre funcionamento das fintechs BaaS (Bank as a Service)”, alerta.

Possível corrida para se tornar banco

Com a nova regra, algumas fintechs podem considerar solicitar autorização formal para se tornarem bancos. Isso garantiria o direito de manter o termo em suas marcas e aumentar a confiança do consumidor. No entanto, o processo envolve exigências regulatórias rigorosas, incluindo capital mínimo, auditorias de compliance e monitoramento contínuo pelo BC.

Cenário futuro do mercado financeiro brasileiro

Especialistas projetam que a medida do BC reforçará a maturidade do mercado financeiro, promovendo maior transparência e confiança. Fintechs consolidadas devem manter seu espaço, enquanto empresas menores precisarão se adaptar rapidamente para não perder competitividade.

O impacto direto sobre o consumidor deve ser mínimo, segundo Tomiya. “O público já associa as fintechs a atributos como tecnologia, atendimento rápido e ausência de burocracia, mais do que ao termo ‘Banco’ em si. A mudança tende a padronizar o setor e aumentar a clareza para o usuário final.”

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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