As ações do Banco do Brasil (BBAS3) seguem entre as mais descontadas do setor bancário brasileiro em 2026. Negociando a pouco mais da metade de seu valor patrimonial, o papel apresenta indicadores que normalmente chamariam a atenção dos investidores, especialmente em um ambiente de juros elevados e distribuição consistente de dividendos.
Banco do Brasil segue pressionado pelo agro, diz Itaú BBA
Banco do Brasil (BBAS3) negocia com desconto, mas inadimplência no agronegócio e provisões elevadas ainda preocupam investidores em 2026.
No entanto, apesar dos múltiplos atrativos, o mercado continua demonstrando cautela em relação ao banco. A principal preocupação permanece ligada à deterioração da carteira de crédito do agronegócio, segmento no qual o Banco do Brasil possui forte participação.
Essa visão mais conservadora foi reforçada recentemente pelo Itaú BBA, que reduziu seu preço-alvo para as ações e manteve recomendação neutra, refletindo a percepção de que os desafios enfrentados pela instituição ainda podem se intensificar nos próximos trimestres.
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Por que o Banco do Brasil parece barato?

Ao analisar os indicadores fundamentalistas, o Banco do Brasil apresenta números que, à primeira vista, sugerem uma oportunidade de investimento.
Entre os principais fatores estão:
- Negociação próxima de 0,55 vez o valor patrimonial;
- Dividendos considerados robustos;
- Forte geração de receitas financeiras;
- Liderança em importantes segmentos de crédito;
- Participação relevante no financiamento do agronegócio.
Historicamente, bancos com elevada rentabilidade costumam negociar a múltiplos superiores. Entretanto, o mercado tende a antecipar riscos futuros, e é justamente nesse ponto que surge a principal preocupação envolvendo o BBAS3.
O problema que continua pesando sobre BBAS3
Agronegócio permanece no centro das atenções
Desde 2024, investidores acompanham o aumento da inadimplência entre produtores rurais e empresas ligadas ao agronegócio.
Após anos de expansão do crédito impulsionada por preços elevados das commodities agrícolas, parte do setor passou a enfrentar dificuldades decorrentes de diversos fatores:
- Queda nos preços de alguns produtos agrícolas;
- Aumento dos custos de produção;
- Juros elevados nos últimos anos;
- Endividamento acumulado;
- Pressão sobre margens de lucro.
Como o Banco do Brasil possui a maior carteira de crédito rural do país, acaba sendo diretamente impactado por qualquer deterioração financeira dos produtores.
Por que a situação ainda pode piorar?
Segundo a avaliação do Itaú BBA, o período mais delicado da carteira agrícola ainda não foi totalmente atravessado.
Vencimentos importantes acontecem em 2026
Grande parte das operações de crédito rural possui vencimentos concentrados entre o segundo e o terceiro trimestre do ano, justamente quando ocorre a comercialização de importantes safras, especialmente:
- Soja;
- Milho;
- Outras culturas de grande relevância para o agronegócio brasileiro.
O problema é que muitos produtores continuam enfrentando margens apertadas devido ao aumento de despesas operacionais.
Custos continuam pressionando o setor
Mesmo com alguma melhora nos preços de determinadas commodities, diversos produtores ainda convivem com:
- Fertilizantes caros;
- Custos logísticos elevados;
- Fretes mais altos;
- Serviço da dívida oneroso.
Esse cenário aumenta o risco de atrasos e renegociações de contratos, elevando a necessidade de provisões por parte do banco.
O que são provisões e por que elas importam?
As provisões representam recursos que os bancos reservam para cobrir possíveis perdas decorrentes da inadimplência.
Quanto maior o risco de calote, maior tende a ser o valor destinado para essas reservas.
Impacto direto no lucro
Quando um banco aumenta suas provisões:
- O lucro líquido diminui;
- A rentabilidade é pressionada;
- O retorno para os acionistas pode ser reduzido;
- O mercado passa a revisar expectativas futuras.
É justamente esse movimento que preocupa os analistas em relação ao Banco do Brasil.
Selic elevada ajuda, mas não resolve o problema
Se existe um fator positivo para o Banco do Brasil em 2026, ele é o ambiente de juros ainda elevados.
Tesouraria continua gerando ganhos
A manutenção de uma Selic em patamar elevado favorece diversas linhas de receita dos bancos.
Entre os benefícios para o BB estão:
- Maior retorno das operações de tesouraria;
- Ganhos na gestão de ativos e passivos;
- Expansão da margem financeira.
Esses fatores ajudam a compensar parte dos impactos negativos causados pela inadimplência.
Provisões anulam boa parte dos ganhos
Apesar do efeito positivo dos juros, o Itaú BBA avalia que as despesas com provisões continuam sendo suficientemente altas para neutralizar boa parte desse benefício.
Em outras palavras, o aumento das receitas financeiras não consegue compensar integralmente as perdas potenciais associadas ao crédito rural.
Rentabilidade deve cair em 2026
Outro ponto que ajuda a explicar a cautela dos investidores é a expectativa de redução da rentabilidade do banco.
ROE abaixo do custo de capital
As projeções indicam um retorno sobre patrimônio (ROE) próximo de 9,3% em 2026.
Esse percentual chama atenção porque ficaria abaixo do custo de capital estimado para o setor bancário.
Na prática, isso significa que o banco geraria um retorno considerado insuficiente para compensar adequadamente os riscos assumidos pelos investidores.
Por que isso afeta a cotação?
Quando uma empresa apresenta rentabilidade abaixo do custo de capital:
- O mercado tende a reduzir o valor atribuído às ações;
- O potencial de valorização fica limitado;
- O desconto nos múltiplos pode persistir por mais tempo.
Essa é uma das razões pelas quais BBAS3 continua sendo negociada a preços considerados baixos.
Lucro pode ficar abaixo das expectativas do mercado
As projeções mais recentes indicam uma visão mais cautelosa para os resultados futuros.
O Itaú BBA revisou para baixo suas estimativas e passou a trabalhar com lucro líquido próximo de R$ 18,4 bilhões em 2026.
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O número:
- Fica no piso da projeção oficial do banco;
- Está abaixo de parte das estimativas do mercado;
- Reflete uma expectativa de maior deterioração da carteira agrícola.
Segundo os analistas, ainda existe espaço para novas revisões negativas caso a inadimplência avance além do esperado.
Existe chance de recuperação para BBAS3?
Apesar das dificuldades atuais, os desafios enfrentados pelo Banco do Brasil não são vistos como permanentes.
Mudanças na concessão de crédito
Nos últimos anos, o banco passou a adotar critérios mais rigorosos na concessão de crédito rural.
Uma das principais mudanças foi o aumento da exigência de garantias reais nas novas operações.
Entre as garantias utilizadas estão:
- Imóveis rurais;
- Garantias fiduciárias;
- Bens vinculados às operações.
Essa estratégia busca reduzir perdas futuras e melhorar a qualidade da carteira de crédito.
Efeitos devem aparecer gradualmente
Como operações de crédito possuem ciclos longos, os benefícios dessas mudanças não aparecem imediatamente nos balanços.
A expectativa do mercado é que a melhora comece a se tornar mais visível ao longo do segundo semestre de 2026 e nos anos seguintes.
Dividendos continuam sendo um ponto forte
Mesmo diante de um cenário mais desafiador, a remuneração aos acionistas segue sendo um dos principais atrativos do Banco do Brasil.
Capital permanece sólido
As projeções indicam que a instituição continua operando acima dos requisitos regulatórios exigidos pelo Banco Central.
Isso reduz riscos relacionados a:
- Necessidade de aumento de capital;
- Restrições ao crescimento;
- Mudanças drásticas na política de dividendos.
Payout deve permanecer próximo de 30%
A expectativa é que o banco mantenha uma distribuição próxima de 30% do lucro aos acionistas, preservando um fluxo relevante de dividendos mesmo em um período de rentabilidade menor.
Para investidores focados em geração de renda, esse continua sendo um dos principais diferenciais da companhia.
O que esperar das ações do Banco do Brasil em 2026?

O Banco do Brasil permanece negociando com desconto significativo em relação ao seu patrimônio e continua oferecendo dividendos atrativos. Entretanto, o mercado segue preocupado com a evolução da inadimplência no agronegócio, setor que ainda concentra os principais riscos para os resultados da instituição.
Enquanto os efeitos das novas políticas de concessão de crédito não aparecem de forma mais clara nos balanços, as provisões elevadas devem continuar pressionando lucro e rentabilidade. Por isso, embora BBAS3 apresente indicadores que sugerem uma ação barata, a percepção predominante entre analistas é que ainda faltam catalisadores capazes de impulsionar uma reavaliação mais positiva do papel no curto prazo.
Conclusão
O Banco do Brasil segue sendo uma das ações mais baratas do setor bancário brasileiro, combinando múltiplos descontados e uma política de dividendos atrativa. No entanto, os desafios enfrentados pela carteira de crédito do agronegócio continuam gerando incertezas sobre os resultados dos próximos trimestres.
Embora o banco tenha adotado medidas para fortalecer a qualidade de suas novas operações e mantenha uma posição de capital confortável, o mercado ainda aguarda sinais mais concretos de estabilização da inadimplência. Até que isso aconteça, BBAS3 pode continuar convivendo com volatilidade, mesmo apresentando fundamentos que, no longo prazo, seguem chamando a atenção dos investidores.
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