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Fintechs implementam Pix por aproximação antes da exigência do Banco Central

Fintechs como Neon e CloudWalk se antecipam à obrigatoriedade do BC e já oferecem Pix por aproximação via carteira digital. Saiba como usar.

Bianca BorgesPor Bianca Borges6 min de leitura
Fintechs implementam Pix por aproximação antes da exigência do Banco Central

O Pix por aproximação, nova funcionalidade do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, está em plena expansão — e não apenas entre os grandes bancos, que são obrigados pelo Banco Central (BC) a oferecer o serviço.

Fintechs como Neon, CloudWalk, Mercado Pago, Nubank, PagBank, Inter e PicPay já disponibilizam a modalidade para seus clientes, antecipando-se ao prazo regulatório, que exige a oferta apenas a partir de janeiro de 2026.

A adoção proativa revela o interesse do setor em melhorar a experiência dos usuários, simplificar processos e se destacar na disputa pelo mercado digital de pagamentos.

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O que é o Pix por aproximação?

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Imagem: Freepik e Canva

O Pix por aproximação é uma evolução do sistema Pix tradicional.

A grande diferença está na experiência de uso: em vez de abrir o aplicativo do banco, escanear um QR Code ou copiar chaves, o usuário aproxima o celular de uma maquininha ou confirma a transação online com um toque em sua carteira digital (como o Google Pay).

Esse tipo de pagamento utiliza a tecnologia NFC (Near Field Communication), já comum em pagamentos com cartões e smartphones. Com ela, o celular se comunica diretamente com o terminal de pagamento, realizando a transação de forma instantânea, segura e sem redirecionamentos.

Como funciona a modalidade na prática

Requisitos para utilizar

  • Celular Android com tecnologia NFC;
  • Carteira digital instalada (atualmente, Google Wallet é a principal compatível);
  • Conta bancária com Pix ativa e vinculada à carteira digital.

Etapas de uso

  1. Acesse a carteira digital e escolha a opção de adicionar Pix;
  2. Faça a verificação da identidade (biometria, senha, etc.);
  3. Vincule a conta bancária de onde sairão os pagamentos;
  4. Realize o pagamento apenas aproximando o celular do terminal ou confirmando online.

Limites e segurança

Segundo o Banco Central, o valor máximo por transação com Pix por aproximação é de R$500, sem limite diário de operações. A autenticação por biometria, reconhecimento facial ou senha de desbloqueio é obrigatória, garantindo a segurança do processo.

Fintechs na dianteira: por que se anteciparam?

Neon: pioneira no lançamento antecipado

A Neon anunciou que todos os seus clientes já podem usar o Pix por aproximação, mesmo antes da obrigação oficial. A empresa defende que a solução beneficia diretamente consumidores sem cartão de crédito, oferecendo uma alternativa rápida e segura de pagamento via celular.

“É a solução ideal para quem não possui cartão de crédito, pois possibilita pagamentos diretos pela carteira digital do Google”, afirma Wilton Pinheiro, diretor de produtos da Neon.

CloudWalk e InfinitePay: foco nos empreendedores

A CloudWalk, por meio da plataforma InfinitePay, também está liderando a implementação da funcionalidade. A empresa desenvolveu uma solução que transforma o smartphone do empreendedor em maquininha de pagamentos, aceitando tanto Pix quanto cartões por aproximação.

“No Brasil, quase todo mundo ouve duas perguntas ao pagar: ‘vai ser no Pix?’ ou ‘é por aproximação?’… Unimos as duas experiências”, diz Yuri Gravatá, diretor de banking da CloudWalk.

A InfinitePay promete ainda incluir em breve o Pix por aproximação no iPhone, embora o sistema ainda dependa de autorização da Apple para integração total com o Apple Pay.

Outras fintechs já habilitadas

Além de Neon e CloudWalk, também já oferecem o serviço:

  • Nubank
  • PagBank
  • Inter
  • Digio
  • Mercado Pago
  • PicPay
  • C6 Bank

Algumas dessas participaram da fase piloto com o Google Pay, ainda em 2024, ao lado de instituições tradicionais como o Itaú.

O papel do Google Pay e das carteiras digitais

A Carteira do Google (Google Pay) é, até o momento, a única que permite usar o Pix por aproximação. A executiva Natacha Litvinov, líder de parcerias do Google Pay na América Latina, destaca que o modelo permite centralizar todas as contas Pix em um só lugar, sem a necessidade de trocar de aplicativos.

“Estamos facilitando e adicionando conveniência à jornada de pagamentos dos usuários”, resume Litvinov.

Jornada sem Redirecionamento (JSR) e as Iniciadoras de Transação de Pagamento (ITP)

A jornada de pagamento oferecida pelas fintechs utiliza o modelo JSR — Jornada Sem Redirecionamento, que elimina a necessidade de abrir o app bancário durante a compra.

Esse modelo é viabilizado pelas chamadas Iniciadoras de Transação de Pagamentos (ITPs), empresas autorizadas pelo BC para iniciar pagamentos em nome do usuário. Elas garantem que o dinheiro vá diretamente da conta do cliente para a do lojista, sem intermediários adicionais ou etapas extras.

Tendência de expansão entre as ITPs

Segundo Gustavo Lino, diretor da Associação dos Iniciadores de Transação de Pagamentos (INIT), o número de fintechs homologadas como ITPs cresceu desde o lançamento do Pix por aproximação, e esse movimento tende a acelerar até 2026.

“Vários já foram aprovados na jornada sem redirecionamento, o que reforça o movimento de ampliação do ecossistema”, diz Lino.

Por que usuários estão preferindo essa modalidade?

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Mais segurança

Com a crescente preocupação com fraudes e invasões de aplicativos bancários, muitos usuários têm optado por desinstalar apps de bancos. O Pix por aproximação surge como uma alternativa mais segura, já que funciona diretamente pela carteira digital protegida por biometria.

“É uma solução que elimina a necessidade de acessar o app bancário, algo cada vez mais valorizado em grandes centros urbanos”, explica Gravatá, da CloudWalk.

Mais praticidade e agilidade

Não é mais necessário:

  • Abrir app do banco;
  • Copiar e colar chaves Pix;
  • Escanear QR Codes.

O processo é quase instantâneo, bastando um toque ou aproximação.

E os usuários da Apple?

Por enquanto, a funcionalidade está restrita aos usuários Android. A Apple ainda não solicitou autorização junto ao Banco Central para operar com a modalidade via Apple Pay.

Isso limita o alcance da solução, mas não impede que iPhones sejam usados por vendedores para receber pagamentos via InfinitePay, desde que tenham a função Tap to Pay habilitada.

Perspectivas e próximos passos

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Imagem: Brenda Rocha – Blossom / shutterstock.com

Expansão para novos sistemas operacionais

A expectativa é que Apple Pay e Samsung Pay entrem na modalidade, o que dependerá de registro junto ao Banco Central. Quando isso acontecer, a adoção do Pix por aproximação deve crescer exponencialmente.

Impacto no ecossistema de pagamentos

Com o avanço da tecnologia NFC, carteiras digitais e regulamentações mais claras, o Brasil se prepara para uma revolução na forma como paga e recebe dinheiro. O Pix por aproximação pode se consolidar como o padrão mais comum de pagamento até o final da década.

Conclusão

O movimento das fintechs, que estão se antecipando à obrigatoriedade do BC, mostra como o setor financeiro brasileiro está em constante evolução.

A funcionalidade do Pix por aproximação oferece conveniência, segurança e inclusão, especialmente para quem não usa cartões de crédito ou quer evitar apps bancários.

A tendência é clara: o futuro dos pagamentos será cada vez mais digital, simples e seguro — e estará a apenas um toque de distância.

Bianca Borges

Autor

Bianca Borges

Bianca Borges é estudante de Publicidade e desenvolvedora em formação, com paixão por cultura pop, tecnologia e universos geek. Fã de Star Wars, DC Comics, RPG e The Walking Dead, ela traz sua visão criativa e analítica para o time do Seu Crédito Digital, colaborando na produção de conteúdos relevantes sobre consumo, serviços públicos e finanças do dia a dia. Com estilo descontraído e foco em clareza, Bianca ajuda leitores a entender temas complexos com leveza e precisão.

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