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Banco do Brasil revisa lucro e aponta impacto do agronegócio

Banco do Brasil reduz projeção de lucro após alta da inadimplência no agro e crédito mais caro para pessoas físicas em 2026.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Banco do Brasil

O Banco do Brasil anunciou uma revisão para baixo em sua projeção de lucro para 2026 após registrar forte aumento nos custos de crédito no primeiro trimestre do ano. O movimento foi impulsionado principalmente pela deterioração da carteira ligada ao agronegócio e também pelo avanço da inadimplência entre pessoas físicas.

O cenário trouxe preocupação para investidores e pressionou as ações da instituição na Bolsa de Valores, além de reacender discussões sobre os riscos do crédito rural no Brasil.

Projeção de lucro

Leia mais: Banco do Brasil vê lucro cair e mercado volta a olhar risco no agro

A revisão das projeções ocorreu após o Banco do Brasil identificar uma piora mais intensa do que o esperado em sua carteira de crédito. Apenas no primeiro trimestre, os custos de crédito somaram R$ 18,9 bilhões, alta de 86% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O banco também alterou sua previsão anual para despesas relacionadas ao crédito. Agora, a instituição espera custos entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões ao longo de 2026, acima das estimativas anteriores.

Agronegócio se torna principal foco de preocupação

O agronegócio ocupa posição central na carteira do Banco do Brasil. Historicamente, a instituição é uma das maiores financiadoras do setor rural brasileiro, oferecendo linhas de crédito para custeio, investimento, máquinas agrícolas e capital de giro.

No entanto, o cenário econômico atual elevou significativamente os riscos dessas operações.

Juros altos

Apesar de o setor continuar sendo um dos pilares da economia nacional, muitos produtores enfrentam dificuldades para honrar compromissos assumidos nos últimos anos.

Alta da taxa Selic

Os juros elevados aumentaram o custo do crédito rural e reduziram a capacidade de pagamento dos produtores. Muitas operações contratadas anteriormente passaram a pesar mais no orçamento.

Queda de margens em algumas commodities

Em determinados segmentos agrícolas, houve redução da rentabilidade devido à queda nos preços internacionais e ao aumento dos custos de produção.

Crescimento das recuperações judiciais

Nos últimos meses, diversos produtores rurais e grupos ligados ao agronegócio recorreram à recuperação judicial para renegociar dívidas. Isso obrigou os bancos a ampliar provisões para perdas.

Quando uma instituição financeira identifica maior risco de inadimplência, ela precisa separar recursos para cobrir possíveis calotes futuros. Esse movimento afeta diretamente o lucro.

Inadimplência no agro se aproxima de máximas históricas

Dados do Banco Central mostram que a inadimplência nas operações ligadas ao agronegócio está próxima dos maiores níveis já registrados no país.

Apesar disso, o setor continua estratégico para os bancos brasileiros. O agro movimenta bilhões de reais em crédito e também gera demanda por diversos serviços financeiros, incluindo seguros, investimentos e produtos voltados a pessoas físicas.

Por esse motivo, as instituições financeiras tentam equilibrar expansão da carteira com maior rigor na concessão de crédito.

Crédito para pessoas físicas também preocupa

Além do agro, o Banco do Brasil também identificou deterioração em parte das operações destinadas a consumidores.

A tendência de piora aparece principalmente em:

Segundo executivos do banco, parte desse aumento da inadimplência também possui relação indireta com clientes ligados ao agronegócio.

Isso acontece porque produtores rurais frequentemente utilizam produtos financeiros pessoais para complementar capital de giro ou reorganizar despesas em momentos de aperto financeiro.

Banco do Brasil reforça cobrança e garantias

Diante do aumento do risco, o Banco do Brasil já começou a adotar medidas mais rígidas para tentar conter perdas.

Entre as principais ações anunciadas estão:

Reforço das garantias em novos empréstimos

O banco passou a exigir mais proteção nas novas operações de crédito, reduzindo a exposição em contratos considerados mais arriscados.

Revisão dos processos de cobrança

A instituição também intensificou medidas para recuperação de ativos inadimplentes.

Segundo a presidente do banco, Tarciana Medeiros, o número de judicializações realizadas nos primeiros meses de 2026 já supera significativamente o volume registrado durante todo o ano anterior.

A estratégia busca acelerar renegociações e aumentar a recuperação de créditos considerados problemáticos.

Índice de capital entra no radar do mercado

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Outro ponto que chamou atenção dos analistas foi a redução do índice de capital principal do Banco do Brasil, conhecido como CET1.

O indicador mede a capacidade do banco de absorver perdas e manter estabilidade financeira. No primeiro trimestre, o índice caiu de 12,2% para 11,6%.

A expectativa da própria instituição é que o índice fique próximo de 11% até o final do ano.

Embora ainda esteja acima dos níveis mínimos exigidos pela regulamentação bancária brasileira, o movimento aumentou a atenção do mercado sobre a capacidade futura de expansão do crédito.

O que o cenário revela?

O caso do Banco do Brasil evidencia um movimento mais amplo no setor financeiro nacional.

Nos últimos anos, bancos ampliaram fortemente a oferta de crédito para o agronegócio, aproveitando o crescimento do setor. Porém, o atual ambiente econômico mostrou que até segmentos considerados resilientes podem enfrentar ciclos de deterioração.

O cenário atual reforça alguns desafios importantes:

Maior seletividade na concessão de crédito

Bancos devem adotar critérios mais rígidos para aprovação de financiamentos, principalmente em operações rurais e linhas sem garantia.

Aumento das provisões

Instituições financeiras tendem a ampliar reservas para cobrir inadimplência, o que reduz rentabilidade no curto prazo.

Pressão sobre pequenos produtores

Produtores com maior endividamento podem encontrar mais dificuldade para acessar crédito novo.

Crescimento das renegociações

O mercado deve registrar aumento nos pedidos de alongamento de dívida e recuperação judicial no setor rural.

Considerações finais

A revisão da projeção de lucro do Banco do Brasil mostra como o aumento da inadimplência no agronegócio passou a impactar diretamente os grandes bancos brasileiros. O avanço das recuperações judiciais, os juros elevados e o crescimento do endividamento rural criaram um ambiente mais desafiador para o crédito em 2026.

Ao mesmo tempo, o banco também enfrenta deterioração em linhas voltadas a pessoas físicas, especialmente em operações sem garantia e cartões de crédito.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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