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Mercado vê ações de TIM e Vivo em patamares atrativos

Bradesco BBI corta preços-alvo de TIM e Vivo e mantém recomendação neutra diante de desafios operacionais e concorrência crescente.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Mercado vê ações de TIM e Vivo em patamares atrativos

As ações das operadoras de telecomunicações TIM e Vivo voltaram ao centro das atenções do mercado após uma nova análise do Bradesco BBI apontar desafios relevantes para o setor. Apesar da recente queda das ações ter tornado os papéis mais baratos em termos de valuation, os analistas ainda não enxergam sinais consistentes de recuperação operacional no curto prazo.

Por essa razão, o banco manteve recomendação neutra para ambas as empresas, indicando que, embora os preços atuais sejam mais atrativos do que há alguns meses, os riscos ainda justificam cautela por parte dos investidores.

A avaliação ocorre em um momento em que o setor de telecomunicações enfrenta uma combinação de concorrência mais intensa, juros elevados e desaceleração econômica, fatores que pressionam receitas, margens e a capacidade de crescimento das operadoras.

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Vivo
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Após revisar os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2026 e analisar os dados mais recentes de adição líquida de clientes, o Bradesco BBI decidiu reduzir suas projeções para as duas companhias.

Os novos preços-alvo ficaram definidos em:

  • TIMS3: de R$ 29 para R$ 26;
  • VIVT3: de R$ 45 para R$ 39.

Segundo os analistas Daniel Ferdele e Flávia Meireles, a revisão reflete tanto perspectivas operacionais menos favoráveis quanto o aumento do custo de capital provocado pelos juros elevados.

Em cenários de taxas de juros mais altas, investidores exigem retornos maiores para aplicar recursos em renda variável, o que impacta diretamente as avaliações das empresas listadas na bolsa.

O que preocupa os analistas?

O principal ponto de atenção está relacionado ao enfraquecimento dos indicadores operacionais observados nos últimos trimestres.

Crescimento mais lento das receitas

As operadoras vêm encontrando dificuldades para manter o ritmo de crescimento registrado após a consolidação do mercado móvel brasileiro.

Com menor expansão do número de clientes e um ambiente econômico mais desafiador, a evolução das receitas tem desacelerado.

Esse movimento preocupa analistas porque limita o potencial de geração de lucro nos próximos anos.

Dificuldade para reajustar preços

Outro fator destacado pelo relatório é a maior resistência dos consumidores aos aumentos tarifários.

Nos planos mais básicos, especialmente aqueles voltados para consumidores de menor renda, as operadoras enfrentam dificuldades para repassar reajustes sem correr o risco de perder clientes.

Essa situação reduz a capacidade das empresas de compensar o aumento de custos operacionais por meio de preços mais elevados.

Pressão sobre as margens

Quando o crescimento das receitas desacelera e os custos continuam aumentando, as margens operacionais tendem a sofrer pressão.

Isso afeta diretamente indicadores importantes acompanhados pelo mercado, como EBITDA, geração de caixa e rentabilidade.

Concorrência mais intensa desafia o setor

Embora o mercado brasileiro tenha passado por um processo de consolidação nos últimos anos, a competição continua elevada.

As operadoras disputam clientes não apenas por preço, mas também por:

  • Qualidade da cobertura;
  • Velocidade da internet móvel;
  • Pacotes de serviços digitais;
  • Benefícios agregados;
  • Programas de fidelização.

Além disso, a expansão das tecnologias 5G exige investimentos bilionários em infraestrutura, aumentando a necessidade de eficiência operacional.

Para os analistas do Bradesco BBI, o ambiente competitivo atual reduz o poder das empresas de ampliar receitas sem comprometer sua base de clientes.

Cenário econômico também pesa sobre os resultados

O contexto macroeconômico brasileiro aparece como outro fator relevante na análise.

Menor migração para planos pós-pagos

Historicamente, as operadoras conseguem aumentar receitas quando clientes migram de planos pré-pagos para pós-pagos.

Essa mudança geralmente resulta em maior gasto mensal e maior previsibilidade de faturamento.

No entanto, em um ambiente de juros elevados e renda pressionada, muitos consumidores tendem a adiar esse movimento.

Como consequência, as empresas encontram mais dificuldades para expandir o valor médio gasto por usuário.

Impacto sobre o ARPU

O indicador conhecido como ARPU (Average Revenue Per User ou Receita Média por Usuário) é um dos mais importantes para o setor.

Ele mede quanto cada cliente gera de receita para a operadora.

Quando o crescimento do ARPU desacelera, o potencial de expansão dos resultados financeiros também diminui.

Segundo o relatório, esse é um dos riscos mais relevantes para TIM e Vivo nos próximos trimestres.

Ações ficaram mais baratas, mas isso é suficiente?

A recente correção das ações fez com que os papéis passassem a ser negociados abaixo de médias históricas observadas pelo mercado.

Em teoria, isso poderia representar uma oportunidade de compra.

Entretanto, o Bradesco BBI entende que a simples redução dos múltiplos não é suficiente para justificar uma recomendação mais positiva.

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Falta de catalisadores

Os analistas destacam que ainda não existem fatores capazes de impulsionar uma reavaliação consistente do setor.

Entre os elementos que poderiam mudar esse cenário estão:

  • Recuperação mais forte da economia;
  • Melhora da dinâmica competitiva;
  • Crescimento acelerado do 5G;
  • Avanços regulatórios;
  • Expansão mais robusta das receitas.

Sem esses gatilhos, o mercado pode continuar revisando para baixo suas expectativas de resultados.

Fluxo de caixa continua sendo ponto positivo

Apesar das preocupações operacionais, o relatório aponta que as empresas continuam apresentando capacidade relevante de geração de caixa.

As projeções para 2026 indicam:

  • Vivo com rendimento de fluxo de caixa livre estimado em 9,7%;
  • TIM com rendimento de fluxo de caixa livre próximo de 12,1%.

Esses números são considerados atrativos quando comparados a diversos outros setores da bolsa brasileira.

No entanto, parte desse desempenho incorpora eventos extraordinários, como venda de ativos e potenciais mudanças regulatórias.

O que é o Fistel e por que ele preocupa investidores?

Um dos temas mais importantes para o setor continua sendo o futuro do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel).

O tributo representa um custo significativo para as operadoras brasileiras e vem sendo alvo de debates sobre possíveis mudanças regulatórias.

Incerteza reduz visibilidade

Segundo o Bradesco BBI, o adiamento de definições envolvendo o Fistel aumenta a incerteza sobre o valor futuro das empresas.

Enquanto não houver clareza sobre eventuais alterações, investidores tendem a adotar uma postura mais conservadora.

Isso dificulta movimentos mais expressivos de valorização das ações.

Vale a pena investir em TIM e Vivo agora?

TIM
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A resposta depende do perfil do investidor.

Para quem busca empresas consolidadas, com geração de caixa consistente e histórico de distribuição de dividendos, TIM e Vivo continuam sendo nomes relevantes na bolsa brasileira.

Por outro lado, investidores que procuram forte potencial de valorização no curto prazo podem encontrar desafios maiores.

O relatório do Bradesco BBI sugere justamente essa visão equilibrada: os papéis ficaram mais baratos, mas ainda não existem evidências suficientes de melhora operacional que sustentem uma recomendação mais otimista.

Imagem: ChatGPT

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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